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quinta-feira, 8 de março de 2018

Hipátia de Alexandria, a mulher que viveu pela ciência e morreu pela ignorância

O texto a seguir não é de minha autoria, mas sim do amigo Marcelo Zurita da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON). Estou publicando o texto aqui no Blog com a autorização do mesmo. Resolvi publicar este texto como uma forma de homenagem do Razão à Conta-Gotas às mulheres pelo Dia Internacional das Mulheres e, ao mesmo tempo, trazer o alerta que o texto, e a História de Hipátia, representa contra o Fundamentalismo e a Ignorância, que voltam a crescer em nossa época.

Em 1977, as Nações Unidas reconheceram o dia 8 de março como “Dia Internacional da Mulher”. É uma data que celebra a luta das mulheres pelas igualdades de direitos e condições de trabalho. Mas 8 de março já era adotado como o dia da mulher desde 1917 na Rússia, quando cerca de 90 mil operárias protestaram contra as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra. Seis anos antes, também em 8 de março de 1911, trabalhadoras de uma fábrica têxtil de Nova York, declararam greve em protesto pelas más condições de trabalho. 129 mulheres foram mortas nos eventos que se sucederam a essa declaração. Há uma controvérsia sobre como isso ocorreu, mas segundo Victória Sal em seu livro “Dicionário Ideológico Feminista”, durante um dos protestos, todas as saídas da fábrica foram fechadas e o prédio foi incendiado, matando carbonizadas as mulheres que ocupavam o local.
 Caros leitores a história que vou contar hoje fala de uma mulher que fez a diferença no seu tempo, mas como sempre sofreu e infelizmente morreu por conta da ignorância e do preconceito, em um mesmo 8 de março, mas no ano de 415. A história é triste e confesso que relutei em escrever a respeito, porque ela é polêmica e meu ponto de vista pode ser mal interpretado. Entretanto acho que se essa história fosse sempre lembrada, talvez ela não se repetisse tanto como no caso de Nova York em 1911.

Conto aqui a história de Hipátia de Alexandria, que na sua época foi uma das mulheres mais influentes no Egito. Era uma cientista que trabalhava na Biblioteca de Alexandria, que era a maior fonte de conhecimento de todo mundo. Lá estavam armazenados a grande maioria de tudo aquilo que já havia sido escrito pelo homem, em qualquer área do conhecimento e da literatura.
Hipátia era matemática, astrônoma, médica e diretora da escola de filosofia neoplatônica em Alexandria. Um currículo de fazer inveja a qualquer um. Em uma época em que as mulheres viviam à sombra de seus maridos, Hipátia, apesar de muito bonita e de possuir uma grande quantidade de pretendentes, preferia se dedicar aos seus estudos e seu trabalho. Tinha o perfil de uma mulher feminista e independente, uma revolução para a sociedade machista da época. Mas seu pensamento progressista conflitava diretamente com um poder crescente naquela época.
Hipátia de Alexandria
Alexandria era, há tempos, governada por Roma e Hipátia tinha grande proximidade de Orestes, o Governador Romano do Egito. Entretanto, a vida de Orestes no poder não era nada fácil. O mundo passava por transformações com a Igreja Católica expandindo seu poder e tentando eliminar a influência e cultura pagãs. No Egito, seu representante maior era Cirilo, o Bispo de Alexandria e seu poder, por diversas vezes, conflitava com os poderes do Governador Orestes. Os cristãos do Egito, seguidores de Cirilo, tinham um histórico de conflitos contra os judeus, pagãos e contra as autoridades do Egito, inclusive quase vitimando o Governador Orestes.
Cirilo tinha grande desprezo por Hipátia, além dos motivos políticos, ele a considerava um símbolo do paganismo, por sua dedicação ao trabalho e à Ciência. Mas além de estudar muito, Hipátia também ensinava, tinha muitos discípulos que vinham de várias partes do mundo para aprender com ela. Seu local de trabalho, a Biblioteca de Alexandria, maior fonte do conhecimento humano de todo mundo, era considerado pela Igreja como um templo do paganismo. E isso incomodava muito a Cirilo. Segundo o historiador Sócrates de Constantinopla, Cirilo acreditava que ela estava competindo com o cristianismo, levando para longe de Cristo homenagens que pertenciam a ele. Ela estaria roubando de Deus os seus direitos e devia cair.
Todos esses fatos, faziam de Alexandria do início do Século V, uma verdadeira panela de pressão. E no ano de 415, essa panela começou a estourar.
O historiador Sócrates conta que, na tarde de 8 de março de 415, quando voltava do Museu de Alexandria, Hipátia foi atacada em plena rua, arrancada de sua carruagem por uma multidão de cristãos enfurecidos. Ela foi arrastada pelas ruas da cidade até uma igreja, onde foi violentada, teve suas roupas rasgadas e sua carne arrancada dos ossos por conchas afiadas. Depois de morta, seu corpo despedaçado foi queimado fora dos limites da cidade e todos os seus trabalhos, destruídos.
Morte da Filosofa Hipátia, em Alexandria
Créditos: Louis Figuier

Isto aconteceu pouco tempo depois de Orestes ter ordenado a execução de um monge cristão, que havia atacado o Governador a pedradas. A execução deste monge enfureceu o Bispo Cirilo e seus correligionários. Não se sabe ao certo sobre um possível envolvimento de Cirilo na morte de Hipátia. Mas depois desse episódio, Orestes desistiu de sua disputa com Cirilo e abandonou Alexandria.
Os assassinos de Hipátia jamais responderam por esse crime. A Biblioteca de Alexandria foi destruída e junto com ela, grande parte o conhecimento acumulado pela humanidade por séculos. Cirilo seguiu ampliando seu poder e sua influência no mundo cristão. Sempre foi exaltado pela Igreja. Depois de sua morte, 30 anos depois, Cirilo foi santificado. Hoje é conhecido por todos como “São Cirilo” e talvez você tenha um “santinho” dele aí na sua casa.
São Cirilo - Bispo de Alexandria

Quero enfatizar que não conto essa história para questionar fé, religião ou a igreja. Estou apenas expondo fatos que contam a história triste dessa mulher fantástica. Hipátia foi uma mulher muito a frente do seu tempo. Sua história de superação dos paradigmas da época poderiam ter influenciado o mundo a abandonar seus preconceitos e seu machismo. Poderia ter nos levado a um outro patamar científico e de valorização do conhecimento. Entretanto, ela foi morta pelo mesmo preconceito e ignorância que ainda hoje vitima mulheres em todo o mundo.
Atenciosamente,
Marcelo Zurita – (83) 99926-1152
APA – Associação Paraibana de Astronomia
BRAMON – Rede Brasileira de Observação de Meteoros
Asteroid Day Brasil – Coordenação Regional Nordeste

Texto publicado originalmente em: http://www.folhapatoense.com/contributorpost/hipatia-de-alexandria-a-mulher-que-viveu-pela-ciencia-e-morreu-pela-ignorancia/#.WqGVVOjwbIV

terça-feira, 5 de junho de 2012

Cinco de Junho de 2012 - Evento Astronômico: TRÂNSITO DE VÉNUS!

Disponibilizo para vocês, um texto elaborado pela minha colega Janine com informações sobre o Trânsito de Vénus que irá ocorrer no dia de hoje (05/06/2012):


O TRÂNSITO DE VÊNUS
Dias 5/6 de Junho
O trânsito ou passagem de um planeta diante do Sol pode ser considerado como um evento relativamente raro. Visto a partir do ponto de vista da Terra, somente os trânsitos de Mercúrio e de Vênus podem acontecer. Normalmente, acontecem 13 trânsitos de Mercúrio a cada século. Em contraste, os Trânsitos de Vênus ocorrem em pares e com mais de um século separando cada par.
O último trânsito de Vênus aconteceu em 2004 e o segundo evento do par acontecerá na Quarta-Feira, dia 6 de Junho (dia 5, Terça-Feira, para o hemisfério oriental). O evento será inteiramente observável no Pacífico oeste, na Ásia ao leste e a leste da Austrália – assim como podemos ver na figura abaixo. A maior parte das Américas do Norte e Central bem como o norte da América do Sul poderão testemunha o começo do Trânsito (no dia 5 de junho) porém o Sol se esconderá no horizonte oeste ainda antes do término do evento. Da mesma forma, observadores na Europa, na Ásia central e oeste, na África a leste e a oeste da Austrália verão o final do evento em função de que o Trânsito já estará acontecendo ao nascer do Sol para aquelas localidades.
Para as localidades acima de 67 graus norte no hemisfério norte, todo o trânsito será visível independente da longitude. A parte ao norte do Canada e todo o Alaska também verão todo o evento. Os moradores de Iceland (marcado como Região X, na figura) encontram-se em local singular do caminho do trânsito pois verão tanto o começo como o final porém o Sol se deitará por um breve tempo enquanto o maior trânsito estará em curso. Uma região assim parecida existe ao sul da Austrália (marca como Região Y na figura), porém ali o Sol se levantará depois do começo do Trânsito e se porá antes do final.
Os acontecimentos mais importantes a acontecerem durante um trânsito são convenientemente caracterizados pelos contatos análogos aos contatos que acontecem durante um eclipse anular do Sol. O trânsito começa pelo contacto 1, o instante em que o disco do planeta tangencia o disco do Sol. Imediatamente após o contacto I, o planeta pode ser visto como um pequeno ponto através o corpo solar. O disco inteiro do planeta pode ser visualizado no contacto II, quando o planeta já se encontra internamente tangenciando o Sol. Ao longo do curso de muitas horas, a silhueta do planeta vai vagarosamente atravessando o disco solar. No contacto III, o planeta alcança o lado oposto e novamente encontra-se internamente tangenciado ao Sol. Finalmente, o trânsito termina no contacto IV quando a ponta do planeta já se encontra externamente tangenciada à do Sol. Contactos I e II definem a fase chamada de Ingresso enquanto os contactos II e IV são conhecidos como Egresso. Os ângulos de posição de Vênus a cada contacto são medidos como ponteiros de relógio a partir do ponto norte do disco solar.
                     Geocentric Phases of the 2012 Transit of Venus 
 
                            Event         Universal        Position 
                                            Time            Angle
 
                            Contact I      22:09:38        41°
                            Contact II     22:27:34        38°
                            Greatest       01:29:36       345°
                            Contact III    04:31:39       293°
                            Contact IV     04:49:35       290°
A Tabela acima apresenta os tempos geocêntricos dos maiores eventos durante o Trânsito. O Trânsito mais importnate será o instante em que Vênus passará mais próxima ao centro do Sol (quer dizer, a menor separação).
………………………………..................
Observando o Trânsito:
Em função do fato de que o diâmetro aparente de Vênus é cerca de 1 minuto de arco, será possível observar sem instrumentos ópticos (porém sempre usando a proteção de filtro solar) enquanto o planeta cruza o Sol. Entretanto, o planeta aparecerá como sendo somente 1/32 do diâmetro aparente do Sol e desta maneira um par de binóculos ou um pequeno telescópio de ampliação modera poderão oferecer uma visão bem mais agradável. Esses instrumentos deverão estar munidos/equipados com o filtro adequado de maneira a assegurar uma observação segura. Da mesma forma, as questões sobre observações visual e fotográfica devem ser prevenidas igualmente. Os amadores podem trazer uma contribuição científica medindo os momentos dos quatro contactos de ingresso e de egresso. Os equipamentos e as técnicas de observação são as mesmas usadas quando das ocultações lunares.
...............................................
Freqüência dos Trânsitos:
A órbita de Vênus é inclinada 3.4 graus em relação à órbita da Terra. Vênus intersecta a eclíptica em dois pontos ou nodos que cruzam o Sol a cada ano durante o começo de Junho e de Dezembro. Se acontece de Vênus passar em conjunção inferior naquele momento, um Trânsito ocorrerá. Apesar do período orbital de Vênus acontecer em apenas 224.7 dias, seu período sinódic (de conjunção a conjunção) é de 583.9 dias.Devido à sua inclinação, a maioria das conjunções inferiores de Vênus não resulta em trânsito porque o planeta passa distante e acima ou abaixo da eclíptica e não cruza a face do Sol. Os Trânsitos de Vênus acontecem a intervalos de 8, 1.5.5, 8 e 121.5 anos. Desde a invenção do telescópio (1610), aconteceram somente sete trânsitos, assim como descritos abaixo:
                            Transits of Venus:  1601-2200 
 
                           Date       Universal    Separation     
                                        Time
 
                        1631 Dec 07     05:19         939 "     
                        1639 Dec 04     18:26         524 "     
                        1761 Jun 06     05:19         570 "     
                        1769 Jun 03     22:25         609 "     
                        1874 Dec 09     04:07         830 "     
                        1882 Dec 06     17:06         637 "     
                        2004 Jun 08     08:20         627 "     
                        2012 Jun 06     01:28         553 "     
                        2117 Dec 11     02:48         724 "     
                        2125 Dec 08     16:01         733 "     
                        
Os trânsitos de 2004 e 2012 formam um par contemporâneo separado por 8 anos. Mais de um século acontecerá antes de que o proximo par de trânsitos aconteça, em 2117 e 2125. Durante um período de 6.000 anos, de 2000 AC a 4000 DC, acontecerão ao todo 81 trânsitos de Vênus.
História dos Trânsitos
Quando Johannes Kepler publicou as Tábuas Rodolphinas sobre a moção planetária, em 1627, foi permitido a ele realizar predições detalhadas e bem acuradas acerca posições futuras e alinhamentos interessantes dos planetas. Muito para sua surpresa, ele descobriu que tanto Mercúrio quanto Vênus transitariam o disco do Sol ao final do ano de 1631. Kepler morreu antes dos trânsitos, porém o astrônomo francês Pierre Gassendi foi bem-sucedido em tornar-se o primeiro a testemunhar um trânsito de mercúrio. No mês seguinte, ele tentou observar o trânsito de Vênus, porém cálculos modernos mostraram que este não foi visível para a Europa. Apenas das previsões de Kepler sugerirem que o próximo trânsito de Vênus não deveria ocorrer até o século seguinte, um jovem e promissor astrônomo amador britânico, Heremiah Horrocks, acreditou que um outro trânsito deveria ocorrer em 1639. Seus cálculos foram completados exatamente um mês antes do acontecimento e portanto houve pouco tempo para espalhar a notícia. Aparentemente, Horrocks e seu amigo William Crabtree foram os únicos a observarem o trânsito de Vênus em 04 de Dezembro de 1639 – o que os ajudou a medir acuradamente o diâmetro aparente do planeta. Infelizmente, Horrocks e Crabtree morreram ainda antes de alcançarem seus potenciais por completo.
Aproximadamente quarenta anos mais tarde, o jovem Edmond Halley observou o trânsito de Mercúrio de 1677 enquanto completava um catálogo de estrelas para o hemisfério sul, na Ilha Santa Helena. Halley compreendeu que os apontamentos acurados e cuidadosos sobre os trânsitos poderiam determina a distancia entre a Terra e o Sol. A técnica era realizada em observações advindas de várias partes do globo. O efeito da paralax em observadores remotos poderiam lhes oferecer uma escala de distâncias absolutas de todo o sistema solar. Os trânsitos de Vênus eram melhores neste sentido do que os de Mercúrio em função do fato de que Vênus é mais próxima da Terra e consequentemente pode exibir um paralax maior. Halley desafiou as futuras gerações a organizarem expedições grandes aos confins da Terra de maneira a observarem os trânsitos de 1761 e 1769.
Muitas expedições científicas foram realizadas porém os resultados foram desapontadores. Os apontamentos acurados necessários não foram possíveis em função de um misterioso "black drop", efeito através o qual a ponta do disco de Vênus parecia deformar-se e fusionar-se ao do Sol.Sem se deter pelos resultados, uma outra campanha para observação foi montada por muitas nações para o trânsito de Vênus de 1874 e 1882.Uma vez mais, o efeito de "black drop" limitou a precisão das observações de a determinação da distância do Sol. Análises modernas mostram que o efeito "black drop" é o resultado de efeitos sofridos pela visão em função da atmosfera turbulenta da Terra.
A distância do Sol e dos planetas pode ser acuradamente medida hoje em dia através o uso do radar – desta forma, os trânsitos de 2004 e 2012 não oferecem grande importância científica. No entanto, eles são eventos bem raros e que foram de grande valor durante a história inicial da astronomia moderna.
Tradução literal e sintetizada de Janine
Acknowledgments – Créditos:
The 2012 transit predictions were generated on a Apple Power Mac G4 computer using algorithms developed from Meeus [1989] and the Explanatory Supplement [1974]. Ephemerides for the Sun and Venus were generated from VSOP87.
All calculations, diagrams, tables and opinions presented in this paper are those of the author and he assumes full responsibility for their accuracy.
References
Aughton, P., 2004, The Transit of Venus, Weidenfeld & Nicolson.
Espenak, F., 2002, "2004 and 2012 Transits of Venus", Proceedings for Scientific Frontiers in Reasearch on Extrasolar Planets, PASP.
Espenak, F., 2003, "The 2004 Transit of Venus", 2004 Observer's Handbook of the Roy . Astron. Soc. Can..
Explanatory Supplement to the Astronomical Ephemeris and the American Ephemeris and Nautical Almanac, 1974, Her Majesty's Nautical Almanac Office, London .
Maor, E., 2000, June 8, 2004--Venus in Transit, Princeton University Press, Princeton .
Maunder M. & P. Moore , 1999, Transit: When Planets Cross the Sun, Springer Verlag.
Meeus, J., 1958, "Transits of Venus, 3000 BC to AD 3000", J.B.A.A., 68, 98.
Meeus, J., 1989, Transits, Willmann-Bell, Inc., Richmond .
Newcomb, S., 1895, "Tables of the Motion of the Earth on its Axis Around the Sun", Astron. Papers Amer. Eph., Vol. 6, Part I.
Sheehan, W. & J. Westfall, 2004, The Transits of Venus, Prometheus Books.
Usando Trânsitos para detectar Exoplanetas
Quando Vênus passar em frente ao Sol em 5/6 de Junho, seu disco de 57.8" diâmetros bloqueará, em nossa visão, um minúsculo pedaço do Sol.Para ser preciso, cobrirá 0.1 porcento da área de nossa estrela e reduzirá na mesma proporção a quantidade de luz solar que nos atinge.
Imaginemos agora se estivéssemos observando um mesmo trânsito a partir de um sistema solar mais distante.
Não poderíamos ver Vênus enquanto um pontinho porém instrumentos sensíveis seriam capazes de detectar o pequeno ponto em meio à claridade.
Astrônomos decidiram, há já muitos anos atrás, que eles poderiam reverter este processo de maneira a localizarem planetas em outros sistemas solares. O primeiro sucesso aconteceu em 1999 quando pesquisadores descobriram um planeta com a massa de Júpiter numa órbita bem próxima a uma estrela parecida com nosso Sol, HD209458. Certamente, planetas gigantes e gasosos apresentam maiores pontos em suas estrelas do que seus menores primos – e, desta forma, são mais facilmente detectados.
Nos últimos anos, buscas usando este método de trânsito descobriram mais de 200 exoplanetas (até o começo do ano de 2012). A busca mais produtiva acontecida foi a Super Wide Angle Search for Planets – Busca Angular extremamente Ampla de Planetas – cujo alcance baseado na Ilhas Canárias e na África do Sul descobriu mais de 60 planetas.
Porém o dectetor que estará liderando acontecerá brevemente através a espaçonave Kepler. Este satélite continuamente monitora mais de 100.000 estrelas. Superou a marca de 60 planetas em janeiro de 2012 e não demonstra qualquer sinal de diminuição de seus trabalhos. Os Astrônomos esperam que este satélite posa nos apresentar planetas similares à Terra no próximos um a dois anos.
Artigo escrito por Richard Talcot
Traduzido literalmente por Janine
Extraído da Revista Astronomy em sua edição de junho de 2012 – página 50 – Kalmbach Publishing, Waukesha, WI, EUA
Os trânsitos de Vênus ocorrem quando o planeta cruza um dos nodos em sua órbita ao mesmo tempo que alcança conjunção inferior. Em 5/6 de junho, Vênus estará em seu nodo descendente.
A seqüência de quatro imagens capturou Vênus exatamente o momento de deixar o disco solar, em 8 de junho de 2004. Este momento é denominado de `terceiro contacto'.
O pequeno disco de Vênus encontrará sua maior proximidade ao centro do Sol cerca de 1:30 UT, 6 de junho (9:30 pm EDT 5 de junho).
O trânsito de 2004 durou 6 horas e 13 minutos, um tantinho mais curto do que o trânsito deste ano porque Vênus estará passando mais distante do centro do Sol.
Traduzido literalmente por Janine
Extraído da Revista Astronomy em sua edição de junho de 2012 – página 50 – Kalmbach Publishing, Waukesha, WI, EUA
Mais Informações acerca o Trânsito de Vênus e sua Observação online:
For more information about the worldwide events, safety precautions for viewing, educational content and social media activities, visit: Para mais informações acerca eventos mundiais, prevenções de segurança para observação, matérias educacionais e atividades de midia social, visite: 
http://venustransit.nasa.gov 

For NASA TV streaming video, downlink and scheduling information, visit: Para Acessar a Observação online, acessar o link bem como informações sobre horários e datas, visitar:http://www.nasa.gov/ntv 

The public can follow the event on Twitter on #venustransit . O evento pode ser seguido publicamente através Twitter #venustransit.
http://venustransit.nasa.gov/2012/multimedia/apps.php 

com um abraço estrelado,
Janine Milward
Vocês podem acessar este texto juntamente com fotos no Blog:  http://oceudomes.blogspot.com

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O TEMPO CRONOLÓGICO E SEU REFERENCIAL RELATIVÍSTICO – I PARTE

O texto abaixo é da autoria de Valmir De França, pesquisador da Universidade Estadual de Londrina publicado originalmente na coluna CIÊNCIA EM FOCO, esta é a primeira parte do artigo publicado aqui com a autorização do autor, amanhã estarei publicando a segunda parte. Boa leitura a todos!
Valmir de França*
Dedico este ensaio ao meu Irmão Ubirajara da Cunha

Quando olhamos o mostrador do relógio para sabermos a hora, o que lemos é a codificação do modelo de rotação do nosso planeta Terra. O modelo simula a medida de uma volta completa em torno do seu eixo, isto é, um giro de 360o, passando duas vezes pelo mesmo ponto, com a duração relativa de 23h 56min 04s, denominado Dia Sideral. Este ponto poderá ser uma estrela na abóbada celeste ou outros astros como pontos de referência como o Sol. No segundo exemplo a duração do mesmo movimento é de 24h 00min 00s, denominado Dia Solar, portanto 3min 56s mais longo do que o Dia Sideral.
Agora sabemos que é preciso uma referência para a determinação do tempo cronológico. Primeiramente a percepção humana com a prevalência do senso comum, cujo conceito detempo “é indicado por intervalos ou períodos de duração”; – otempo é o registro de uma sequência de eventos, um ocorre após o outro, por intervalos sucessivos. Marcando-se o início e o término dos eventos, teremos assim um período, um tempopercorrido, um tempo gasto.
Cientificamente, “tempo é uma grandeza física diretamente associada ao seqüenciamento mediante ordem de ocorrência de eventos coincidentes – eventos estes sempre observados a partir da origem do referencial para o qual se define o tempo”.
No início do Sec. XX, mais precisamente em 1905, a Teoria da Relatividade de Albert Einstein (1879 – 1955) criou outros fundamentos que revolucionaram a Física Clássica caracterizando a Moderna. Os fenômenos físicos não são generalizados e nem absolutos, dependendo de um referencial ou são relativos a um determinado campo referencial e/ou da localização do observador. Quando estamos no ônibus em movimento, o seu condutor à nossa frente não se desloca em relação a nós, está parado. Mas, em relação a um observador na calçada o motorista está em movimento, isto é, ocorre um deslocamento do motorista em relação ao observador parado na calçada.
Temos também o tempo relativístico – que “explicita a dependência da coincidência de eventos com o referencial a partir do qual se observam os mesmos”, como no exemplo hipotético acima sobre as características dos eventos físicos que dependem de referenciais ou, são relativos a pontos ou planos referenciais. Assim, o conceito de tempo cronológico perde a condição de grandeza absoluta e universal, passando a ser uma grandeza estritamente local, uma grandeza dependente e atrelada à origem de um referencial em específico.
Perguntaríamos: o tempo cronológico é igual em todo Universo? Claro que não, conforme os fundamentos introdutórios deste ensaio, com abordagem aproximativa, no contexto da Teoria da Relatividade.
Como seria o tempo em outros planetas, em outros mundos?
Durante a Segunda Onda Toffleriana (A Terceira Onda, Alvin Toffler) o homem deixou de coletar seu alimento e aprendeu a plantar, iniciar a prática da agricultura. Aprendeu a enterrar a semente da planta alimentícia e fazer germinar outra planta idêntica para sustentar a sua família, a sua tribo. Mas surgiu um grande desafio: seria necessário o uso de um sistema que apresentasse alguns eventos cíclicos na natureza para embasar o planejamento da rudimentar agricultura – uma espécie de calendário. Saberia desta forma a época da semeadura e da colheita, como também as épocas das manifestações culturais, religiosas, administrativas, etc. A resposta veio através das observações dos movimentos aparentes dos astros, como do Sol, da Lua e das estrelas. Quando o Sol, ou alguma estrela ou grupos de estrelas aparentemente próximas (constelação) apareciam em determinado ponto da linha do horizonte, correspondia a certa Estação do Ano como um fenômeno sazonal, ou o solstício e o equinócio. Aprendeu a usar estas informações para saber as épocas de plantio e da colheita e dos mais variados eventos culturais. Podemos afirmar que foi o nascimento da futura ciência que hoje conhecemos como Astronomia. Nasceu para a necessidade da sobrevivência do ser humano, podemos acrescentar que também para a preservação de sua cultura.
A partir deste marco histórico da Humanidade o homem passou a observar e registrar os movimentos dos astros e, progressivamente construir e aperfeiçoar os calendários. Vamos encontrar esta cultura em todos os povos, em todos os continentes habitados ao longo da história das civilizações em nosso planeta. Os nossos índios já utilizavam o calendário baseado na Astronomia. Estudos realizados pelo saudoso astrônomo Marcomede Rangel Nunes (1951 – 2010) sobre a Astronomia dos índios Desaña (Tukano Oriental) da região do Alto Rio Negro, Amazônia brasileira, exemplificam esta cultura pré-colombiana entre as nações autóctones do nosso Pindorama, conforme o quadro a seguir:
Quadro 1. Relação das constelações dos índios Desânas, identificadas pelo astrônomo Marcomede Rangel Nunes do Observatório Nacional, com as constelações reconhecidas pela União Astronômica Internacional. Os indicadores e as atividades a elas relacionadas encontram se na última coluna.
CONSTELAÇÃO
(Nome em Desâna)
SIGNIFICADO
IDENTIFICAÇÃO
ATIVIDADE
Añá siñoliru
Iluminação da Jararaca
Cruzeiro do Sul
Fortes chuvas.
Añá dihpuro
Cabeça da jararaca

Limpeza do solo.
Añá dëhpë puiró
Corpo da jararaca

Derrubada das árvores.
Añá diubá puiró
Ovos de jararaca
Estrelas Alfa e Beta do Centauro
Coleta de cogumelos.
Añá poleró beró
Rabo redondo de jararaca
Cauda do Escorpião
Pesca: ocorre a primeira piracema do aracu.
Pamo ngoá dëhka
Fêmur de tatu

Chuvas.
Pamo
Tatu

Segunda piracema do aracu.
Ñahsin kamë
Camarão

Terceira piracema do aracu; coleta de maniuaras1, saúvas e formigas da noite.
Yé disiká poaló
Barba do queixo da onça
Pedaço da Ursa Maior (?)
Fim do ciclo das pira-cemas e da safra de umari 2
Yé dëhpë puiró
Corpo da onça

Caça às rãs
Yé poleró beró
Rabo redondo da onça

Fim da caça às rãs e da coleta de formigas; coleta de cupins.
1 Maniuaras: um tipo de formiga
2 Umari: fruta típica da região.

Podemos reafirmar que ainda hoje a cultura astronômica está presente nos mais variados calendários em quase todas as regiões do nosso planeta. Podemos exemplificar os calendários, espanhóis, ingleses, nórdico-europeus, franceses, etc., onde cada dia da semana corresponde a um determinado astro.
Quadro 2. Origens dos nomes da semana e comparação entre diversos calendários em diferentes países, com base na Astronomia.
Português Moderno
Português Arcaico
Deus romano
deus saxão
Espanhol
Italiano
Francês
Domingo
Sol
Sol
Domingo
Domenica
Dimanche
Lues (pronuncia-se lũes)
Lua
Lua
Lunes
Lunedì
Lundi
Martes
Marte
Tyr
Martes
Martedì
Mardi
Mércores
Mercúrio
Odin
Miércoles
Mercoledì
Mercredi
Joves
Júpiter
Thor
Jueves
Giovedì
Jeudi
Vernes
Vênus
Freya
Viernes
Venerdì
Vendredi
Sábado
Saturno
Saturno
Sábado
Sabato
Samedi

Se de um lado as observações e respectivos registros sistemáticos fundamentaram a atual Ciência Astronomia, do outro lado, o senso comum utilizado para entender o fenômeno encontrou na religião uma âncora. O conjunto de fenômenos que indicavam as fases fenológicas das espécies agrícolas, as datas das festividades aos deuses (solstícios, equinócios, etc.) alimentaram uma cultura mística. Criou-se deste modo a religião politeísta denominada Astrologia, onde cada astro é um deus com finalidades específicas (ver no quadro acima os deuses romanos e os deuses saxões).  Esta espécie de sincretismo religioso está no senso comum por não saberem naquela época o fenômeno real da natureza relacionado às colheitas, às doenças, etc. Esta conotação mística, religiosa, para justificar os fenômenos naturais nos faz lembrar de uma frase do escritor alemão Thomas Mann (1875 – 1955): “O bem do homem pensante é explorar o explorável e serenamente venerar o inexplorável” (Apenas para informação, Thomas Mann era filho  de Johann Heinrich  Mann e da brasileira Júlia da Silva Bruhns).
Na época da agricultura primitiva quando o cultivo de certa planta estava relacionado a certos astros que embora servissem como calendários, também eram aclamados para que “dessem” boas colheitas, chuvas nos períodos de estiagens severas, vitórias nas guerras, cura para certa enfermidade, etc. Assim, os astros eram concebidos como verdadeiros deuses. Para os nossos indígenas a Lua era considerada a deusa Jaci, Caramuru – o deus dos trovões, etc.

A necessidade do uso e registro do tempo foi mais por motivo social e administrativo. A história nos diz que os primeiros aparelhos inventados pelo homem para marcar o tempo ocorreu aproximadamente 1.500 a.C no Egito – foi o Relógio-de-Sol ou Quadrante Solar (Figura ao lado) O Relógio-de-Sol determina a “hora solar local”. A montagem e uso dos quadrantes solares contribuíram para traçar as linhas básicas da geometria cartográfica terrestre, que são os meridianos, os paralelos, a determinação correta das direções cardeais pelo Sol.  
O que é horário solar local? Por exemplo, quando é “meio dia solar local” em Paranaguá que corresponde ao Meridiano 48o 31’ 52” Oeste,   ainda não é o mesmo horário em Foz do Iguaçu cujo Meridiano é 54o 35’05”Oeste. Uma vez que o planeta Terra gira no sentido Oeste para Leste, o Sol passa primeiro pelo Meridiano de Paranaguá e, 24 minutos depois, passará pelo Meridiano de Foz do Iguaçu que está a 6o de Longitude a Oeste do litoral paranaense. Mas, atualmente as duas cidades paranaenses estão no mesmo Fuso Horário onde a hora Legal é a mesma – isto é, legalmente o horário de meio dia em Paranaguá é o mesmo em Foz do Iguaçu, que por sua vez é o mesmo de Brasília, Distrito Federal.
Antes do advento dos fusos horários, cada cidade tinha o seu horário local. Podemos ver nos monumentos, igrejas, castelos, etc., os relógios- de-sol. Os viajantes acertavam seus relógios em cada cidade que chegavam.  O Sistema Internacional de Fusos Horários tal como hoje conhecemos foi concebido pelo senador canadense Sanford Fleming, em 1878, quando teve algumas aplicações regionais no Canadá e nos Estados Unidos. Para sanar o caos mundial que exigia uma padronização na Hora, foi realizada uma Conferência Mundial no ano de 1884 em Washington D.C. reunindo 25 representantes dos países mais influentes, que aprovaram o Sistema de Fusos testado nos Estados Unidos e Canadá. Foi determinado o Meridiano de Greenwich como “Meridiano Inicial”, e o meridiano antípoda ou oposto (a 180o a Leste ou a Oeste de Greenwich) localizado no Oceano Pacífico foi denominado “Linha Internacional da Hora”. A partir daí uma série de setores de atividades, como navegações, marítima, aérea, espacial; observações astronômicas; manobras militares; as telecomunicações, etc., utilizam o horário GMT (Greenwich Mean Time) – Hora Média de Greenwich, ou, Tempo Coordenado Universal (UTC – Universal Coordinated Time).  
Continua PARTE II na edição da próxima Coluna Ciência em Foco: Como seria o tempo em outros mundos e no Hiperespaço?
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Referências
FRANÇA, V. de; GOWDAK, D.; MATTOS, N. S. de. Coleção Ciências: O Universo e o Homem. Livros Didáticos de Ciências de 5ª. a 8ª. Séries do 1º. Grau. São Paulo. Editora FTD. 1994.

OLIVEIRA, P. Di C. Astronomia e os índios Desâna. In: VARELA, I. G. & OLIVEIRA, P. D.C.F. de. Histórias da Astronomia. No.  03. 2003.


*Doutor em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais/UEM e Universidade Rennes 2, França.
CIÊNCIA EM FOCO é uma Coluna que tem por objetivo a Popularização e Divulgação Científica, no contexto da Educação Científica.

*defranca@uel.br; defranca_v@hotmail.com
Endereço para acessar o CV LATTES: 
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