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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Revolução Permanente Interna! O Grande Desafio de qualquer lutador social!

Aqui, nesta imagem temos dois revolucionários que são exemplos básicos dos extremos opostos trabalhados neste texto.

A Esquerda Leon Trotsky: Idealizador da Teoria da Revolução Permanente e a Direita Josef Stalin, ex-camarada de Trotsky e seu posterior perseguidor e assassino.



É uma pena que certos tipos de prática, que acabam por servir de argumentos de ataque ao Marxismo, se originem de pessoas que se dizem Marxistas e da luta!

Algumas pessoas que se dizem Marxistas, que muitas vezes não passam de Marxianos (especialistas em Marx, ou talvez nem tão especialistas assim) reproduzem as mais baixas características da sociedade Capitalista em seus relacionamentos. Muitas vezes, até mesmo com aqueles que costumam chamar de camaradas ou companheir@s!

Não é possível a construção de uma nova sociedade se não construir-mos também o novo ser humano.
A Revolução Permanente, também é a Revolução Interna que cada lutador deve sofrer (permanentemente) contra os desejos, ilusões, e tentações que o Capital lhe apresenta.
Sem esta Revolução Interna, em cada um(a) que se diz revolucionário(a), fica impossível a construção de qualquer sociedade socialista!
Quando o dito socialista, toma o lugar do Algoz daquele que até aquele momento se encontrava ao seu lado, ele também toma o lugar do burguês!

Impede a luta que não seja de seu interesse, manipula, maquina, persegue, e tudo na busca cega pelo poder, poder este que lhe foi apresentado pelo Capital, e ao qual o(a) até então revolucionário(a) sucumbiu! Morre então neste momento de transformação um(a) revolucionário(a), e nasce um dos piores inimigos do socialismo: aquele(a) que se apresenta como socialista,mas suas práticas reproduzem o capital! É um ser híbrido, sem característica própria, e sem nenhum outro objetivo que não aquele de satisfazer a sua sede e ânsia de poder. É mais uma vitória do Capital, o Capital consegue mais um(a) soldado(a), e este ser-híbrido é dos piores, por que além de atacar o socialismo por dentro, pois geralmente esta próximo daqueles que lutam, ele cria os argumentos que são utilizados contra a luta socialista!
Pois reproduz, dentro de uma esfera de relacionamento que deveria se pautar pela camaradagem socialista, as características da sociedade capitalista!
Logo, como pode este(a) dito(a) revolucionário(a), (se é que ainda podemos chama-lo(a) assim) construir qualquer tipo de sociedade, senão aquela mesma que ele/ela reproduz em suas relações sociais?


Fica o questionamento e a reflexão para os/as camaradas!

sábado, 16 de abril de 2011

Verdes Ou Vermelhos?

Verdes ou Vermelhos? Não caro leitor, esta não é uma pergunta que expressaria a cruel dúvida de um torcedor do Inter e do Palmeiras, tendo de assistir à um jogo destes dois times um contra o outro, e o torcedor não sabendo para quem torcer!
É uma pergunta que expressa sim uma dúvida, mas uma dúvida que é apresentada dentro de alguns setores de esquerda. Ser verde na atual conjuntura de desastre ambiental ou ser vermelho devido a continuidade da exploração inserida dentro da relação capital-trabalho?
Parece uma pergunta importante e prioritária, mas quero argumentar aqui que esta é uma pergunta retórica, mera falácia, expressão de um engano de análise da conjuntura atual da sociedade e dos próprios escritos de Marx.
Uma das maiores armas do capitalismo é a capacidade de apresentar a realidade de forma diferente da maneira como ela realmente esta organizada, é a velha relação entre essência e aparência das coisas dentro do capital, relação esta que já trabalhei em um artigo dividido em três partes aqui mesmo neste blog.
Bom, fazer esta pergunta é cair nesta armadilha, é se deixar enganar por essa capacidade do capital!
É impossível ser verde de verdade sem ser vermelho, e ser vermelho sem ser verde é não compreender a grandeza da obra marxista, que já no séc. XIX se preocupava com as questões ecológicas e com a maneira irracional que o Capital se apropriava da natureza.
A revolução verde passa pela revolução vermelha, e a revolução vermelha só pode ser verdadeiramente vitoriosa com a revolução verde! As duas devem acontecer juntas, ao mesmo tempo!
Logo a questão de ser verde ou vermelho é uma falsa questão, o verdadeiro verde só é verde se também for vermelho, e o verdadeiro vermelho só é vermelho de forma completa se também for verde!
Para entender este erro de interpretação, devemos primeiro entender como o pensamento de Marx via a natureza, em primeiro lugar Marx via dentro da natureza a dialética, que se expressava também na maneira como o ser humano se relaciona com a natureza.
A Dialética que é a chave da compreensão do materialismo histórico, e é dela que precisamos para compreender a relação homem-natureza, e as próprias relações internas da natureza!
Enfim, a natureza é também expressão da própria dialética! E não ver a dialética dentro da natureza, e na relação que o homem mantém com ela que é o erro que muitos Marxistas cometem, justificando assim a pergunta falaciosa com que comecei este texto. Também é este o erro que muitos ambientalistas caem ao analisarem a relação humana com o mundo natural. E caindo neste erro, nem os marxistas e nem os ambientalistas conseguem verdadeiramente superar o senso comum dentro da questão ambiental.
Resumindo e muito, tentarei aqui dar uma breve exposição da visão de Marx da natureza: A tradição marxista ocidental coloca que a Dialética não se aplica a natureza, mas apenas a sociedade. Ou seja a dialética seria expressão única e exclusiva das relações sociais, e é neste ponto que nasce o erro de interpretação. Na sua obra nos pontos em que trata da natureza, Marx faz uma crítica tanto a Leibniz como a Darwin. Leibniz por ver o mundo natural como um todo harmônico (visão expressa em muitas das correntes verdes), e Darwin por ver a natureza como expressão da competição entre as espécies (visão da natureza expressa em muitas das chamadas correntes marxistas), mas segundo Marx nenhuma das duas visões é completamente certa, nem completamente errada. A harmonia esta presente na natureza, assim como a competição, só que dentro de uma relação dialética entre as duas, e é este ponto chave que muitas vezes é esquecido, a Dialética.
Marx, em sua obra, unifica Leibniz e Darwin dialeticamente, inserindo nas relações naturais tanto a tendência a competição/destruição como a sustentabilidade.
Para Marx, as relações dentro da natureza tendem tanto para um lado (competição), como para o outro lado (sustentabilidade/harmonia). e é justamente esta relação entre estas duas tendências intrínsecas ao mundo natural que se pode definir como dialética dentro da natureza. Assim como a própria matéria existe dialeticamente, entre o não ser da energia e entre o ser da matéria, criando assim a tendência a existir da realidade (física quântica). Para Marx, a competição apresentada por Darwin, agindo dialeticamente com a tendência a harmonia apresentada por Leibniz, cria dentro da natureza tanto a tendência a destruição quanto a tendência a sustentabilidade, e é este fio delicado que une uma a outra, que Marx identifica ao analisar a natureza dialeticamente. Ele percebe que a natureza tende a sustentabilidade tanto quanto a autodestruição, e o ser humano pode pesar esta delicada balança tanto para um lado como para o outro, dependendo da maneira como constrói as suas relações com a natureza.
Assim, a pergunta inicial não merece resposta, além daquela que diz que não há como ser verde sem ser vermelho, e nem ser vermelho sem ser verde!
E a única maneira de salvar a sustentabilidade em nosso planeta é findar com um sistema econômico que fortalece a tendência a autodestruição da natureza, pendendo assim a balança para este lado. E para findar com esta sistema econômico é necessário ser vermelho, mas também não basta socializar a produção e seu produto, se mantiver-mos os mesmos patamares de relacionamento com o mundo natural. A revolução vermelha, só pode ser vitoriosa, se junto dela vier a revolução verde, mudando também a maneira como nos relacionamos com a natureza. E isso não é automático, para que isso aconteça é necessário compreender como o homem interfere no mundo natural, e para que esta compreensão seja possível, é necessária a compreensão da dialética da natureza, apresentada nos escritos de Marx. E durante muito tempo, relegada ao esquecimento, ou ao segundo plano. Falar em ecologia dentro da luta socialista, não é enfeitar com confetes da moda a luta, e nem desvirtuar os escritos marxistas, mas sim complementar a compreensão que se teve de Marx durante todo século XX. Ou seja, é enxergar a Dialética, como ela realmente é, presente em todas as esferas, tanto as sociais, como as naturais. Não são confetes, mas sim a identificação de raízes da preocupação da obra marxista, até então deixadas ao largo.
Logo, respondendo a pergunta, sejamos bicolores! Vermelhos e Verdes ao mesmo tempo, ambos assim, com letras maiúsculas! Desta maneira, e só assim, conseguiremos construir um mundo justo em termos sociais, e verdadeiramente sustentável na maneira de nos relacionar-mos com o mundo natural!
Abraços Verdes e Vermelhos!
Logo, Ecossocialistas!