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quinta-feira, 30 de maio de 2013

CORPUS CHRISTI – CORPO DE CRISTO: Uma inquietação e uma reflexão!

 Data de Corpus Christi, data da adoração do Corpo de Cristo! Hoje, ao observar uma passeata de Corpus Christi me senti indignado, com vontade ir ao meio da procissão e gritar alto isso que aqui estou escrevendo. Por que não o fiz? Para não estragar a procissão e por que acredito que o silêncio das palavras escritas, tem muito mais força do que uma voz que sopra no vento, pois a letra escrita apesar de silênciosa, se mantém inalterada para todo o sempre, o mesmo não acontecendo com a palavra dita.
Corpus Christi, a data em que os Cristãos fazem a adoração daquele que para eles é considerado o Deus Vivo, é uma pena que muitos dos que “adoram”, cantam glória, e oram pelas ruas nas procissões não o “Adoram” e nem o “Glorificam” com a sua vida diária.
“Este povo somente me honra com os lábios, seu coração porém, está longe de mim. Vão é culto que me prestam, por que ensinam preceitos que só vem dos homens” (Is 29,13)
Quantos destes que oram, que honram a seu Deus com os lábios, o fazem com o coração e com gestos diários de amor, caridade verdadeira, luta pela justiça e abandono daquilo que é uma das mais pecaminosas manifestações do mal em nosso tempo: A EXPLORAÇÃO DO HOMEM PELO PRÓPRIO HOMEM?
Quantos Sacerdotes e Leigos, não fazem festas regadas e pagas pelo dinheiro retirado do trabalho suado e muitas vezes sangrado da classe trabalhadora, aqui em nossa região e pelo mundo afora? Quantos Cristãos, Leigos e Sacerdotes, quando chamados a tomar uma posição na sociedade, tomam a posição do opressor? Mesmo quando se dizem neutros, pois a neutralidade é sempre a manifestação da concordância com a situação presente.
Pois o próprio Cristo disse, e relembro aqui a vocês: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque, ou odiará a um e amará o outro, ou dedicarse-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à Riqueza.” (Mat 6,24)

À quem vocês, estão servindo na sua vida? Fora das quatro paredes do templo, no dia a dia, no contato com as outras pessoas, no contato com os irmãos e irmãs. A DEUS OU A RIQUEZA?
À quem vós Sacerdotes da Igreja, servem? A DEUS OU A RIQUEZA?
À quem vós Pastores, servem? A DEUS OU A RIQUEZA?
O Evangelho é claro, não se pode servir aos dois, ou se serve a um, ou se serve a outro!
Sobre a situação das Igrejas na atualidade, que mais se preocupam com o dinheiro do que com a fé, que mais se procupam em servirem como aliadas dos exploradores do que em colaborar na luta pela libertação humana eu lembro outra passagem do Evangelho de Mateus, passagem citada por Cristo ao Expulsar os Vendilhões do templo (fato que posteriormente foi usado contra ele para justificar seu assassinato): “Minha casa é uma casa de oração (Is. 56,7), mas vós fizestes dela um covil de ladrões! (Jer 7,11).

Uma Igreja que ostenta luxo, ouro, dinheiro, que busca a pecúnia no lugar de ajudar e colaborar na luta com os humildes, não é digna deste mesmo Cristo que usam para conseguir tudo isso! E para termirnar esta breve reflexão, que é fruto da indignação com a Hipocrisia de poucos, mas que infelizmente tem o poder sobre a mente e o coração de muitos, deixo aqui outro trecho do evangelho de Mateus, espero que ele sirva para a reflexão e quem sabe uma mudança no comportamento de alguns, pelo menos de alguns:
“AQUELE QUE SE EXALTAR SERÁ HUMILHADO E AQUELE QUE SE HUMILHAR SERÁ EXALTADO. AI DE VÓS ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS! VÓS FECHAIS AOS HOMENS O REINO DOS CÉUS: VÓS MESMOS NÃO ENTRAIS E NEM DEIXAIS QUE ENTREM OS QUE QUEREM ENTRAR.
AI DE VÓS, ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS! DEVORAIS AS CASAS DAS VÍUVAS, FINGINDO FAZER LONGAS ORAÇÕES. POR ISSO SEREIS CASTIGADOS COM MUITO MAIS RIGOR.
AI DE VÓS, ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS! PERCORREIS MARES E TERRAS PARA FAZER UM NOVO CONVERTIDO E, QUANDO O CONSEGUIS, FAZEIS DELE UM FILHO DO INFERNO DUAS VEZES PIOR DO QUE VÓS MESMOS.
AI DE VÓS, GUIAS CEGOS! VÓS DIZEIS: SE ALGUÉM JURA PELO TEMPLO ISSO NÃO É NADA; MAS SE JURA PELO TESOURO DO TEMPLO, É OBRIGADO PELO JURAMENTO. INSENSATOS, CEGOS! QUAL É O MAIOR? O OURO, OU O TEMPLO QUE SANTIFICA OU OURO? (No que se diferenciam hoje muitos Cristãos, incluindo Padres e Pastores, em sua insensata busca pelo dinheiro?) E DIZEIS AINDA: SE ALGUÉM JURA PELO ALTAR, NÃO É NADA; MAS SE JURA PELA OFERTA QUE ESTA SOBRE ELE É OBRIGADO. CEGOS! QUAL É O MAIOR: A OFERTA OU O ALTAR QUE SANTIFICA A OFERTA? (…)
AI DE VÓS, ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS! PAGAIS O DIZIMO DA HORTELÃ, DO ENDRO E DO COMINHO E DESPREZAIS OS PRECEITOS MAIS IMPORTANTES DA LEI: A JUSTIÇA, A MISERICÓRDIA, A FIDELIDADE. EIS O QUE ERA PRECISO PRATICAR EM PRIMEIRO LUGAR, SEM CONTUDO DEIXAR O RESTANTE. GUIAS CEGOS! FILTRAIS UM MOSQUITO, E ENGOLIS UM CAMELO.
AI DE VÓS, ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS! LIMPAIS POR FORA O COPO E O PRATO E POR DENTRO ESTAIS CHEIOS DE ROUBO E DE INTEMPERANÇA. FARISEU CEGO! LIMPA PRIMEIRO O INTERIOR DO COPO E DO PRATO, PARA QUE TAMBÉM O QUE ESTA FORA FIQUE LIMPO.
AI DE VÓS, ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS! SOIS SEMELHANTES AOS SEPULCROS CAIADOS: POR FORA PARECEM FORMOSOS, MAS POR DENTRO ESTÃO CHEIOS DE OSSOS, DE CADÁVERES, E DE TÔDA ESPÉCIE DE PODRIDÃO. ASSIM TAMBÉM VÓS, POR FORA PARECEIS JUSTOS AOS OLHOS DOS HOMENS, MAS POR DENTRO ESTAIS CHEIOS DE HIPOCRISIA E DE INIQUIDADE.
AI DE VÓS, ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS! EDIFICAIS SEPULCROS AOS PROFETAS (e Santos), ADORNAIS OS MONUMENTOS DOS JUSTOS, E DIZEIS: SE TIVÉSSEMOS VIVIDO NO TEMPO DE NOSSOS PAIS, NÃO TERÍAMOS MANCHADO NOSSAS MÃOS COMO ELES NO SANGUE DOS PROFETAS...
TESTEMUNHAIS ASSIM CONTRA VÓS MESMOS QUE SOIS DE FATO OS FILHOS (hoje filhos espirituais  DOS ASSASSINOS DOS PROFETAS. ACABAI POIS DE ENCHER A MEDIDA DE VOSSOS PAIS!
SERPENTES! RAÇA DE VÍBORAS! COMO ESCAPAREIS AO CASTIGO DO INFERNO? VÊDE EU VOS ENVIO PROFETAS, SÁBIOS, DOUTÔRES. MATAREIS E CRUCIFICAREIS UNS E AÇOITAREIS OUTROS NAS VOSSAS SINAGOGAS. (Nos tempos modernos estes fatos já não acontecem nas Sinagogas ou Templos diversos, e nem há mais crucificações, afinal a maldade também é criativa e inventou outros meios)
PERSEGUI-LO-EIS DE CIDADE EM CIDADE, PARA QUE CAIA SOBRE VÓS TODO O SANGUE INOCENTE DERRAMADO SOBRE A TERRA, DESDE O SANGUE DE ABEL, O JUSTO, ATÉ O SANGUE DE ZACARIAS, FILHO DE BARAQUIAS, A QUEM MATASTES ENTRE O TEMPLO E O ALTAR. (E todo o sangue justo derramado após a própria morte do Cristo) EM VERDADE VOS DIGO, TODOS ÊSSES CRIMES PESAM SOBRE ESTA RAÇA. (Mt 23, 12-19;23-36)
Como se costuma dizer após a leitura do evangelho: SÃO PALAVRAS DE SALVAÇÃO!
Quem são os Fariseus e os Escribas modernos? Todos aqueles que se aliam aos exploradores do Homem pelo Homem, aqueles que se aliam aos mantenedores do Mal sobre a Terra, mantenedores e usufuidores de um Sistema de Morte, que tráz a Morte não só ao Ser-Humano através da Exploração do Homem pelo Homem, mas também (nos tempos Modernos) a própria Criação com todos os impactos ambientais que estamos vivenciando. O nome deste sistema de Morte? Em uma analogia usada nos anos 80 pelas Comunidades Eclesiais de Base, podemos chamá-lo de CAPETALISMO!

E então? Quem você é? A que Senhor você serve? Mesmo sem perceber!

Fica aqui esta, que era para ser uma breve reflexão, mas que se tornou longa demais... mas pelo menos não estraguei a procissão!

sexta-feira, 8 de março de 2013

SER MULHER...

Neste dia 08 de Março de 2013, o Blog Razão à Conta-Gotas quer homenagear as mulheres com a letra da música da Cantora Vanusa que segue abaixo. Ela mostra a dificuldade de ser mulher em nossa sociedade, a jornada dupla ou até tripla, o preconceito, e muitos problemas que as mulheres enfrentam em uma sociedade capitalista a machista.
Fica, junto com a letra da música, a homenagem as mulheres e o convite a luta para mudar-mos (juntos mulheres e homens) esta realidade!

Um Feliz Dia Internacional da Mulher! E a luta CAMARADAS!!!!!


Ser Mulher

Vanusa

Um dia
Nos dão um sorriso
Um beijo, uma flor
Lindos planos a dois
E como sonhar é preciso
Nos fazem poemas de amor
Mas depois...
O marido
Nos cobra na cama
O amor mais perfeito
Da amante ideal
A casa arrumada,
A comida na mesa
O botão na camisa,
O chinelo e o jornal
Os filhos
Nos pedem mais tempo
Por mais atenção
Que se tenha e se dê
O circo, o sorvete,
Os deveres da escola
E as cantigas de adormecer
Esperam de nós tanta coisa
Ninguém pode tudo o que quer
Será que percebem
Que temos desejos
Como outra pessoa qualquer
Esperam de nós tanta coisa
E a gente só faz esperar
Que os homens permitam
Que caia do céu a receita
Da vida perfeita
De sermos iguais
Ser mulher
É ser mãe, amante, amiga
Ser mulher
É saber virar a mesa
Ser mulher
É encarar de frente a vida
Ser mulher...

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Revolução Permanente Interna! O Grande Desafio de qualquer lutador social!

Aqui, nesta imagem temos dois revolucionários que são exemplos básicos dos extremos opostos trabalhados neste texto.

A Esquerda Leon Trotsky: Idealizador da Teoria da Revolução Permanente e a Direita Josef Stalin, ex-camarada de Trotsky e seu posterior perseguidor e assassino.



É uma pena que certos tipos de prática, que acabam por servir de argumentos de ataque ao Marxismo, se originem de pessoas que se dizem Marxistas e da luta!

Algumas pessoas que se dizem Marxistas, que muitas vezes não passam de Marxianos (especialistas em Marx, ou talvez nem tão especialistas assim) reproduzem as mais baixas características da sociedade Capitalista em seus relacionamentos. Muitas vezes, até mesmo com aqueles que costumam chamar de camaradas ou companheir@s!

Não é possível a construção de uma nova sociedade se não construir-mos também o novo ser humano.
A Revolução Permanente, também é a Revolução Interna que cada lutador deve sofrer (permanentemente) contra os desejos, ilusões, e tentações que o Capital lhe apresenta.
Sem esta Revolução Interna, em cada um(a) que se diz revolucionário(a), fica impossível a construção de qualquer sociedade socialista!
Quando o dito socialista, toma o lugar do Algoz daquele que até aquele momento se encontrava ao seu lado, ele também toma o lugar do burguês!

Impede a luta que não seja de seu interesse, manipula, maquina, persegue, e tudo na busca cega pelo poder, poder este que lhe foi apresentado pelo Capital, e ao qual o(a) até então revolucionário(a) sucumbiu! Morre então neste momento de transformação um(a) revolucionário(a), e nasce um dos piores inimigos do socialismo: aquele(a) que se apresenta como socialista,mas suas práticas reproduzem o capital! É um ser híbrido, sem característica própria, e sem nenhum outro objetivo que não aquele de satisfazer a sua sede e ânsia de poder. É mais uma vitória do Capital, o Capital consegue mais um(a) soldado(a), e este ser-híbrido é dos piores, por que além de atacar o socialismo por dentro, pois geralmente esta próximo daqueles que lutam, ele cria os argumentos que são utilizados contra a luta socialista!
Pois reproduz, dentro de uma esfera de relacionamento que deveria se pautar pela camaradagem socialista, as características da sociedade capitalista!
Logo, como pode este(a) dito(a) revolucionário(a), (se é que ainda podemos chama-lo(a) assim) construir qualquer tipo de sociedade, senão aquela mesma que ele/ela reproduz em suas relações sociais?


Fica o questionamento e a reflexão para os/as camaradas!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Extra!!! Compra-se e vende-se Humanidade!!! _ Hein?!?!?


“Por vezes as pessoas não querem ouvir a verdade por que não desejam que suas ilusões sejam destruídas!”
(Friedrich Nietzsche)

Esta frase me trás a mente alguns pensamentos! Pensamentos sobre Ilusões! Vivemos uma vida real, ou uma ilusão? A alegoria da caverna de Platão fala de seres-humanos que vivem presos dentro de uma caverna, e nesta prisão eles veem apenas as sombras dos objetos e pessoas que estão fora da caverna sendo projetados nas paredes da mesma.

Aquelas sombras, eles acreditam serem os verdadeiros objetos e pessoas, sem sequer tomarem consciência de que o que veem são sombras, e os objetos e pessoas reais que as provocam estão na luz, fora da caverna.
Para que possam ver a realidade, é necessário que enfrentem o desafio de se dirigirem a luz, e superando a dor acostumem os seus olhos até então adaptados com a escuridão da caverna, ao clarão do Sol.

Esta é a alegoria ou mito em resumo, mas o que ele tem a ver com a nossa vida moderna?
A questão é: E nós? Vivemos fora ou dentro desta caverna? Encaramos sombras como realidade, ou temos a verdadeira percepção das coisas, distinguindo o que é sombra e o que o real objeto que a provoca?
Todos os dias na televisão tentam nos vender uma realidade. Nos dizem o que realmente deve nos importar! Nos informam sobre aquilo que nos trará a felicidade! A completude que nos tornará completos como seres humanos! Será???!!!!

Compre, consuma, compre, consuma, gaste! O Sistema não pode parar, e para que ele não pare ele faz com que você o obedeça sem notar, sem perceber!
Você acredita que tomar Coca Cola lhe trará amigos, você acredita em uma propaganda de perfumes (extremamente machista diga-se de passagem) que lhe diz que terá companhia se usar o mesmo, você acredita que ficará saudável e feliz ao comer Macdonald's. Enfim, fazem você acreditar que as sombras são a realidade do mundo.
Qual o objetivo que o sistema lhe impõe? O que você deve fazer para se sentir realizado? Trabalhar, ganhar, competir e se realizar no consumo.
Você não é humano, você é parte do mercado, você é um número, você é consumidor!












O que nos faz humanos? O que nos diferencia de outros animais? Dizem que é a nossa capacidade de raciocínio, do uso da razão.
Mas, o sistema estimula a razão? O Sistema estimula o pensar? O Sistema estimula o Ceticismo Científico? O Sistema estimula o nosso lado humano?

Na minha pobre opinião ouso dizer: NÃO!!!!!!
O Sistema estimula os nossos instintos mais primitivos, o Sistema (Mercado) nos estimula a nos parecer-mos cada vez mais com os animais e cada vez menos Humanos!
Afinal, o que nos é oferecido? O que é repetido em nossa mente desde a nossa mais tenra infância?
Que devemos competir e não nos ajudar-mos! Que devemos acumular e não compartilhar! Que devemos vencer na vida, mas vencer na vida significa poder consumir e não se sentir Humano.
O Sistema transforma tudo em mercadoria, a vida, a saúde, a liberdade, a felicidade, até mesmo o Amor!
Exemplo disso, é a maneira como nos são oferecidos diversos produtos que na propaganda estão atrelados ao libido e ao desejo sexual: perfumes, cosméticos, bebidas, carros e até mesmo algo que sempre esteve atrelada a poesia e ao sentimento sublime do Amor: a música! Enfim, o Sistema (Mercado) descobriu que o sexo vende! O que é isso senão estimular a libido e nossos instintos com o intuito da obtenção do lucro? E fazemos isto inclusive com nossas crianças!
O sistema não é racional, por isso ele não pode e não tem como estimular a razão! Em seu âmago ele é instinto puro, ele é animalesco, ele nos mantém cada vez mais longe dos deuses e mais perto dos animais!
Caro leitor, este texto é um ensaio, uma reflexão primária, mas pretendo trabalhar melhor esta temática em outros textos a serem publicados posteriormente. Já ouviu falar do mito de Prometheus? É sobre ele e o que este Mito tem a ver com nossa sociedade que falaremos em breve!
Enquanto isso reflita: Você é um Ser-Humano ou um animal? Acredito que sua resposta seja a primeira opção, logo pense: o que estão fazendo com você e com seus filho(a)s, caso tenha filho(a)s? Pense bem, muito bem! Mas com a razão e não com os instintos!!!!

Até a próxima!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Vocês acham que estão no controle?

Vocês acham que estão no controle? Quem disse que o Capitalismo busca a concorrencia? Falácia! O que o Capitalismo busca mesmo é a monopolização dos meios de produção por um grupo cada vez mais seleto, como já previu Lenin no inicio do século XX. Duvidam? Pois vejam quem realmente controla o planeta.Segue abaixo um artigo que recebi de um camarada:

As 10 empresas que controlam o mundo
Livia Aguiar
As 10 empresas que controlam o mundo





Não é teoria da conspiração, são fatos: uma análise das relações entre cerca de 43.000 empresas multinacionais feita pelo Instituto Federal de Tecnologia da Suíça  concluiu que 174 empresas (na maioria bancos) têm um poder desproporcional em relação ao resto do mundo. Esses 174 empreendimentos são considerados “superentidades” que controlam 40% da economia mundial.Isso não quer dizer necessariamente concentração de dinheiro e sim de poder (empresas que têm ações de outras empresas ou que as administram). Elas estão tão conectadas entre si, de forma tão intrínseca, que, se uma se desestabiliza, afeta todas as outras em cadeia.
Também ficou alarmado? Então, já pode se juntar ao movimento Occupy Wall Street (ou Occupy São Paulo, Occupy Rio de Janeiro, enfim: Occupy o mundo todo) para tentar mudar essa governança do 1% de poderosos sobre os 99% de “outras pessoas”. Ou simplesmente entender porque este movimento virou assunto fácil nas redes sociais nas últimas semanas.
Conheça aqui as 10 maiores donas do mundo e saiba quem controla de verdade a nossa economia.
10. Merrill Lynch & Co Inc – EUA
9. UBS AG – Suíça

8. Vanguard Group Inc – EUA

7. Legal & General Group PLC – Reino Unido

6. JP Morgan Chase & Co – EUA

5. State Street Corporation – EUA

4. AXA – França

3. FMR Corporation – EUA

2. Capital Group Companies Inc – EUA

1. Barclays PLC – Reino Unido

Site com a matéria:

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Crise terminal do capitalismo?


Ecologia
Leonardo Boff 
Leonardo Boff
Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal.
Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adaptar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação.

A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX, Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo.
A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível.
O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural.
Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugal, 12% no pais, e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina.
A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos países periféricos. Hoje é global e atingiu os países centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentitentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamente nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas.
Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.
As ruas de vários países europeus e árabes, os "indignados" que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhois gritam: "não é crise, é ladroagem". Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumo-sacerdotes do capital globalizado e explorador.
Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da super-exploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas.
Leonardo Boff é teólogo e escritor, autor do livro "Proteger a Terra – cuidar da vida: como evitar o fim do mundo" (Record 2010).
Publicado originalmente no site da Fundação Lauro Campos - Socialismo e Liberdade
24/06/11 12:02 PM

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A obsessiva busca por sexo perverso, por Leonardo Boff, a metáfora do FMi com os povos do sul.

Strauss-Kahn: uma metáfora das práticas do FMI
Internacional
Leonardo Boff   
Sex, 03 de Junho de 2011 11:15
Leonardo BoffLeonardo BoffO leitor ou leitora pensará que foi uma tragédia o fato de o Diretor-gerente do FMI, Strauss-Kahn, ter dado asas ao seu vício, a obsessiva busca por sexo perverso, nu, correndo atrás de uma camareira negra na suite 2806 do hotel Sofitel em Nova York, até agarrá-la e forçá-la a praticar sexo, com detalhes que a Promotoria de Nova York, descreve em detalhes e que, por decência, me dispenso de dizer. Para ele não era uma tragédia. Era uma vítima a mais, entre outras, que fez pelo mundo afora. Vestiu-se e foi direto para o aeroporto. O cômico foi que, imbecil, esqueceu o celular na suite e assim pôde ser preso pela polícia ainda dentro do avião.
A tragédia ocorreu não com ele, mas com a vítima que ninguém se interessa em saber. Seu nome é Nifissatou Diallo, da Guiné, africana, muçulmana, viúva e mãe de uma filha de 15 anos. A polícia encontrou-a escondida atrás de um armário, chorando e vomitando, traumatizada pela violência sofrida pelo hóspede da suite, cujo nome sequer conhecia. A maior parte da imprensa francesa, com cinismo e indisfarçável machismo, procurou esconder o fato, alegando até uma possível armadilha contra o futuro candidato socialista à Presidência da República. O ex-ministro da cultura e educação, Jacques Lang, de quem se poderia esperar algum esprit de finesse, com desprezo, afirmou:"Afinal não morreu ninguém". Que deixe uma mulher psicologicamente destruida pela brutalidade do Mr. Strauss-Kahn não conta muito. Finalmente, para essa gente, se trata apenas de uma mulher e africana. Mulher conta alguma coisa para este tipo de mentalidade atrasada, senão para ser mero "objeto de cama e mesa"?
Para sermos justos, temos que ver este fato a partir do olhar da vítima. Ai dimensionamos seu sofrimento e a humilhação de tantas mulheres no mundo que são sequestradas, violadas e vendidas como escravas do sexo. Só uma sociedade que perdeu todo o sentido de dignidade e se brutalizou pela predominância de uma concepção materialista de vida que faz tudo ser objeto e mercadoria, pode possibilitar tal prática. Hoje, tudo virou mercadoria e ocasião de ganho desde o bens comuns da humanidade, privatizados (commons como água, solos, sementes), até órgãos humanos, crianças e mulheres prostituidas. Se Marx visse esta situação ficaria seguramente escandalizado, pois para ele o capital vive da exploração da força de trabalho mas não da venda de vidas. No entanto, já em 1847 na Miséria da Filosofia intuía:"Chegou, enfim, um tempo em que tudo o que os homens haviam considerado inalieável se tornou objeto de troca, de tráfico e podia alienar-se. O tempo em que as próprias coisas que até então eram comunicadas, mas jamais trocadas, dadas, mas jamais vendidas: adquiridas mas jamais compradas como a virtude, o amor, a opinião, a ciência e a consciência, em que tudo passou para o comércio. Reina o tempo da corrupção geral e da venalidade universal....em que tudo é levado ao mercado".
Strauss-Kahn é uma metáfora do atual sistema neoliberal. Suga o sangue dos paises em crise como a Islândia, a Irlanda, a Grécia, Portugal e agora a Espanha como fizera antes com o Brasil e os paises da América Latina e da Asia. Para salvar os bancos e obrigar a saldar as dívidas, arrasam a sociedade, desempregam, privatizam bens públicos, diminuem salários, aumentam os anos para as aposentadorias, fazem trabalhar mais horas. Só por causa do capital. O articulador destas políticas mundiais, entre outros, é o FMI, do qual Strauss-Kahn era a figura central.
O que ele fez com Nafissatou Diallo é uma metáfora daquilo que estava fazendo com os paises em dificuldades financeiras. Mereceria cadeia não só pela violência sexual contra a camareira mas muito mais pelo estupro econômico ao povo, que ele articulava a partir do FMI. Estamos desolados.
Leonardo Boff é teólogo

Fonte: http://socialismo.org.br/portal/internacional/38-artigo/2074-strauss-kahn-uma-metafora-das-praticas-do-fmi

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Capitalismo é dívida, paga pelos pobres

O Texto abaixo não é meu, mas de um amigo. É uma reflexão interessante, por isso resolvi publicar aqui no intuito de apresenta-la para vocês. Boa leitura!



 
Capitalismo é dívida, paga pelos pobres

Em setembro de 2010, esteve no Brasil um ex-economista de Wall Street. Michael Hudson veio para um seminário internacional de grandes empresários. Sobre as mudanças que o capitalismo sofreu ao longo do século 20, ele afirmou:


“A natureza do próprio dinheiro sofreu uma transformação. Já não é mais um ativo sob a forma de barras de ouro ou de prata criado pelo trabalho. É dívida.

O dinheiro internacional – as reservas dos bancos centrais – transforma-se, sobretudo, em dívida do Tesouro americano, enquanto o dinheiro dos bancos assume a forma de dívidas privadas: dívidas de hipotecas, dívidas empresariais (...) e até mesmo empréstimos destinados a financiar derivativos especulativos e apostas no mercado de câmbio”.

Já Sergio Lamucci, em reportagem publicada no Valor de 19/04, alerta para o tamanho da dívida pública brasileira:


“Os gastos com juros do setor público devem atingir cerca de R$ 230 bilhões neste ano, o equivalente a 5,6% do Produto Interno Bruto (PIB), quase 15 vezes os R$ 15,5 bilhões que o governo federal deve destinar ao Bolsa Família em 2011”.

Assunto de vários jornais do mesmo dia: A agência de classificação de risco Standard and Poor's rebaixou de "estável" para "negativa" a situação da dívida púbica dos Estados Unidos. Ou seja, teria aumentado o risco de calote por parte da nação mais poderosa do planeta. Não é para menos. O tesouro americano deve 100% de seu poderoso PIB. Ou mais de U$ 14 trilhões.


Mas também não é para tanto. Ninguém vai cobrar a potência americana. Não só porque é poderosa. Mas, principalmente pelo que disse Hudson mais acima. Gerenciar dívidas é a mais nova forma que a minoria capitalista encontrou de ganhar fortunas à custa da maioria explorada.


Afinal, o dinheiro que faz girar tais dívidas não sai do nada. Sai dos orçamentos que deveriam custear serviços públicos. Sai da saúde, educação, habitação, transporte, previdência social.


Nos Estados Unidos, esses recursos financiam gastos militares, subsídios para empresas, contratos milionários com corporações, novas especulações em Wall Street. No Brasil, pagam os maiores juros do mundo, financiam grandes empresas, remuneram especuladores do mundo todo.


Esta é a engenharia financeira que faz muito parecidos os governos de Obama e Dilma. Aproximam os democratas, os republicanos, os petistas e os tucanos.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Maya em ação: a relação entre essência e aparência. (Parte III)

Segue abaixo, a terceira e última parte do Artigo "Maya em ação: a relação entre a essência e aparência.



(...) Como exemplo mais prático podemos pegar o dinheiro. O valor do dinheiro em seus primórdios, era pautado na raridade do material com que era feito. Logo, moedas de ouro valiam mais que moedas de prata, que valiam mais que as de bronze. Enfim, existia sim uma espécie de fetichização do valor, mas esta fetichização estava vinculada à raridade empírica do material. O que a sociedade capitalista faz, é fetichizar a própria fetichização, e retirar o valor empírico.

Para isso constroem-se noções de valor de forma artificial, ou seja, o valor é aparente, desdobrando-se única e exclusivamente de uma construção social. Exemplo disso ainda é o próprio dinheiro. Hoje, usa-se dinheiro de papel, que é muito mais abundante do que qualquer metal, mas mesmo assim, se continua dando valor ao dinheiro, pode-se dizer que esse valor é retirado de uma convenção social, mas é mais do que isso. A questão da raridade (essência) ainda está posta, pois é só lembrar que existe um controle na emissão de moedas, que mantém um certo patamar de emissão impedindo que se emita demais, pois isso acarretaria em uma desvalorização da moeda. Logo, a essência se mantém, só que de forma artificial, tornando-se assim a própria essência uma aparência ao se mudar o material. Se a raridade era essência do ouro, ela não faz parte do papel, essa raridade controlada é uma construção social, e é apresentada enquanto essência, mas no fim é aparência.

E é contra essa confusão que acontece na sociedade capitalista que Marx nos adverte. Ao criar o dualismo entre essência e aparência, o capitalismo reveste de essência a aparência e omite a verdadeira essência. Coloca-se um véu na frente da consciência dos indivíduos que os impedem de ver a essência das coisas. Como prega a religião Hindu: é a soberania de Maya, a deusa que pondo um véu sobre a consciência dos humanos esconde a verdadeira essência das coisas. Outro exemplo é o salário, no processo de confundir essência com aparência, o trabalhador é estimulado a acreditar que a relação salarial é justa, e que o valor que ele está recebendo é o valor total do tempo da venda de seu trabalho, quando na verdade este valor é uma ínfima parte do valor que ele produziu, mas que no processo de sublimação torna-se solúvel e se camufla.

Ver o mundo e a sociedade através do viés da aparência, é como querer analisar o corpo conhecendo apenas a mão, ao ver a mão não se deixa de ver o corpo, pois ela é parte do corpo, assim como a aparência não está descolada da realidade, pelo contrário é parte dela. Mas ao se ver apenas a mão, não se tem a possibilidade de analisar todo o conjunto, e verificar como a mão se move, e por que ela está viva. Analisando a mão pela mão, você vai dar a razão da vida da mão à própria mão; e não se apercebe de que ela está viva porque faz parte de todo um conjunto que se camufla e se esconde da análise.

Segundo Marx, o papel da ciência está justamente aí, em perceber o além da aparência, em transcender essa visão cotidiana do mundo, percebendo as relações imbricadas que compõem a sociedade, mas que estão camufladas, dentro de seus efeitos. É necessário então, ir além dos efeitos e perceber as causas do mesmo. Logo, como diz Marx, "toda ciência seria supérflua se houvesse coincidência imediata entre a aparência e a essência das coisas" (Marx, 1984. P.939), mas diz também Marx que "todas as ciências, exceto a Economia Política, reconhecem que as coisas apresentam uma aparência oposta à sua essência" (Marx, 1867. P. 620). Portanto, se na Ciência busca-se distinguir entre uma e outra, essa relação imbricada entre a essência e a aparência é negada dentro das relações econômicas, de forma a tentar disfarçar as verdadeiras concepções que estas reproduzem.

Aparência e Essência não são duas realidades opostas, são pelo contrário duas faces de uma mesma realidade, só que o capitalismo procura sublimar uma e dar base para a outra, fazendo com que assim uma se passe pela outra, e a outra pareça não existir. O sistema ao buscar constantemente camuflar a essência apresentando apenas a aparência como verdadeira, negando assim a relação dialética existente entre as duas, apresenta-se como completo, fechado e eterno, negando assim as suas contradições internas. É Maya em ação, escondendo dos humanos, a verdadeira essência das coisas.

 

Expressão da minha indignação!

Como expressão da minha indignação pela decisão do STF com relação a lei da "Ficha Limpa", deixo aqui as Palavras do Mestre Carlos Drumond de Andrade.
O poema é longo, mas vale a pena postar o mesmo por completo, e a leitura nos trás reflexões a serem feitas.

Com vocês, NOSSO TEMPO (Carlos Drumond de Andrade)

Nosso Tempo
I
Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.
Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.
Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.
II
Esse é tempo de divisas,
tempo de gente cortada.
De mãos viajando sem braços,
obscenos gestos avulsos.
Mudou-se a rua da infância.
E o vestido vermelho
vermelho
cobre a nudez do amor,
ao relento, no vale.
Símbolos obscuros se multiplicam.
Guerra, verdade, flores?
Dos laboratórios platônicos mobilizados
vem um sopro que cresta as faces
e dissipa, na praia, as palavras.
A escuridão estende-se mas não elimina
o sucedâneo da estrela nas mãos.
Certas partes de nós como brilham! São unhas,
anéis, pérolas, cigarros, lanternas,
são partes mais íntimas,
e pulsação, o ofego,
e o ar da noite é o estritamente necessário
para continuar, e continuamos.
III
E continuamos. É tempo de muletas.
Tempo de mortos faladores
e velhas paralíticas, nostálgicas de bailado,
mas ainda é tempo de viver e contar.
Certas histórias não se perderam.
Conheço bem esta casa,
pela direita entra-se, pela esquerda sobe-se,
a sala grande conduz a quartos terríveis,
como o do enterro que não foi feito, do corpo esquecido na mesa,
conduz à copa de frutas ácidas,
ao claro jardim central, à água
que goteja e segreda
o incesto, a bênção, a partida,
conduz às celas fechadas, que contêm:
papéis?
crimes?
moedas?
Ó conta, velha preta, ó jornalista, poeta, pequeno historiados urbano,
ó surdo-mudo, depositário de meus desfalecimentos, abre-te e conta,
moça presa na memória, velho aleijado, baratas dos arquivos, portas rangentes, solidão e asco,
pessoas e coisas enigmáticas, contai;
capa de poeira dos pianos desmantelados, contai;
velhos selos do imperador, aparelhos de porcelana partidos, contai;
ossos na rua, fragmentos de jornal, colchetes no chão da
costureira, luto no braço, pombas, cães errantes, animais caçados, contai.
Tudo tão difícil depois que vos calastes...
E muitos de vós nunca se abriram.
IV
É tempo de meio silêncio,
de boca gelada e murmúrio,
palavra indireta, aviso
na esquina. Tempo de cinco sentidos
num só. O espião janta conosco.
É tempo de cortinas pardas,
de céu neutro, política
na maçã, no santo, no gozo,
amor e desamor, cólera
branda, gim com água tônica,
olhos pintados,
dentes de vidro,
grotesca língua torcida.
A isso chamamos: balanço.
No beco,
apenas um muro,
sobre ele a polícia.
No céu da propaganda
aves anunciam
a glória.
No quarto,
irrisão e três colarinhos sujos.
V
Escuta a hora formidável do almoço
na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.
As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas vitaminosas.
Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!
Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,
olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu osso.
Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é tempo de comida,
mais tarde será o de amor.
Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios, forma indecisa, evoluem.
O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.
Multidões que o cruzam não vêem. É sem cor e sem cheiro.
Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,
vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,
toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.
Escuta a hora espandongada da volta.
Homem depois de homem, mulher, criança, homem,
roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,
homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem,
imaginam esperar qualquer coisa,
e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-se,
últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,
já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade, imaginam.
Escuta a pequena hora noturna de compensação, leituras, apelo ao cassino, passeio na praia,
o corpo ao lado do corpo, afinal distendido,
com as calças despido o incômodo pensamento de escravo,
escuta o corpo ranger, enlaçar, refluir,
errar em objetos remotos e, sob eles soterrados sem dor,
confiar-se ao que bem me importa
do sono.
Escuta o horrível emprego do dia
em todos os países de fala humana,
a falsificação das palavras pingando nos jornais,
o mundo irreal dos cartórios onde a propriedade é um bolo com flores,
os bancos triturando suavemente o pescoço do açúcar,
a constelação das formigas e usurários,
a má poesia, o mau romance,
os frágeis que se entregam à proteção do basilisco,
o homem feio, de mortal feiúra,
passeando de bote
num sinistro crepúsculo de sábado.
VI
Nos porões da família
orquídeas e opções
de compra e desquite.
A gravidez elétrica
já não traz delíquios.
Crianças alérgicas
trocam-se; reformam-se.
Há uma implacável
guerra às baratas.
Contam-se histórias
por correspondência.
A mesa reúne
um copo, uma faca,
e a cama devora
tua solidão.
Salva-se a honra
e a herança do gado.
VII
Ou não se salva, e é o mesmo. Há soluções, há bálsamos
para cada hora e dor. Há fortes bálsamos,
dores de classe, de sangrenta fúria
e plácido rosto. E há mínimos
bálsamos, recalcadas dores ignóbeis,
lesões que nenhum governo autoriza,
não obstante doem,
melancolias insubornáveis,
ira, reprovação, desgosto
desse chapéu velho, da rua lodosa, do Estado.
Há o pranto no teatro,
no palco ? no público ? nas poltronas ?
há sobretudo o pranto no teatro,
já tarde, já confuso,
ele embacia as luzes, se engolfa no linóleo,
vai minar nos armazéns, nos becos coloniais onde passeiam ratos noturnos,
vai molhar, na roça madura, o milho ondulante,
e secar ao sol, em poça amarga.
E dentro do pranto minha face trocista,
meu olho que ri e despreza,
minha repugnância total por vosso lirismo deteriorado,
que polui a essência mesma dos diamantes.
VIII
O poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas
prometa ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta
um verme.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Maya em ação: a relação entre essência e aparência. (Parte II)


Segue abaixo a Segunda parte do Artigo, Maya em ação, a relação entre essência e aparência.
...não pregaria bolsas, ou, no caso da sala, a simples divisão das notas, isso é uma visão, no meu ponto de vista, deturpada e totalmente errônea da teoria socialista. Uma divisão realmente socialista, no caso da sala, teria de começar inicialmente incentivando a todos os alunos estudarem (trabalharem), para que então o resultado conjunto fosse o melhor possível, pois o interesse de uma sociedade socialista é a melhoria da sociedade e não do indivíduo, pois o indivíduo faz parte da sociedade, logo, se todos atuarem em benefício dela, todos serão beneficiados.

Por isso que, além da divisão igualitária da produção (notas), o socialismo prega a construção de um novo indivíduo (transformação do preguiçoso em estudioso), não o indivíduo "Robinson Crusoé", pautado nas mônadas da filosofia, onde o indivíduo está só e age apenas por si, e aquele que está a seu lado não é seu companheiro, mas pelo contrário é seu rival. Para que o socialismo dê certo, é também necessária a construção de uma nova noção de individualidade, uma individualidade pautada na comunidade, que surja a partir da comunidade e do indivíduo vendo-se como parte integrante da mesma.

A experiência supostamente socialista na sala não deu certo porque não houve esse processo, os estudantes, apesar de defenderem a divisão das notas, não agiram como verdadeiros socialistas no sentido de pensar na comunidade, que no caso deles seria a sala de aula. Foi uma mera experiência de divisão capitalista, em que uns indivíduos sobrevivem do trabalho de outros. E correlacionar isso com Socialismo é cair no erro de confundir Aparência com Essência, algo que Marx sempre alerta para que não façamos. Para uma transição de sociedade não basta mudar a forma de distribuição, é necessária também a construção de uma nova mentalidade, ou seja, não basta mudar a aparência de como a sociedade está organizada, é necessária uma mudança estrutural que modifique a própria essência que dá base a esta aparência. Assim como fez o capitalismo ao destruir a mentalidade do homem medieval para dar vida a sua própria'lma (A Ascese e o Espírito do Capitalismo - Max Weber).

Logo, concordo com o título do artigo (Socialização ou Sacanagem?), que dá base a este texto, realmente, o que aconteceu em tal situação não foi socialização, mas sim sacanagem, só que o professor está errado ao pensar que foi sacanagem porque o socialismo não daria certo, foi sacanagem porque foi uma experiência de divisão da produção pautada exatamente em cima dos moldes capitalistas da divisão da produção social, onde alguns produzem e outros vivem dessa produção.

E sem analisar a essência do fato construiu-se um discurso de que esta seria uma divisão Socialista, por isso falei da periculosidade da conclusão anteriormente, pois chegou-se a uma conclusão baseada em aparências, e não na realidade do fato. Assim, a conclusão já tem em sí um vicío de origem, é como dizer que o Sol gira em torno da Terra por aparentar ser assim, a aparência muitas vezes esconde a verdadeira essência das coisas. Assim sem se preocupar com a construção de um novo indivíduo, como Makarenko, por exemplo, o fez em seu trabalho pedagógico com menores delinquentes no início do sec. XX na URSS, não é possível que ocorra uma mudança da Essência. A produção não é socializada nem mesmo na sua confecção, e muito menos na sua distribuição, logo, é sim uma Sacanagem! Uma sacanagem capitalista usando disfarce de socialismo. Portanto, nessa avaliação percebe-se claramente a distinção entre essência e aparência. Para entender o conceito, inicialmente deve-se ter em mente que para Marx, ao contrário de outros autores anteriores, não existe uma divisão real entre Essência e Aparência. A Essência e a Aparência seriam assim como as faces de "Janus", duas partes de um mesmo todo. O mundo real não é dividido entre mundo ideal e mundo empírico, o que existe é uma construção dessa divisão, e é essa construção que dá base para a noção de essência e aparência da realidade. (...)

Continua amanhã!

 

quarta-feira, 23 de março de 2011

Maya em ação: a relação entre essência e aparência. (Parte I)


O Artigo abaixo, de minha autoria, também esta publicado no seguinte site: http://os4elementos.no.comunidades.net/index.php?pagina=1641322580

Para a publicação neste espaço, eu fiz algumas correções ortográficas, e de concordância. O conteúdo é o mesmo.

Também é um artigo um pouco antigo, mas resolvi ressucitá-lo pois acho que a discussão vale a pena!

Boa leitura!

Maya em ação: a relação entre essência e aparência. (Parte I)


Vivemos na era das correntes de e-mail, e textos muitas vezes apócrifos correm de caixa de e-mail em caixa recebendo a atenção, o tempo e muitas vezes a crença de internautas que os recebem. Este artigo é baseado em um destes textos de internet.

Existe um texto que corre em listas de e-mail pela internet, no mesmo o autor relata uma suposta experiência socialista feita em sala de aula, a mesma teria sido realizada por um professor de economia que faz a experiência de dividir a nota de seus estudantes de maneira igualitária. E baseado nessa única experiência chega ao resultado de que o Socialismo jamais daria certo. Este texto deu base a um artigo no Jornal O Presente publicado no dia 24/03/10 chamado "Socialização ou Sacanagem?" (Élio Migliorança), artigo este que respondi com outro artigo no mesmo jornal no dia 21/04/10, debatendo as conclusões do autor do artigo do jornal. Este artigo é baseado neste primeiro, uma especie de evolução do pensamento, ou aprofundamento teórico daquele, não quero entrar aqui em detalhes na estória do texto da corrente de e-mail em sí, pois faria este artigo ficar mais longo do que ele já é, para quem tiver a curiosidade de saber a estória do texto citado em seus detalhes é só digitar o nome do mesmo (Socialização ou Sacanagem) no Google entre aspas. O que quero fazer aqui é uma análise da história do e-mail, para depois discutirmos sobre o conceito de Essência e Aparência nos escritos de Marx.

No referido texto, o autor relata que uma suposta classe de Economia passou a socializar as notas, e que os "preguiçosos" não fizeram a parte deles, enquanto os "estudiosos" tiraram notas por todos, mas como as notas seriam divididas os estudiosos ficaram com menos do que tiraram, e aqueles que não fizeram a parte deles aumentaram sua cota de notas em cima dos outros. Os estudiosos ao verem que suas notas diminuíram e a dos outros aumentaram, também pararam de estudar, por dizer que não valia a pena estudar para sustentar a nota dos outros. No final como a nota de cada aluno seria a média da sala, todos acabaram reprovando, pois ninguém mais estudou e a média geral caiu ao minimo possível. Conclusão: Isso é o que aconteceria em um sistema socialista! Aritmeticamente falando nada esta errado, mas para se chegar a esta perigosa (veremos mais adiante o por que do perigosa) e importante conclusão deve-se analisar outros pontos. Afinal seres humanos não são meramente números.

Até o ponto que conheço da teoria Marxista, em O Capital Marx diz:

"De cada um de acordo com sua capacidade, a cada um de acordo com as suas necessidades!", reparem bem: "SEGUNDO A SUA CAPACIDADE", e "AS SUAS NECESSIDADES", não se fala apenas da necessidade, fala-se também da capacidade que o indivíduo tem em relação ao trabalho. Que é a única maneira de avaliar a capacidade de um indivíduo, isso inclusive é dito na citação de Marx antes mesmo de falar em necessidade.

Ou seja, a experiência que o professor relata no artigo me parece mais uma perspectiva de divisão capitalista das notas, onde alguns extraíram a mais-valia (podemos mencionar assim) das notas daqueles que estudaram. Com a intenção de cobrir o que faltava nas suas, pelo fato de não haverem estudado. Esse é um erro comum, tanto daqueles que muitas vezes pregam o socialismo sem conhecer exatamente a teoria, como também daqueles que se colocam contra ele, desvirtuando e "inocentemente" fazendo citações, mas não as trabalhando da forma correta, e nem de forma completa.

Uma experiência realmente socialista...

 Continua amanhã!

;)

Por ser um pouco extenso, irei dividir o artigo em três partes. Postando uma parte a cada dia, para facilitar a leitura.