Mostrando postagens com marcador Astronomia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Astronomia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de junho de 2012

Cinco de Junho de 2012 - Evento Astronômico: TRÂNSITO DE VÉNUS!

Disponibilizo para vocês, um texto elaborado pela minha colega Janine com informações sobre o Trânsito de Vénus que irá ocorrer no dia de hoje (05/06/2012):


O TRÂNSITO DE VÊNUS
Dias 5/6 de Junho
O trânsito ou passagem de um planeta diante do Sol pode ser considerado como um evento relativamente raro. Visto a partir do ponto de vista da Terra, somente os trânsitos de Mercúrio e de Vênus podem acontecer. Normalmente, acontecem 13 trânsitos de Mercúrio a cada século. Em contraste, os Trânsitos de Vênus ocorrem em pares e com mais de um século separando cada par.
O último trânsito de Vênus aconteceu em 2004 e o segundo evento do par acontecerá na Quarta-Feira, dia 6 de Junho (dia 5, Terça-Feira, para o hemisfério oriental). O evento será inteiramente observável no Pacífico oeste, na Ásia ao leste e a leste da Austrália – assim como podemos ver na figura abaixo. A maior parte das Américas do Norte e Central bem como o norte da América do Sul poderão testemunha o começo do Trânsito (no dia 5 de junho) porém o Sol se esconderá no horizonte oeste ainda antes do término do evento. Da mesma forma, observadores na Europa, na Ásia central e oeste, na África a leste e a oeste da Austrália verão o final do evento em função de que o Trânsito já estará acontecendo ao nascer do Sol para aquelas localidades.
Para as localidades acima de 67 graus norte no hemisfério norte, todo o trânsito será visível independente da longitude. A parte ao norte do Canada e todo o Alaska também verão todo o evento. Os moradores de Iceland (marcado como Região X, na figura) encontram-se em local singular do caminho do trânsito pois verão tanto o começo como o final porém o Sol se deitará por um breve tempo enquanto o maior trânsito estará em curso. Uma região assim parecida existe ao sul da Austrália (marca como Região Y na figura), porém ali o Sol se levantará depois do começo do Trânsito e se porá antes do final.
Os acontecimentos mais importantes a acontecerem durante um trânsito são convenientemente caracterizados pelos contatos análogos aos contatos que acontecem durante um eclipse anular do Sol. O trânsito começa pelo contacto 1, o instante em que o disco do planeta tangencia o disco do Sol. Imediatamente após o contacto I, o planeta pode ser visto como um pequeno ponto através o corpo solar. O disco inteiro do planeta pode ser visualizado no contacto II, quando o planeta já se encontra internamente tangenciando o Sol. Ao longo do curso de muitas horas, a silhueta do planeta vai vagarosamente atravessando o disco solar. No contacto III, o planeta alcança o lado oposto e novamente encontra-se internamente tangenciado ao Sol. Finalmente, o trânsito termina no contacto IV quando a ponta do planeta já se encontra externamente tangenciada à do Sol. Contactos I e II definem a fase chamada de Ingresso enquanto os contactos II e IV são conhecidos como Egresso. Os ângulos de posição de Vênus a cada contacto são medidos como ponteiros de relógio a partir do ponto norte do disco solar.
                     Geocentric Phases of the 2012 Transit of Venus 
 
                            Event         Universal        Position 
                                            Time            Angle
 
                            Contact I      22:09:38        41°
                            Contact II     22:27:34        38°
                            Greatest       01:29:36       345°
                            Contact III    04:31:39       293°
                            Contact IV     04:49:35       290°
A Tabela acima apresenta os tempos geocêntricos dos maiores eventos durante o Trânsito. O Trânsito mais importnate será o instante em que Vênus passará mais próxima ao centro do Sol (quer dizer, a menor separação).
………………………………..................
Observando o Trânsito:
Em função do fato de que o diâmetro aparente de Vênus é cerca de 1 minuto de arco, será possível observar sem instrumentos ópticos (porém sempre usando a proteção de filtro solar) enquanto o planeta cruza o Sol. Entretanto, o planeta aparecerá como sendo somente 1/32 do diâmetro aparente do Sol e desta maneira um par de binóculos ou um pequeno telescópio de ampliação modera poderão oferecer uma visão bem mais agradável. Esses instrumentos deverão estar munidos/equipados com o filtro adequado de maneira a assegurar uma observação segura. Da mesma forma, as questões sobre observações visual e fotográfica devem ser prevenidas igualmente. Os amadores podem trazer uma contribuição científica medindo os momentos dos quatro contactos de ingresso e de egresso. Os equipamentos e as técnicas de observação são as mesmas usadas quando das ocultações lunares.
...............................................
Freqüência dos Trânsitos:
A órbita de Vênus é inclinada 3.4 graus em relação à órbita da Terra. Vênus intersecta a eclíptica em dois pontos ou nodos que cruzam o Sol a cada ano durante o começo de Junho e de Dezembro. Se acontece de Vênus passar em conjunção inferior naquele momento, um Trânsito ocorrerá. Apesar do período orbital de Vênus acontecer em apenas 224.7 dias, seu período sinódic (de conjunção a conjunção) é de 583.9 dias.Devido à sua inclinação, a maioria das conjunções inferiores de Vênus não resulta em trânsito porque o planeta passa distante e acima ou abaixo da eclíptica e não cruza a face do Sol. Os Trânsitos de Vênus acontecem a intervalos de 8, 1.5.5, 8 e 121.5 anos. Desde a invenção do telescópio (1610), aconteceram somente sete trânsitos, assim como descritos abaixo:
                            Transits of Venus:  1601-2200 
 
                           Date       Universal    Separation     
                                        Time
 
                        1631 Dec 07     05:19         939 "     
                        1639 Dec 04     18:26         524 "     
                        1761 Jun 06     05:19         570 "     
                        1769 Jun 03     22:25         609 "     
                        1874 Dec 09     04:07         830 "     
                        1882 Dec 06     17:06         637 "     
                        2004 Jun 08     08:20         627 "     
                        2012 Jun 06     01:28         553 "     
                        2117 Dec 11     02:48         724 "     
                        2125 Dec 08     16:01         733 "     
                        
Os trânsitos de 2004 e 2012 formam um par contemporâneo separado por 8 anos. Mais de um século acontecerá antes de que o proximo par de trânsitos aconteça, em 2117 e 2125. Durante um período de 6.000 anos, de 2000 AC a 4000 DC, acontecerão ao todo 81 trânsitos de Vênus.
História dos Trânsitos
Quando Johannes Kepler publicou as Tábuas Rodolphinas sobre a moção planetária, em 1627, foi permitido a ele realizar predições detalhadas e bem acuradas acerca posições futuras e alinhamentos interessantes dos planetas. Muito para sua surpresa, ele descobriu que tanto Mercúrio quanto Vênus transitariam o disco do Sol ao final do ano de 1631. Kepler morreu antes dos trânsitos, porém o astrônomo francês Pierre Gassendi foi bem-sucedido em tornar-se o primeiro a testemunhar um trânsito de mercúrio. No mês seguinte, ele tentou observar o trânsito de Vênus, porém cálculos modernos mostraram que este não foi visível para a Europa. Apenas das previsões de Kepler sugerirem que o próximo trânsito de Vênus não deveria ocorrer até o século seguinte, um jovem e promissor astrônomo amador britânico, Heremiah Horrocks, acreditou que um outro trânsito deveria ocorrer em 1639. Seus cálculos foram completados exatamente um mês antes do acontecimento e portanto houve pouco tempo para espalhar a notícia. Aparentemente, Horrocks e seu amigo William Crabtree foram os únicos a observarem o trânsito de Vênus em 04 de Dezembro de 1639 – o que os ajudou a medir acuradamente o diâmetro aparente do planeta. Infelizmente, Horrocks e Crabtree morreram ainda antes de alcançarem seus potenciais por completo.
Aproximadamente quarenta anos mais tarde, o jovem Edmond Halley observou o trânsito de Mercúrio de 1677 enquanto completava um catálogo de estrelas para o hemisfério sul, na Ilha Santa Helena. Halley compreendeu que os apontamentos acurados e cuidadosos sobre os trânsitos poderiam determina a distancia entre a Terra e o Sol. A técnica era realizada em observações advindas de várias partes do globo. O efeito da paralax em observadores remotos poderiam lhes oferecer uma escala de distâncias absolutas de todo o sistema solar. Os trânsitos de Vênus eram melhores neste sentido do que os de Mercúrio em função do fato de que Vênus é mais próxima da Terra e consequentemente pode exibir um paralax maior. Halley desafiou as futuras gerações a organizarem expedições grandes aos confins da Terra de maneira a observarem os trânsitos de 1761 e 1769.
Muitas expedições científicas foram realizadas porém os resultados foram desapontadores. Os apontamentos acurados necessários não foram possíveis em função de um misterioso "black drop", efeito através o qual a ponta do disco de Vênus parecia deformar-se e fusionar-se ao do Sol.Sem se deter pelos resultados, uma outra campanha para observação foi montada por muitas nações para o trânsito de Vênus de 1874 e 1882.Uma vez mais, o efeito de "black drop" limitou a precisão das observações de a determinação da distância do Sol. Análises modernas mostram que o efeito "black drop" é o resultado de efeitos sofridos pela visão em função da atmosfera turbulenta da Terra.
A distância do Sol e dos planetas pode ser acuradamente medida hoje em dia através o uso do radar – desta forma, os trânsitos de 2004 e 2012 não oferecem grande importância científica. No entanto, eles são eventos bem raros e que foram de grande valor durante a história inicial da astronomia moderna.
Tradução literal e sintetizada de Janine
Acknowledgments – Créditos:
The 2012 transit predictions were generated on a Apple Power Mac G4 computer using algorithms developed from Meeus [1989] and the Explanatory Supplement [1974]. Ephemerides for the Sun and Venus were generated from VSOP87.
All calculations, diagrams, tables and opinions presented in this paper are those of the author and he assumes full responsibility for their accuracy.
References
Aughton, P., 2004, The Transit of Venus, Weidenfeld & Nicolson.
Espenak, F., 2002, "2004 and 2012 Transits of Venus", Proceedings for Scientific Frontiers in Reasearch on Extrasolar Planets, PASP.
Espenak, F., 2003, "The 2004 Transit of Venus", 2004 Observer's Handbook of the Roy . Astron. Soc. Can..
Explanatory Supplement to the Astronomical Ephemeris and the American Ephemeris and Nautical Almanac, 1974, Her Majesty's Nautical Almanac Office, London .
Maor, E., 2000, June 8, 2004--Venus in Transit, Princeton University Press, Princeton .
Maunder M. & P. Moore , 1999, Transit: When Planets Cross the Sun, Springer Verlag.
Meeus, J., 1958, "Transits of Venus, 3000 BC to AD 3000", J.B.A.A., 68, 98.
Meeus, J., 1989, Transits, Willmann-Bell, Inc., Richmond .
Newcomb, S., 1895, "Tables of the Motion of the Earth on its Axis Around the Sun", Astron. Papers Amer. Eph., Vol. 6, Part I.
Sheehan, W. & J. Westfall, 2004, The Transits of Venus, Prometheus Books.
Usando Trânsitos para detectar Exoplanetas
Quando Vênus passar em frente ao Sol em 5/6 de Junho, seu disco de 57.8" diâmetros bloqueará, em nossa visão, um minúsculo pedaço do Sol.Para ser preciso, cobrirá 0.1 porcento da área de nossa estrela e reduzirá na mesma proporção a quantidade de luz solar que nos atinge.
Imaginemos agora se estivéssemos observando um mesmo trânsito a partir de um sistema solar mais distante.
Não poderíamos ver Vênus enquanto um pontinho porém instrumentos sensíveis seriam capazes de detectar o pequeno ponto em meio à claridade.
Astrônomos decidiram, há já muitos anos atrás, que eles poderiam reverter este processo de maneira a localizarem planetas em outros sistemas solares. O primeiro sucesso aconteceu em 1999 quando pesquisadores descobriram um planeta com a massa de Júpiter numa órbita bem próxima a uma estrela parecida com nosso Sol, HD209458. Certamente, planetas gigantes e gasosos apresentam maiores pontos em suas estrelas do que seus menores primos – e, desta forma, são mais facilmente detectados.
Nos últimos anos, buscas usando este método de trânsito descobriram mais de 200 exoplanetas (até o começo do ano de 2012). A busca mais produtiva acontecida foi a Super Wide Angle Search for Planets – Busca Angular extremamente Ampla de Planetas – cujo alcance baseado na Ilhas Canárias e na África do Sul descobriu mais de 60 planetas.
Porém o dectetor que estará liderando acontecerá brevemente através a espaçonave Kepler. Este satélite continuamente monitora mais de 100.000 estrelas. Superou a marca de 60 planetas em janeiro de 2012 e não demonstra qualquer sinal de diminuição de seus trabalhos. Os Astrônomos esperam que este satélite posa nos apresentar planetas similares à Terra no próximos um a dois anos.
Artigo escrito por Richard Talcot
Traduzido literalmente por Janine
Extraído da Revista Astronomy em sua edição de junho de 2012 – página 50 – Kalmbach Publishing, Waukesha, WI, EUA
Os trânsitos de Vênus ocorrem quando o planeta cruza um dos nodos em sua órbita ao mesmo tempo que alcança conjunção inferior. Em 5/6 de junho, Vênus estará em seu nodo descendente.
A seqüência de quatro imagens capturou Vênus exatamente o momento de deixar o disco solar, em 8 de junho de 2004. Este momento é denominado de `terceiro contacto'.
O pequeno disco de Vênus encontrará sua maior proximidade ao centro do Sol cerca de 1:30 UT, 6 de junho (9:30 pm EDT 5 de junho).
O trânsito de 2004 durou 6 horas e 13 minutos, um tantinho mais curto do que o trânsito deste ano porque Vênus estará passando mais distante do centro do Sol.
Traduzido literalmente por Janine
Extraído da Revista Astronomy em sua edição de junho de 2012 – página 50 – Kalmbach Publishing, Waukesha, WI, EUA
Mais Informações acerca o Trânsito de Vênus e sua Observação online:
For more information about the worldwide events, safety precautions for viewing, educational content and social media activities, visit: Para mais informações acerca eventos mundiais, prevenções de segurança para observação, matérias educacionais e atividades de midia social, visite: 
http://venustransit.nasa.gov 

For NASA TV streaming video, downlink and scheduling information, visit: Para Acessar a Observação online, acessar o link bem como informações sobre horários e datas, visitar:http://www.nasa.gov/ntv 

The public can follow the event on Twitter on #venustransit . O evento pode ser seguido publicamente através Twitter #venustransit.
http://venustransit.nasa.gov/2012/multimedia/apps.php 

com um abraço estrelado,
Janine Milward
Vocês podem acessar este texto juntamente com fotos no Blog:  http://oceudomes.blogspot.com

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

02 de Dezembro de 2011: 33° Dia Nacional da Astronomia

No ano de 1947 foi fundada a Sociedade Brasileira de Astronomia, já se vão 64 anos deste fato, mas a astronomia no Brasil é muito mais antiga. Ela se inicia oficialmente no ano de 1827, com a criação do Observatório Nacional pelo então imperador Dom Pedro I. Nesta época, a principal função do observatório era a manutenção da hora oficial brasileira, que tinha por objetivo a orientação das navegações marítimas, algo que naquele período dependia da comparação da hora, marcada por um cronômetro oficial em um navio e a altura do Sol no horizonte, a partir desta comparação se obtinha a posição do navio em alto mar. Hoje, é tudo mais fácil com o GPS!
Desenho do Observatório Nacional no Séc. XIX.
Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/dezembro/dia-da-astronomia.php
Neste período, o observatório nacional marcava o meio dia inicialmente com um tiro de canhão, e posteriormente soltando balões, até hoje é função do observatório a manutenção da hora oficial brasileira, mas a mesma atualmente é disseminada por sinal de radio.
Observatório Nacional hoje.
Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/dezembro/dia-da-astronomia.php
Como falei no inicio deste texto, no ano de 1947 foi fundada a Sociedade Astronômica Brasileira, e foi esta sociedade que durante o Segundo Encontro de Astronomia do Nordeste, no ano de 1978, aprovou por unanimidade o título de Patrono Nacional da Astronomia ao Imperador Dom Pedro II, e o dia 02 de Dezembro (dia do nascimento deste) como o dia nacional da Astronomia.
Isso devido às diversas contribuições que Dom Pedro II fez para esta ciência em nosso país, claro que muito disso por razões pessoais, afinal o Imperador era Astrônomo Amador, desta forma desde então, os astrônomos amadores e profissionais do país celebram neste dia o seu dia e o dia da mais antiga ciência, o Dia Nacional da Astronomia.
Existem vestígios de que o ser humano já observava o céu e buscava entende-lo, desde o período da pré-história, e se hoje temos agricultura e pecuária é devido ao entendimento do céu que a humanidade adquiriu ao longo dos séculos. Registros antigos, por exemplo, demonstram que os agricultores observavam o aparecer no céu de certos agrupamentos de estrelas e seu desaparecer, para regularem o período de plantações e colheita. Perceberam com o tempo que as Plêiades, por exemplo, surgem no céu na época propícia para o plantio da videira na região do mediterrâneo, e seu desaparecimento depois de alguns meses marca o período da colheita, da mesma forma os antigos egípcios percebiam a proximidade do período da cheia do rio Nilo a partir da observação do céu noturno.
Inicialmente, a humanidade achava que eram as próprias estrelas e astros celestes que influenciavam a vida aqui na Terra, daí o surgimento de diversas religiões em torno das mesmas e até mesmo da Astrologia, hoje se sabe que não é assim. Mas, a pesquisa astronômica (apesar de atualmente distanciada artificialmente do dia a dia da população) prosseguiu para entender nossa posição no universo, saber como surgimos, se somos únicos ou não, para tudo isso é necessária a astronomia.
Diversos dogmas foram derrubados ao longo da História devido a descobertas astronômicas, alguns dos mais famosos deles são as antigas crenças da Terra chata e do Sol girar em torno da Terra, que foram colocadas de lado por descobertas astronômicas.
Do mesmo jeito, a Astronomia hoje contribui para que o ser humano entenda melhor o seu próprio planeta natal ao compará-lo com outros, e desta forma possa cuidar melhor dele, enfim Astronomia é poesia, mas também é ciência, e ao mesmo tempo Astronomia é uma lição de humildade. Ao nos mostrar que não somos assim tão importantes quanto imaginamos, e que precisamos cuidar, e muito, de nosso planeta natal por que o Universo não necessita dos seres humanos.
Ao olhar o céu, vemos beleza, vemos o inicio da vida, vemos o passado mais remoto, ao mesmo tempo apesar de não notarmos, os conhecimentos astronômicos estão no nosso dia a dia. Todo mundo olha para um calendário de vez em quando, ou volta e meia estamos observando o relógio para ver se o tempo do serviço já acabou, ou se já esta na hora de encontrarmos a pessoa amada. Assim, como marcamos a data de nossos aniversários em um calendário solar, os agricultores marcam o período de plantio em um calendário lunar, nada disso seria possível sem os conhecimentos astronômicos adquiridos por civilizações antigas como a civilização grega e mesopotâmica, conhecimentos estes melhorados ao longo do tempo e que hoje ainda usamos. Assistimos também, programas em aparelhos de televisão, que recebem sinais re-encaminhados por satélites, que orbitam o nosso planeta, sem os cálculos de Copérnico sobre as orbitas dos planetas, por exemplo, isso não seria possível.
Enfim, podemos não perceber, mas, os conhecimentos astronômicos estão no nosso dia a dia, e até mesmo você leitor, que esta lendo agora este texto, através de uma conexão de internet via satélite, não poderia fazer isso se a humanidade não tivesse ha milhares de anos atrás, quando ainda nos escondíamos em cavernas com medo da noite, ao olhar para o céu noturno, se perguntado o que seriam aqueles pontos de luz que pareciam tão belos e tão distantes.
Desta forma parabéns a todos os Astrônomos profissionais e amadores pelo seu dia, e pelo dia da mais antiga ciência a ASTRONOMIA!

Fontes de referência:

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Descoberto novo Exoplaneta há 200 anos luz: Kepler 16b

Segue abaixo o relatório completo sobre a reunião de divulgação da descoberta de um exoplaneta à 200 anos luz de nosso Sol. Em termos astronômicos esse planeta estaria na quadra ao lado, no mesmo bairro! ;)
O relatório eu recebi através de uma lista de e-mail sobre debates astronômicos, de um integrante da lista que trabalha na NASA.

"Relatório sobre a descoberta do Kepler
 
A conferência sobre a nova decoberta feita pelo telescópio espacial Kepler acabou agora há pouco aqui no Syvertson auditorium, NASA Ames Research Center, CA, EUA. O evento foi transmitido ao vivo para várias emissoras de televisão e a excelente animação apresentada pela NASA pode ser encontrada no link abaixo:


O novo exoplaneta, chamado de Kepler-16b, orbita uma estrela binária há 200 anos-luz do sistema solar, entre as constelações do Cisne e da Lira. Trata-se do primeiro exoplaneta orbitando uma estrela binária já detectado. Exoplaneta é o nome dado aos planetas que orbitam outras estrelas que não o Sol. Até o momento, 684 exoplanetas já foram detectados (http://exoplanet.eu/catalog.php) e em abril de 2011 os cientistas apresentaram uma lista com 1.235 candidatos a exoplanetas detectados pelo Kepler (http://archive.stsci.edu/kepler/planet_candidates.html). Estrelas binárias constituem um sistema com duas estrelas que orbitam um centro de gravidade comum.

A descoberta
A descoberta foi feita pelo método de trânsito planetário, que consiste na medição da diminuição do brilho da estrela com a passagem de um planeta em frente ao disco estelar, semelhante ao eclipse solar e trânsitos de Mercúrio e de Vênus. Como são duas estrelas de tamanhos diferentes, os astrônomos rastrearam 3 tipos de eclipses: (i) eclipse primário, onde foi observada uma grande diminuição do brilho da estrela principal, (ii) eclipse secundário, onde foi observada uma pequena diferença no briho da estrela principal e, (iii) eclipse terciário, com uma diferença intermediária no brilho da estrela principal. Os padrões dos eclipses se repetiram por tempo suficiente para levar à seguinte explicação: o eclipse primário ocorre através do alinhamento dos 3 componentes (2 estrelas mais o exoplaneta), ao passo que o eclipse secundário ocorre através do alinhamento entre a estrela principal e o exoplaneta, e o eclipse terciário ocorre através do alinhamento entre a estrela principal e a estrela menor. De acordo com os cientistas, o fenômeno era previsto pelas teorias de formação planetária e observações feitas pelo telescópio espacial Spitzer em 2006 confirmaram a plausibilidade do fenômeno (http://www.nasa.gov/mission_pages/spitzer/news/spitzer-20070329.html). Mas nunca ninguém tinha observado um planeta orbitando duas estrelas até agora. O Kepler-16b descreve uma órbita além das duas estrelas com um período orbital de 229 dias.

Kepler-16b
O novo exoplaneta é um planeta gasoso e possui a massa aproximada do planeta Saturno, com temperatura entre 150-170 K. As estrelas as quais ele orbita são menores e mais frias que o Sol, com uma diferença de 700 graus no caso da estrela maior, que é alaranjada, e 1.000 a 2.000 graus no caso da estrela menor, que é uma anã-vermelha e é a menor estrela já detectada até agora e demonstra a alta qualidade dos dados analisados. Isso faz com que embora o planeta esteja a uma distância equivalente à distância Sol-Vênus, a quantidade de iluminação recebida é equivalente ao que chega na superfície marciana. Portanto este planeta está um pouco além da zona habitável deste planeta. Zona habitável é uma faixa de distância à estrela onde pode ser encontrada água líquida. Porém, como se trata de um sistema binário, a zona habitável é dinâmica, ou seja, oscila com o movimento das estrelas. Este também é um conceito novo que se tornará bastante comum, já que muitas estrelas da Via Láctea constituem sistemas binários que podem conter planetas rochosos como a Terra. Como o sistema planetário ao qual pertence o Kepler-16b é 2 bilhões de anos mais jovem do que a Terra, é possível que haja condições para surgimento de formas de vida por lá.
 
Nome do exoplaneta
O nome do planeta segue regras de nomenclatura astronômica e não deve ser mudado a menos que haja um forte apelo popular e da imprensa.

Astrônomos amadores
Com bons equipamentos, os astrônomos amadores do hemisfério Norte, na região da China poderão observar o trânsito planetário do Kepler-16b no ano que vem. Atualmente, alguns astrônomos amadores possuem instrumental suficiente para fazer descobertas de exoplanetas e frequentemente trabalham em parceria com os astrônomos profissionais, contribuindo significativamente para a descoberta de supenovas e cometas.
 
Transformando ficção científica em fatos científicos
Os astrônomos disseram que o panorama neste planeta deve se parecer muito com o que foi mostrado no episódio 4 da série “Star Wars”, de George Lucas. Uma das cenas do filme mostra o jovem Luke Skywalker observando o crepúsculo com dois sóis no planeta Tataouine, num cenário muito semelhante ao que se imagina para o exoplaneta Kepler-16b. Como não poderia deixar de ser, a conferência foi finalizada com o famoso lema da série Star Wars: “Que a força esteja com vocês.”
 
Maiores informações sobre a missão Kepler podem ser encontradas no link abaixo:
 
Abraços!
 
Ivan
 
-------------------------------------------------------------------------Dr. Ivan Gláucio PAULINO-LIMA
Curriculum Vitae
http://lattes.cnpq.br/8016616722755011

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Escorpião no meio do céu: O Revirão da Via Láctea (Por Janine Milward)

Maravilhoso texto escrito por minha colega Janine, no mesmo ela descreve o caminho de Escorpião no céu. O texto é pontilhado de informações cientifícas matizado com a beleza da arte e das lendas, como só minha amiga Janine consegue fazer. Uma maravilhosa e encantadora leitura a todos!

Escorpião no meio do céu:
O Revirão da Via Láctea
 
Janine Milward
 
Outro dia, um amigo meu também amante das estrelas, estava aqui no Sítio e queria descobrir alguma coisa interessante que ele ainda não sabia. Eu pensei, pensei e disse: -"Por que você não aproveita esse tempo bom e seco das noites de inverno e passa a noite observando o andamento do Escorpião"?
 
Meu amigo não passou a noite inteira no deck em frente ao lago observando as estrelas, mas no outro dia me afirmou que acordara de três a quatro vezes e se levantara para olhar a quantas o Escorpião tinha caminhado.... E ficara surpreso ao ver que todo o céu – a Via Láctea – tinha se virado, tinha dado uma meia-volta, tinha realizado parte do seu revirão!
 
Então, esse é o meu conselho para você, Caminhante das Estrelas: agora em Agosto, bem como em Setembro, observe o andamento do Escorpião em sua trajetória noturna tão gratificante e nada amedrontadora!
 
Observe bem a cauda do Escorpião, a zona limítrofe entre essa constelação e a constelação de Sagitário: primeiramente você verá uns poucos chumaços de estrelas – são os chamados Objetos M6 e M7 (M de Charles Messier, o astrônomo que realizou a famosa Lista Messier onde relacionou mais de 100 chumaços de estrelas, aglomerados, etc.... para diferenciá-los dos possíveis cometas a serem observados).  Dizem que, antigamente, o teste de visão era realizado através a possibilidade do sujeito poder ver ou não esses aglomerados abertos, maravilhosos pontos esfumaçados, aos pés do Escorpião!
 
Nesta região do céu, naquela direção e além daquela poeira de estrelas, encontra-se o chamado Centro de nossa Galáxia, a Via Láctea. E como tudo no universo realiza um movimento de rotação em torno de si mesmo e em torno de algum outro objeto magnetizador, também nossa Via-Láctea realiza esse movimento.
 
Se você tiver a oportunidade de estar num lugar onde o céu seja escuro e transparente, poderá observar a imensa pavimentação de algodão de estrelas - a Via-Láctea - aparentemente centralizando-se no Escorpião e cobrindo o céu estrelado em direção ao norte, passando por Sagitário, pela Águia até alcançar o Cisne..., e em direção ao sul encontrando-se com nosso Cruzeiro do Sul, com o Navio, com o Cão Maior seguido do Gigante Órion e aparentemente concluindo-se no Cocheiro....  Deste ponto bem ao sul e se você estiver em Latitude bem mais ao norte do Planeta, poderá ainda comungar com a pavimentação de algodão de estrelas fazendo parte do Mito de Andromeda, a donzela acorrentada, enredilhando Perseus, seu herói salvador,  Cassiopéia, sua malvada madrasta, e seu pai, o Rei Cepheus - todas constelações bem ao norte - e, finalmente a Via Lactea realiza seu  encontro com o Cisne.
 
Obviamente que aquilo que vemos e acompanhamos como o Revirão da Via Láctea durante a passagem noturno do Escorpião aliado ao Sagitário é um movimento aparente – pois que, na realidade, esse aparente movimento se dá em função do movimento de rotação da nossa Terra, nosso tão querido Planeta.
 
Vale a pena acompanhar o caminhar do Escorpião no Céu trazendo em sua cauda o Revirão da Via Láctea.   
SCORPIO, O ESCORPIÃO
Ascensão Reta 15h44m/17h55m   -  Declinação - 8o ,1/ -45o ,6
 
Esta constelação representa o escorpião morto por Orion, o Gigante.
 
Segundo alguns autores, sua origem deve associar-se às secas e ás pragas que assolavam o Egito quando o Sol se encontrava naquela região do céu.
Desde a mais remota antiguidade, esta constelação foi representada pelos gregos, latinos, árabes e persas pela figura de um escorpião.
O equinócio de outono, há 3000 aC, localizava-se aí, quando este asterismo foi instituído.  Na Pérsia, Antares, a estrela mais brilhante do Escorpião, era uma das quatro "Estrelas Reais", uma das guardiãs do céu e, naquela época, indicava o outono.
Os poetas gregos nos ensinavam que Scorpius foi o animal enviado por Diana para matar Orion, que intervinha nas atividades da caçadora, mas ele nunca conseguia atingir a sua meta: realmente, as estrelas de Orion desaparecem no ocidente justamente quando o Escorpião nasce no oriente.
 
Algumas Estrelas, em Escorpião:
 
Isidis.  Delta Scorpii. 
Situada próxima da garra direita do Escorpião.
 
Graffias.  Beta Scorpii.
Uma estrela tripla, branco pálido e lilás, situada na cabeça do Escorpião. Esta estrela é também conhecida por Acrab, nome árabe que deu origem à constelação do Escorpião.
 
 
Antares.  Alpha Scorpii. 
Ascensão Reta 16h28,2m   - Declinação -26o 23'
Magnitude 1,22 - Distância 520 anos-luz
Uma estrela binária, intensamente avermelhada e verde-esmeralda, situada no corpo do Escorpião.  De Anti-Ares, similar ou Rival de Ares, Marte. Foi uma das quatro estrelas reais da Pérsia, cerca de 3.000 anos a.c., e atuava como a Guardiã do Oeste pois marcava o Equinócio de Outono. Muitas vezes chamada de Coração do Escorpião, Cor Scorpio.
 
 
Lesath. Upsilon Scorpii. 
Uma pequena estrela situada na cauda venenosa do Escorpião, o Ferrão.  De Al Las'ah, o Ferrão.
 
Shaula - Lambda Scorpii
Ascensão Reta 17h32,3m - Declinação -37o 05'
Magnitude 1,71 - Distância 310 anos-luz
A Cauda do Escorpião
 
Wei - Epsilon Scorpii
A Cauda, nome de origem chinesa para designar a cauda do Escorpião.
 
Schaula - Lambda Scorpii
A Cauda, nome árabe que designa o grupo de estrelas formado por lambda e Nu Scorpii.
 
Aculeus.  6M Scorpii.  24 Sagitário 39.
É uma Nebulosa situada na cauda do Escorpião.  É uma aglomerado, juntamente com Acumen.
 
Al Nyiat - Tau Scorpii
A Aorta, denominação árabe que designa o coração do Escorpião - usada também para Alpha e Sigma Scorpii.
 
Sargas - Teta Scorpii
Cavalo Teimoso, nome de origem persa.
 

VIA LACTEA
 
A Via Láctea foi causada por um derramamento do leite que Mercúrio era nutrido. 
De acordo com outros mitos, Saturno, querendo devorar seus filhos, recebeu uma pedra de sua mulher e teria engasgado, caso ela não tivesse derramado leite através sua garganta... e parte desse leite derramou, formando a Via Láctea.
 
Com um abraço estrelado,
Janine Milward