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sexta-feira, 25 de março de 2011
Maya em ação: a relação entre essência e aparência. (Parte III)
Segue abaixo, a terceira e última parte do Artigo "Maya em ação: a relação entre a essência e aparência.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Maya em ação: a relação entre essência e aparência. (Parte II)
Segue abaixo a Segunda parte do Artigo, Maya em ação, a relação entre essência e aparência.
...não pregaria bolsas, ou, no caso da sala, a simples divisão das notas, isso é uma visão, no meu ponto de vista, deturpada e totalmente errônea da teoria socialista. Uma divisão realmente socialista, no caso da sala, teria de começar inicialmente incentivando a todos os alunos estudarem (trabalharem), para que então o resultado conjunto fosse o melhor possível, pois o interesse de uma sociedade socialista é a melhoria da sociedade e não do indivíduo, pois o indivíduo faz parte da sociedade, logo, se todos atuarem em benefício dela, todos serão beneficiados.
Por isso que, além da divisão igualitária da produção (notas), o socialismo prega a construção de um novo indivíduo (transformação do preguiçoso em estudioso), não o indivíduo "Robinson Crusoé", pautado nas mônadas da filosofia, onde o indivíduo está só e age apenas por si, e aquele que está a seu lado não é seu companheiro, mas pelo contrário é seu rival. Para que o socialismo dê certo, é também necessária a construção de uma nova noção de individualidade, uma individualidade pautada na comunidade, que surja a partir da comunidade e do indivíduo vendo-se como parte integrante da mesma.
A experiência supostamente socialista na sala não deu certo porque não houve esse processo, os estudantes, apesar de defenderem a divisão das notas, não agiram como verdadeiros socialistas no sentido de pensar na comunidade, que no caso deles seria a sala de aula. Foi uma mera experiência de divisão capitalista, em que uns indivíduos sobrevivem do trabalho de outros. E correlacionar isso com Socialismo é cair no erro de confundir Aparência com Essência, algo que Marx sempre alerta para que não façamos. Para uma transição de sociedade não basta mudar a forma de distribuição, é necessária também a construção de uma nova mentalidade, ou seja, não basta mudar a aparência de como a sociedade está organizada, é necessária uma mudança estrutural que modifique a própria essência que dá base a esta aparência. Assim como fez o capitalismo ao destruir a mentalidade do homem medieval para dar vida a sua própria'lma (A Ascese e o Espírito do Capitalismo - Max Weber).
Logo, concordo com o título do artigo (Socialização ou Sacanagem?), que dá base a este texto, realmente, o que aconteceu em tal situação não foi socialização, mas sim sacanagem, só que o professor está errado ao pensar que foi sacanagem porque o socialismo não daria certo, foi sacanagem porque foi uma experiência de divisão da produção pautada exatamente em cima dos moldes capitalistas da divisão da produção social, onde alguns produzem e outros vivem dessa produção.
E sem analisar a essência do fato construiu-se um discurso de que esta seria uma divisão Socialista, por isso falei da periculosidade da conclusão anteriormente, pois chegou-se a uma conclusão baseada em aparências, e não na realidade do fato. Assim, a conclusão já tem em sí um vicío de origem, é como dizer que o Sol gira em torno da Terra por aparentar ser assim, a aparência muitas vezes esconde a verdadeira essência das coisas. Assim sem se preocupar com a construção de um novo indivíduo, como Makarenko, por exemplo, o fez em seu trabalho pedagógico com menores delinquentes no início do sec. XX na URSS, não é possível que ocorra uma mudança da Essência. A produção não é socializada nem mesmo na sua confecção, e muito menos na sua distribuição, logo, é sim uma Sacanagem! Uma sacanagem capitalista usando disfarce de socialismo. Portanto, nessa avaliação percebe-se claramente a distinção entre essência e aparência. Para entender o conceito, inicialmente deve-se ter em mente que para Marx, ao contrário de outros autores anteriores, não existe uma divisão real entre Essência e Aparência. A Essência e a Aparência seriam assim como as faces de "Janus", duas partes de um mesmo todo. O mundo real não é dividido entre mundo ideal e mundo empírico, o que existe é uma construção dessa divisão, e é essa construção que dá base para a noção de essência e aparência da realidade. (...)
Continua amanhã!
quarta-feira, 23 de março de 2011
Maya em ação: a relação entre essência e aparência. (Parte I)
O Artigo abaixo, de minha autoria, também esta publicado no seguinte site: http://os4elementos.no.comunidades.net/index.php?pagina=1641322580
Para a publicação neste espaço, eu fiz algumas correções ortográficas, e de concordância. O conteúdo é o mesmo.
Também é um artigo um pouco antigo, mas resolvi ressucitá-lo pois acho que a discussão vale a pena!
Boa leitura!
Maya em ação: a relação entre essência e aparência. (Parte I)
Vivemos na era das correntes de e-mail, e textos muitas vezes apócrifos correm de caixa de e-mail em caixa recebendo a atenção, o tempo e muitas vezes a crença de internautas que os recebem. Este artigo é baseado em um destes textos de internet.
Existe um texto que corre em listas de e-mail pela internet, no mesmo o autor relata uma suposta experiência socialista feita em sala de aula, a mesma teria sido realizada por um professor de economia que faz a experiência de dividir a nota de seus estudantes de maneira igualitária. E baseado nessa única experiência chega ao resultado de que o Socialismo jamais daria certo. Este texto deu base a um artigo no Jornal O Presente publicado no dia 24/03/10 chamado "Socialização ou Sacanagem?" (Élio Migliorança), artigo este que respondi com outro artigo no mesmo jornal no dia 21/04/10, debatendo as conclusões do autor do artigo do jornal. Este artigo é baseado neste primeiro, uma especie de evolução do pensamento, ou aprofundamento teórico daquele, não quero entrar aqui em detalhes na estória do texto da corrente de e-mail em sí, pois faria este artigo ficar mais longo do que ele já é, para quem tiver a curiosidade de saber a estória do texto citado em seus detalhes é só digitar o nome do mesmo (Socialização ou Sacanagem) no Google entre aspas. O que quero fazer aqui é uma análise da história do e-mail, para depois discutirmos sobre o conceito de Essência e Aparência nos escritos de Marx.
No referido texto, o autor relata que uma suposta classe de Economia passou a socializar as notas, e que os "preguiçosos" não fizeram a parte deles, enquanto os "estudiosos" tiraram notas por todos, mas como as notas seriam divididas os estudiosos ficaram com menos do que tiraram, e aqueles que não fizeram a parte deles aumentaram sua cota de notas em cima dos outros. Os estudiosos ao verem que suas notas diminuíram e a dos outros aumentaram, também pararam de estudar, por dizer que não valia a pena estudar para sustentar a nota dos outros. No final como a nota de cada aluno seria a média da sala, todos acabaram reprovando, pois ninguém mais estudou e a média geral caiu ao minimo possível. Conclusão: Isso é o que aconteceria em um sistema socialista! Aritmeticamente falando nada esta errado, mas para se chegar a esta perigosa (veremos mais adiante o por que do perigosa) e importante conclusão deve-se analisar outros pontos. Afinal seres humanos não são meramente números.
Até o ponto que conheço da teoria Marxista, em O Capital Marx diz:
"De cada um de acordo com sua capacidade, a cada um de acordo com as suas necessidades!", reparem bem: "SEGUNDO A SUA CAPACIDADE", e "AS SUAS NECESSIDADES", não se fala apenas da necessidade, fala-se também da capacidade que o indivíduo tem em relação ao trabalho. Que é a única maneira de avaliar a capacidade de um indivíduo, isso inclusive é dito na citação de Marx antes mesmo de falar em necessidade.
Ou seja, a experiência que o professor relata no artigo me parece mais uma perspectiva de divisão capitalista das notas, onde alguns extraíram a mais-valia (podemos mencionar assim) das notas daqueles que estudaram. Com a intenção de cobrir o que faltava nas suas, pelo fato de não haverem estudado. Esse é um erro comum, tanto daqueles que muitas vezes pregam o socialismo sem conhecer exatamente a teoria, como também daqueles que se colocam contra ele, desvirtuando e "inocentemente" fazendo citações, mas não as trabalhando da forma correta, e nem de forma completa.
Uma experiência realmente socialista...
Continua amanhã!
;)
Por ser um pouco extenso, irei dividir o artigo em três partes. Postando uma parte a cada dia, para facilitar a leitura.
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