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terça-feira, 23 de abril de 2024

Marechal Cândido Rondon e o Racismo Estrutural.

Marechal Cândido Rondon e o Racismo Estrutural.

Recentemente, em um determinado programa jornalístico de bastante alcance em Marechal Cândido Rondon, um convidado (de direita é claro) questionou as afirmações sobre a existência de racismo em Marechal Cândido Rondon. No entanto, esta semana, verifiquei mais uma demonstração fática sobre o racismo latente de determinados indivíduos que residem e mantém conexões com Marechal Cândido Rondon: nos comentários sobre a participação de uma militante negra do PSOL de Marechal, no encontro nacional da Negritude da legenda, o que encontramos, de maneira geral, é o mais puro chorume que exala do racismo que alguns tentam disfarçar, mas não conseguem.

Fonte: página do Jornal O Presente em 22/04/2024.
Print realizado às 09h30min do dia 23/04/2024.

Observem a imagem.... Nela, em comentários que buscam disfarçar o racismo com a mesma lógica de afirmações como "Dia da Consciência Humana" para se contrapor ao "Dia da Consciência Negra", percebemos o substrato social que fermenta e fertiliza o preconceito racial em nosso país. E, como Marechal Cândido Rondon não é uma ilha isolada, este mesmo racismo disfarçado pode ser percebido no município.

Quero mencionar, aqui, dois fatos que corroboram com a afirmação de que, em Marechal Cândido Rondon, o racismo é latente e estrutural, principalmente junto à "suposta" elite política e econômica. Um fato é de conhecimento público, e todas e todos, que residem no município há alguns anos, devem conhecer; o outro é um fato particular, um relato que ouvi quando cursava História no campus da Unioeste em Marechal Cândido Rondon.

Vamos ao primeiro fato:

A região da cidade que engloba os bairros Alvorada e Botafogo, composta por loteamentos como Rainha, Luciana I, Luciana II, BNH e outros tem sua própria história. Esta não é uma região nova na cidade, pelo contrário: o BNH, por exemplo, tem sua origem em um programa de habitação popular do final da década de 80, se não estou muito enganado, em 1986. O fato é que, naquela época e, até bem recentemente, já no século XXI, àquela região da cidade era conhecida, em termos populares, como "Planeta dos Macacos". Sim! Isso mesmo! O termo era este! E sabem por quê? Porque naquela região, área periférica da cidade, residiam as famílias de menor renda no município e, em sua maioria, com um fenótipo mais escuro do que o padrão oficial da "cidade mais germânica do Paraná". Por isso, àquela região não era só considerada uma outra cidade, mas um outro planeta, uma outra sociedade. Ela era a região dos "outros". O "Planeta dos Macacos"! Eu ouvi esse termo diversas vezes, quando dizia onde residia pois, por mais de 20 anos, morei no Alvorada ou no Botafogo e, por diversas vezes, ao informar o meu endereço, da boca do outro "escapava" a expressão: "Ah! Então você mora no Planeta dos Macacos!"
Até hoje tal termo ainda pode ser encontrado "escapando" da boca de alguns moradores mais antigos do município! E isso retrata a memória social da população sobre a condição da negritude.

Vamos ao segundo fato:

Em 2005 eu cursava o curso de História, no campus rondonense da UNIOESTE. Da minha turma faziam parte um casal de amigos que residia em Cascavel e precisava vir, todos os dias, para Marechal para participar das aulas. Como não tinham carro, meus amigos vinham de ônibus! Naquela época existia uma disponibilidade maior de horários de ônibus entre Marechal e Cascavel. Em um certo dia de aula, durante o intervalo, eles me fizeram um relato que ficou na minha memória até hoje, o relato de um acontecimento que lhes marcou e, quando me contaram, mexeu comigo também. Este casal de amigos estava na rodoviária em Marechal Cândido Rondon, era julho, mês de aniversário do município. Período em que o discurso sobre os pioneiros floresce nas bocas e nos meios de comunicação. Esperando na rodoviária, os dois encontraram um senhor, já idoso, negro e com feições de quem sofreu e trabalhou muito na vida. Conversa vai, conversa vem, desandam à falar sobre Marechal Cândido Rondon e sua história, assim como a festa do município e dos tais pioneiros. Até que, em algum momento, durante a conversa, de acordo com meus amigos, este senhor, com os olhos marejados, olha para eles e afirma, mais ou menos, assim:

"_ Eu também sou pioneiro! Eu também faço parte da história da cidade"

O senhor em questão vivia no município há mais de 50 anos! Ele também foi uma das primeiras pessoas a chegarem no, então distrito de General Rondon, mas o nome dele nunca foi citado. Ele nunca foi lembrado! A relação de "pioneiros" não reconhecia sua existência. O seu sobrenome era invisível, assim como a cor da sua pele: negra.

De acordo com este casal de amigos, ao afirmar: "Eu também sou pioneiro" e que também fazia parte da história da cidade, foi possível perceber no mesmo uma certa mágoa e melancolia sobre o fato de que, mesmo residindo em Marechal há mais de 50 anos (o fato se passou em 2005) a sua existência nunca foi lembrada e sua colaboração para com a cidade nunca foi reconhecida.

Enfim, estes são dois fatos, um que eu mesmo vivi e outro que ouvi, que demonstram como o racismo está, sim, impregnado na cultua e na memória social de nossa região e, especificamente, por ser o objeto deste texto, em Marechal Cândido Rondon. Escrevo este texto, não como forma de condenação, mas como um alerta! Um alerta para o fato de que existe um problema, sobre o qual precisamos olhar e, a partir disso, combatê-lo. 

Sobre não ser racista e sobre ser antirracista:

Quando falamos sobre racismo estrutural em Marechal, ou em qualquer outra cidade, não estamos afirmando que todas e todos naquele local são indivíduos racistas, mas, sim, que existe uma lógica estrutural na organização dos serviços públicos, na memória oficial, na política... que reproduz o racismo. E esta lógica se alimenta, também, do fato de muitas pessoas em posição de comando (seja na política ou na economia) agirem, muitas vezes, de forma racista, reproduzindo afirmações, termos, formas de pensar e agir racistas sem refletir sobre isso, de maneira naturalizada, como os comentários na publicação que deu origem à esta reflexão. Isso se espraia, como areia levada pela água, infiltrando-se em todos os espaços da sociedade. Neste sentido, debater o racismo, seja no quesito individual seja no quesito estrutural, é mais do que importante: é urgente!

Assim, termino esta reflexão, apelando para que os formadores de opinião de nossa região reflitam sobre isso e se somem à esta luta e, também, aproveito para manifestar, aqui, todo o meu apoio à minha amiga, e camarada de partido, Viviane Rodrigues e encerro com a famosa afirmação de Ângela Davis: "Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista."

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Revolução Permanente Interna! O Grande Desafio de qualquer lutador social!

Aqui, nesta imagem temos dois revolucionários que são exemplos básicos dos extremos opostos trabalhados neste texto.

A Esquerda Leon Trotsky: Idealizador da Teoria da Revolução Permanente e a Direita Josef Stalin, ex-camarada de Trotsky e seu posterior perseguidor e assassino.



É uma pena que certos tipos de prática, que acabam por servir de argumentos de ataque ao Marxismo, se originem de pessoas que se dizem Marxistas e da luta!

Algumas pessoas que se dizem Marxistas, que muitas vezes não passam de Marxianos (especialistas em Marx, ou talvez nem tão especialistas assim) reproduzem as mais baixas características da sociedade Capitalista em seus relacionamentos. Muitas vezes, até mesmo com aqueles que costumam chamar de camaradas ou companheir@s!

Não é possível a construção de uma nova sociedade se não construir-mos também o novo ser humano.
A Revolução Permanente, também é a Revolução Interna que cada lutador deve sofrer (permanentemente) contra os desejos, ilusões, e tentações que o Capital lhe apresenta.
Sem esta Revolução Interna, em cada um(a) que se diz revolucionário(a), fica impossível a construção de qualquer sociedade socialista!
Quando o dito socialista, toma o lugar do Algoz daquele que até aquele momento se encontrava ao seu lado, ele também toma o lugar do burguês!

Impede a luta que não seja de seu interesse, manipula, maquina, persegue, e tudo na busca cega pelo poder, poder este que lhe foi apresentado pelo Capital, e ao qual o(a) até então revolucionário(a) sucumbiu! Morre então neste momento de transformação um(a) revolucionário(a), e nasce um dos piores inimigos do socialismo: aquele(a) que se apresenta como socialista,mas suas práticas reproduzem o capital! É um ser híbrido, sem característica própria, e sem nenhum outro objetivo que não aquele de satisfazer a sua sede e ânsia de poder. É mais uma vitória do Capital, o Capital consegue mais um(a) soldado(a), e este ser-híbrido é dos piores, por que além de atacar o socialismo por dentro, pois geralmente esta próximo daqueles que lutam, ele cria os argumentos que são utilizados contra a luta socialista!
Pois reproduz, dentro de uma esfera de relacionamento que deveria se pautar pela camaradagem socialista, as características da sociedade capitalista!
Logo, como pode este(a) dito(a) revolucionário(a), (se é que ainda podemos chama-lo(a) assim) construir qualquer tipo de sociedade, senão aquela mesma que ele/ela reproduz em suas relações sociais?


Fica o questionamento e a reflexão para os/as camaradas!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Sobre a Copa de 2014: "Ad captandum vulgus, panem et circenses"

Como uma reflexão sobre o que vem ocorrendo em relação a Copa do Mundo em nosso país, e a maneira como são construídos alguns discursos em torno do esporte, deixo aqui a carta do Imperador Vespasiano a seu filho Tito, em sua versão atualizada. Vale a pena a leitura e a reflexão à que este texto nos incita:


Carta atualizada do Imperador Vespasiano para seu filho Tito

"Onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio?" 
 "22 de junho de 79 d.C.
Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões e os jornalistas. De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pares a construção do Colosseum. Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória. 
Alguns senadores o criticam, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos. Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio? Num estádio, é claro.
Será uma imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma per omnia saecula saeculorum, e sempre que o olharem dirão: 'Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou'.
Vista aérea do que restou do Coliseu em Roma, quase dois mil anos depois ainda impressiona. 
Fonte: http://ixamostradepesquisa.pbworks.com/w/page/5197916/COLISEU
Outra vantagem do Colosseum: ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de precisão.
Moralistas e loucos dirão que mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas. Vel caeco appareat (Até um cego vê isso).
Portanto deves construir esse estádio em Roma, assim como a gente de Brasília construirá monumentais estádios em Natal, Cuiabá e Manaus, mesmo que nem haja ludopédio por esses lugares. 
Só para teres uma idéia, o campeonato de Mato Grosso teve média inferior a mil pessoas por partida, e a Arena Pantanal, em Cuiabá, terá capacidade para 43.600 espectadores. Em Recife haverá um novo estádio, mas todos os grandes clubes já têm o seu. Pior será a arena de Manaus: terá 47 mil lugares e, no campeonato estadual, juntando os 80 jogos, o público total foi de 37.971.
Maquete do Projeto do Estádio Gov. José Fragelli (Verdão) que deve ser construído em Cuiabá MT
Fonte: http://cariricaturas.blogspot.com/2009/11/estadio-da-copa-de-2014-colaboracao-de.html
 
As gentes da Terra Papagalli não ligaram nem mesmo para o exemplo dos sul-africanos, que construíram cinco novos estádios e quatro são deficitários. 
Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: Ad captandum vulgus, panem et circenses (Para seduzir o povo, pão e circo). 
Esperarei por ti ao lado de Júpiter."
PS: Vespasiano morreu no dia seguinte à carta. Tito não inaugurou o Coliseu com um jogo de Copa, mas com cem dias de festa. Tanto o pai quanto o filho foram deificados pelo senado romano. Nunca tiveram oitenta por cento de aprovação porque, naquela época, a Confederação Nacional (Romana) dos Transportes (Empreiteiras) não encomendava pesquisas ao Census.

(Texto de Autoria desconhecida) Fonte: http://www.usinadeletras.com.br/

Pesquisa no dicionário de Latim: CLUNIS - subs. m. e f. - nádegas, ancas.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Marechal Cândido Rondon ou Marechal Rondon? Não importa! A questão é: quais são as PRIORIDADES?

Foto 01: Portal de Marechal Cândido Rondon
Foto 02: Marechal Rondon


Tirei os últimos dias para observar nossa cidade, o trânsito, as ruas, as calçadas e não gostei do que consegui ver, andamos por ruas que quando não estão cheias de buracos, estão no máximo cheias de remendos, as calçadas (que calçadas?), certo que elas são de responsabilidade de cada morador, mas o município pode muito bem fazer as mesmas e depois encaminhar a cobrança, mas como isso é antipopular simplesmente deixam-se as coisas do jeito que estão. Acontece que dá maneira como elas estão é comum vermos cadeirantes e mães com carrinhos de bebe se obrigando a utilizar as ciclovias (onde elas existem), para poder transitar em nossa cidade, desta forma os ciclistas por sua vez se obrigam, muitas vezes, a transitarem na pista dos veículos. Enfim, de uma simples ausência de calçadas nasce o risco para os cadeirantes, os bebes, as mães dos bebes e os ciclistas, algo que se as calçadas estivessem feitas e organizadas não aconteceria.
Outro ponto é a iluminação pública, há pelo menos um mês que na região da Avenida Maripá que fica entre os bairros Higienópolis e Botafogo não existe iluminação pública, transitar por ali a noite é transitar na escuridão total, quando algo assim acontece é normal se esperar por um ou dois dias para que providências sejam tomadas. Mas um mês?!? Isso já é descaso, tanto com os moradores, quanto com os transeuntes e também com os empresários que possuem seus estabelecimentos naquela região da cidade!
A saúde em nosso município, bem sem comentários não é mesmo? Nem atendimento pelo SUS temos mais, se o SUS já não era lá aquelas coisas, imaginem a completa ausência de uma cobertura de saúde. Se você não tem plano de saúde particular esta “ferrado”, tem de ser encaminhado para fora e ainda por cima, as coisas são feitas de uma forma a parecer que estão lhe fazendo um favor, e não cumprindo com obrigações próprias da administração pública.
Serviços públicos como a coleta de lixo e outros estão completamente terceirizados, e ainda fazem propaganda dizendo que o IPTU serve para isso, sendo que existe taxa específica, que deve ser gasta em sua totalidade apenas com o serviço ao qual a taxa faz referência. Daí me pergunto: As taxas aumentaram, terão aumentado também os salários dos garis e funcionários do setor? Ou apenas o lucro das empresas terceirizadas?
Os moradores, bem, estes já tiveram várias vezes de fazer obras por sua própria conta e risco, obras que deveriam ter sido feitas pelo poder público. Temos loteamentos na cidade, em que na metade da rua existe asfalto e não outra metade não, enfim Marechal Cândido Rondon se tornou a cidade onde tudo é possível de acontecer.
E mesmo com todos estes problemas temos uma imprensa local que insiste em construir uma realidade que não existe, quase que como uma realidade virtual parecida com aquelas existentes em jogos online, agora é só o cidadão sair para a rua, ou precisar de um exame ou consulta que ele bate de frente com a realidade material.
E mesmo assim, temos vereadores que no lugar de fazerem o seu papel com relação a estas questões, se preocupam com a maneira em como o nome do município é escrito e falado na imprensa e na boca do povo! Caro vereador, eu mesmo já lhe fiz uma deferência a alguns meses em um site da cidade, mas agora você pisou na bola! O problema não é mudar o nome do município, o problema é não tratar das prioridades! O que é mais urgente? Mudar o nome do município, ou trazer novamente o atendimento do SUS? Mudar o nome do município, ou organizar o calçamento da cidade? Mudar o nome do município, ou possibilitar uma iluminação decente para os cidadãos do mesmo (lembrando que iluminação decente deve levar em conta inclusive a poluição luminosa, ainda irei falar sobre isso)? Então caro vereador, depois que tudo isto estiver resolvido, depois que a Marechal Cândido Rondon virtual, se tornar a Marechal Cândido Rondon real, aí sim eu aceitarei como cidadão rondonense discutir tal projeto. Por que por ora, as prioridades são outras!
Agora, fica outra questão “martelando” na minha cabeça: será que isso tudo é exclusivo desta administração? Será que é esta, e só esta administração que fez com que Marechal Cândido Rondon ficasse como esta? Eu digo que não! Com um sonoro NÃO!
O problema não é da administração, mas sim do grupo (ou grupos) que se revezam no poder em nossa cidade à décadas! Basta ver o histórico das candidaturas, as pessoas ora estão aliadas a um, ora a outros. Essa é uma questão de interesses, dois interesses conflitantes: o interesse de um grupo que reveza pessoas no poder em nossa cidade, e o interesse da própria cidade que muitas vezes não é o mesmo deste grupo. Exemplo disso? É só comparar a maneira como são tratadas as pessoas que divergem, que pensam diferente, que questionam o poder em nossa cidade, com aquelas que se adequam a ele, que reproduzem o pensamento comum, justamente para poder se aproveitar do fato da população não ter conhecimento, ou não se interessar pelo que acontece nos bastidores do mundo político.
Vejam duas recentes reportagens em um dos principais organismos de imprensa da cidade, as duas fazem menção ao mesmo assunto: O Pleito eleitoral de 2012. Acontece que a primeira, feita com um dos representantes dos divergentes, teve um espaço minimo (quase que um anúncio de propaganda), no caderno “OPINIÃO”. Já a outra teve um espaço máximo (duas páginas do jornal) no caderno “POLÍTICA”. Ou seja, os divergentes não fazem política, eles no máximo opinam sobre ela, e fazem política aqueles que reproduzem o que aí esta. Pelo menos é isto que parece querer ser demonstrado, ao se fazer uma analise deste fato. Essa não é uma característica exclusiva de nossa cidade, mas sim de nosso país, e só vai mudar quando aqueles que mais deveriam se interessar pela política, e pela maneira como a “coisa pública” é administrada, passarem a demonstrar este interesse. Enquanto o senso comum que diz que “todo político é corrupto”, “todo político é ladrão”, “política e religião não se discutem” dominar, também dominarão aqueles que se beneficiam do fato dos cidadãos pensarem assim. E enquanto a população pensar assim, o único espaço que aqueles que pensam e defendem uma outra sociedade terão, será no máximo o espaço “Opinião”, e nunca o espaço “Política”!
Enfim, esta nas nossas mãos caros leitores, mudar a sociedade caso não estejamos contentes com esta que esta aí presente! É isso que estou tentando fazer! E você?

Fonte das fotografias:
  Adendo: Apenas fazendo um adendo ao texto, hoje dia 02 de Julho de 2011, voltando de Toledo passei novamente no trecho que menciono no presente texto dizendo que há um mês falta iluminação pública, e verifiquei que as lâmpadas estavam novamente funcionando. Coincidência ou não, o trecho foi corrigido alguns dias depois da publicação do texto. Não posso deixar os parabéns por que a demora na correção do fato não tem volta, mas ao menos algo foi feito depois de escrito o texto mencionando a situação. Por isso caros leitores, estou colocando este adendo no texto, informando a situação atual sobre o fato.

Abraços!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Para onde ou quem, vai o seu dinheiro?

Caros leitores não sou economista, mas hoje quero falar sobre economia, ou melhor, falar não! Apresentar a vocês, alguns dados!
Os dados que irei apresentar aqui neste texto foram adquiridos em levantamentos feitos pela Auditoria Cidadã, e podem todos eles (assim como muitos outros) serem acessados clicando aqui.
Vocês sabem como são gastos os impostos que pagamos? Quem custeia verdadeiramente o Estado-Nação? Onde esta o verdadeiro rombo do orçamento brasileiro?
Todos essas perguntas e algumas outras que todos nós fazemos, mas geralmente não sabemos onde buscar as respostas podem ser encontradas no site da Auditoria Cidadã, e alguns deles seguem logo abaixo.
Primeira pergunta: Onde esta o verdadeiro rombo do orçamento em nosso País? Onde esta o vazamento? Serão os programas sociais como Bolsa Familia, os salários do funcionalismo público ou dos parlamentares, talvez a previdência (afinal vivemos ouvindo falar em "rombo da previdência")? Não, o quadro abaixo mostra que o rombo, o ralo, o gargalo do orçamento brasileiro é o sistema finânceiro! Os bancos são os grandes detentores do Capital, e recebem a maior parte de nosso orçamento apenas como amortização de juros da divida pública.
Vejam o quadro:
Pizza do Orçamento Anual de 2010 Fonte: Auditoria Cidadã, para aumentar a imagem é só clicar na mesma.






















Pelo gráfico acima, percebemos bem para onde vai a maioria do dinheiro do orçamento brasileiro, tais juros e amortizações são por dívidas que muitas vezes já foram pagas no seu total, mas os especuladores, bancos e outros preferem ficar recebendo os juros, pois é muito mais rentável.
E a população? Como fica nessa estória? A população? Ela paga! Apenas isso! E fica com o que sobra!
Os 44,93% do orçamento destinado ao pagamento da dívida pública estão desta forma divididos:
Empresas Não-Finânceiras: 8%
Fundos de Pensão: 16%
Fundos de Investiento: 21%
Bancos Nacionais e Estrangeiros: 55%
Como vêem mesmo dentro da divisão dos 44,93% do orçamento que são destinados ao pagamento e amortização da dívida pública os bancos abocanham a maior parte de forma direta, e o resto de forma indireta! Estão percebendo agora quem manda neste país? Sinceramente, perto de um rombo deste tamanho o salário de deputados é pouca coisa, vejam a parte destinada ao Legislativo no orçamento para terem uma ideia do que digo.
Enfim, esse gráfico mostra como nosso dinheiro é dividido, quem fica com ele e por que muito do que sabemos que poderia ser feito por que existe verba não é feito.
As prioridades do Estado estão claramente demonstradas por este gráfico. Bom, agora que refletimos sobre o rombo, vamos ao custeio.
Quem verdadeiramente custeia o Estado? Ou para entender melhor: Quem paga a conta da dívida?
Para responder esta pergunta seguem alguns dados para reflexão:


A imagem acima já fala tudo sobre a questão da distribuição de renda em nosso país, não é mesmo? Ou preciso comentar algo? Seguem mais algumas imagens com dados que creio serem do interesse do leitor:


Ou seja, apesar dos Banqueiros e grandes empresários viverem chorando por falta de verba, é a população trabalhadora que tem de fazer malabarismos para sobreviver com a sua renda e ainda sustentar o Estado.
Vejam a diferença gritante da comparação abaixo:
E então! Fica a pergunta: "Quem finância o estado?"
Descobrimos, ou pelo menos temos a impressão de quem finância o Estado, mas e quem se utiliza dele? Ou a quem o Estado serve? Seguem mais algumas imagens procurando refletir sobre este tema importante:
Pois é! Agora sabemos a quem o Estado serve! Existe possibilidade de mudar este quadro? É dificil, não nego caro leitor. Mas, não é impossível, por isso reforço o convite feito na última imagem. O cuidado do cidadão para com a sociedade, é o cuidado do cidadão para com ele mesmo. Afinal ele faz parte da sociedade, e gostando ou não é atingido em tudo o que atinge a sociedade!
Por isso resolvi fazer este texto, colocando estas informações a público! Espero que você caro leitor possa ajudar a divulgar, e aceite o convite de participar na luta!
Também convido você caro leitor a acessar a página do TSE clicando aqui para que possa fiscalizar de quem o seu candidato nas eleições de 2010 recebeu verbas. Para que você caro cidadão possa saber quem pagou a campanha do candidato para quem você votou!
Vamos ficar de olho, com a população participando e cobrando podemos sim mudar este quadro, agora com a omissão dos cidadãos a única coisa possível de acontecer e a repetição do "mais do mesmo"! Pensem, não é a toa que tais dados, e informações (como por exemplo a possíbilidade de fiscalização das doações de campanha) não são amplamente divulgados!
Abraços a todos, espero poder continuar contribuindo e contar com vocês na luta por um Brasil e quem sabe um mundo melhor! Lembrem-se: "O MAIOR CASTIGO PARA AQUELES QUE NÃO SE INTERESSAM POR POLÍTICA É QUE SERÃO GOVERNADOS PELOS QUE SE INTERESSAM". (Arnold Toynbee)
Abraços!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Nota do PSOL Nacional: Juntos para investigar, mas distantes na política

Qui, 26 de Maio de 2011 17:47
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Esta semana o Congresso Nacional precisará mostrar sua independência frente ao poderio do Governo Federal.
Apesar de toda a operação “abafa” realizada pelo Executivo, prossegue na ordem do dia a exigência de explicações acerca do fantástico enriquecimento do atual ministro Antonio Palocci.
Os fatos que até agora são conhecidos apresentam fortes indícios de que o repentino enriquecimento nada mais foi do que o velho e conhecido tráfico de influência, negociação de informações privilegiadas e venda de facilidades de acesso à administração pública.
Os lucros auferidos pelo então coordenador da campanha eleitoral da atual Presidenta da República são claros sinais de que a linha que separa, o ético e o antiético, o lícito e o ilícito, o público e o privado, foi sendo quebrada, mais uma vez. Informações inerentes ao cargo de Ministro da Fazenda e a notória reaproximação de Palocci do núcleo do poder tornaram seus serviços profundamente rentáveis.
Suas recusas em divulgar o nome dos compradores de seus serviços, devido aos “compromissos de confidencialidade”, beira a hipocrisia, especialmente para uma pessoa que esteve envolvida diretamente na quebra de sigilo bancário de um humilde caseiro.
O PSOL apoiará e patrocinará todas as ações legais e legislativas que contribuam para a apuração exemplar dos fatos obscuros que cercam o episódio. Por isso, nossa Bancada assinou requerimento solicitando investigação junto ao Ministério Público e apoia a iniciativa de instalação de uma CPMI, também assumida pela oposição conservadora no Parlamento.
Da mesma forma, obtivemos apoio dos partidos desse setor para o Requerimento de convocação do Ministro da Casa civil pela Comissão de Meio Ambiente, Fiscalização e Controle do Senado.
Não concordamos em restringir a crítica desta prática de tráfico de influência apenas ao atual ministro Palocci. Por isso, ao lado das ações acima enumeradas, o partido apresentou na Câmara e no Senado Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para coibir o uso dos conhecimentos conseguidos pela ocupação de cargos estratégicos na área econômica do governo federal para o enriquecimento, vedando consultorias e atividades empresariais no exercício de mandato público.
No momento em que se discute no Congresso a reforma política e eleitoral, não poderíamos deixar de reforçar a idéia de suprimir o financiamento privado das campanhas políticas no processo eleitoral brasileiro e torná-lo exclusivamente público e sob controle da população e dos órgãos do poder judiciário e da justiça eleitoral.
Em carta enviada aos líderes do Senado o ministro Palocci arrola em sua defesa inúmeros exemplos de ex-ministros da Fazenda ou de ex-presidentes do Banco Central que, ao saírem dos cargos ocupados, tornaram-se importantes nomes do setor privado, sendo contratados de forma generosa por instituições privadas, usando informações privilegiadas e de dentro do poder (inside information). A expertise oferecida por estes senhores diz respeito ao conjunto de informações da política econômica, que se tornam lucrativas quando socializadas com estes setores. Como ele disse, “esses profissionais valem muito no mercado”.
Ora, em um país que tem sua dívida pública atrelada diretamente ao capital financeiro, informações privilegiadas sobre decisões acerca da política econômica podem patrocinar ganhos extraordinários aos tomadores de serviços destes senhores, favorecendo suas empresas de consultoria. Não é a toa que eles se recusaram a depor na CPI da dívida pública da Câmara dos Deputados, proposta pelo Dep. Ivan Valente, com o apoio de seus partidos, PT e PSDB.
Este trabalho conjunto com a oposição conservadora se resume às ações acima relatadas. Estaremos juntos para investigar os fatos, mas manteremos distância da política destes setores.
Um dos componentes da atual crise ética é o uso dos acontecimentos pela bancada ruralista, composta por parlamentares bastante representativos dos partidos conservadores e de segmentos do bloco governista. Estes parlamentares barganham com o governo um novo Código Florestal em troca da blindagem do Ministro no Parlamento. Em troca de uma postura contrária a qualquer convocação do ministro ou instalação de CPMI, estes senhores querem um código florestal que anistie os devastadores da natureza, enfraqueça a vigilância do Estado sobre os seus empreendimentos e facilite o avanço do agronegócio sobre a floresta brasileira.
Por outro lado, a oposição conservadora quer restringir o alvo de suas críticas ao ministro Palocci, mas torce o nariz com a possibilidade de se aproveitar o momento para coibir a prática de tráfico de influência via consultorias de parlamentares e ex-ministros da área econômica.
Assim, estaremos juntos nos pedidos de investigação do caso Palocci, mas distantes na batalha contra o novo Código Florestal e na luta pela garantia da ética na política.

BANCADA DO PSOL NO CONGRESSO NACIONAL

terça-feira, 24 de maio de 2011

À Conta-gotas, mas sem Razão!



Hoje ocorre mais uma tentativa de votação!
Nas últimas semanas, tem sido assim: tensão constante. Tanto de um lado, quanto do outro!
Os movimentos sociais, torcendo para que um código que vai trazer o desastre para o nosso meio ambiente não seja aprovado, apesar de todas as maracutaias, conchavos e acordos colocados e tentados!
E os ruralistas torcendo e cruzando os dedos em figa, para que desta vez, consigam a aprovação das alterações que tanto almejam, alterações estas, que irão perdoar desmatadores e permitir uma maior expansão do desmatamento, além de por exemplo regularizar ocupações irregulares em encostas e outros problemas, já tão relatados em outros textos neste mesmo blog!
Pois é! Algumas horas, e teremos novamente a notícia se a alteração do código foi aprovada no congresso, ou se mais uma vez dar-se-á um prazo a mais para a natureza!
Essa novela do código merece inclusive uma paródia do próprio nome deste blog: o debate em torno do código vem acontecendo à Conta-gotas, mas infelizmente sem levar a Razão em conta!
O que mais esta pesando são os acordos políticos, os interesses econômicos, os interesses pessoais de alguns indivíduos, e grupos!
Temos deputados no congresso que serão diretamente beneficiados se o código for alterado, e não falo apenas daqueles deputados latifundiários, mas estou falando de excelentíssimos que lá estão, apesar de estarem sofrendo processos ambientais.
Quem são eles? Certo, vou dizer, é direito e dever da população ficar sabendo:
No Senado temos os seguintes nomes ansiosos pela mudança do código florestal:
IVO CASSOL (PP-RO): Quatro autos de infração. Quatro áreas embargadas em Rondônia: destruição de APP e reserva legal em áreas da Amazônia legal.
Sua alegação: “que os crimes ambientais foram cometidos em propriedades vizinhas às suas”. Quem sabe ele não faz uma emenda parlamentar para a compra de aparelhos GPS para o Ibama? Só uma sugestão!
KÁTIA ABREU (PSD-TO): a chamada musa dos ruralistas tem um auto de infração, foi multada por crimes ambientais mas escapou de ter terras embargadas, mas caso o código não seja modificado corre este risco assim como os demais.
RENAN CALHEIROS (PMDB-AL): É isso mesmo, lembram deste nome? Ele também faz parte desta lista! O senador tem um auto de infração.
JAYME CAMPOS (DEM-MT): Três áreas embargadas em Mato Grosso: desmatamento de APP e atividade potencialmente degradadora sem licença ambiental.
Sua alegação? A assessoria do senador disse ao Correio Brasiliense que não conseguiu encontrar o mesmo. (?????) A assessoria do senador não encontrou o mesmo? Talvez ele tenha se perdido em alguma APP por aí! Vai saber, não é?
JOÃO RIBEIRO (PR-TO): Uma área embargada de Tocantins: atividade potencialmente degradadora sem licença ambiental.
O que ele diz? não houve retorno até o fechamento da edição do correio brasiliense que serviu como fonte de informações a este texto.
Já na Câmara os nomes ansiosos são:
AGNOLIN (PDT – TO): Duas áreas embargadas em Tocantins: destruição significativa da biodiversidade e implantação de projetos de loteamentos sem licença ambiental. O que ele diz: que já regularizou a área de preservação, demoliu a obra e reparou os danos provocados pelas construções à margem do Lago do Lajeado.
AUGUSTO COUTINHO (DEM-PE): uma notificação e dois autos de infração. Uma área embargada em Pernambuco por desmatamento de APP.
Sua alegação? Ele diz que lhe foi concedida licença para a construção da obra que gerou o desmatamento. (???) Se lhe foi concedida a licença, como a obra foi embargada? Seria simples resolver, só apresentar a licença!
EDUARDO GOMES (PSDB-TO): dois autos de infração. Uma área embargada em Tocantins: instalação de represa que altera o curso d'água e a fauna aquática, sem licença ambiental.
Alegação: a multa teria sido parcelada em 60 vezes e está sendo paga em dia. Casas Bahia! No prazo em 60 vezes e você consegue uma licença ambiental!
GIOVANI QUEIROZ (PDT-PA): dois autos de infração e uma notificação.
HÉLIO SANTOS (PSDB-MA): um auto de infração.
IRACEMA PORTELA (PP-PI): um auto de infração, área embargada no Maranhão por desmatamento de APP.
Alegação: que tem uma propriedade rural no estado, mas nunca foi notificada por qualquer dano ambiental. Convenhamos, é possível acreditar em uma alegação como esta?
IRAJÁ ABREU (DEM-TO): O sobrenome lhes parece conhecido? Pois é! Família que desmata junta permanece unida! O Dep. Irajá Abreu é filho da Senadora Katia Abreu, e tem duas áreas embargadas em Tocantins: desmatamento de reservas legais e APPs.
Alega que: desconhece a decisão do Ibama de embargar áreas de fazendas em seu nome. Será que ele justifica o ato no desconhecimento da lei também?
JÚNIOR COIMBRA (PMDB-TO): dois autos de infração.
LIRA MAIA( DEM-PA): um auto de infração.
MÁRCIO BITTAR (PSDB – AC): um auto de infração
MARCOS MEDRADO (PDT-BA): dois autos de infração. Duas áreas embargadas na Bahia: obras poluentes sem licença ambiental.
Alegação: a assessoria de imprensa informou ao correio brasiliense que o deputado estava incomunicável no interior da Bahia. Dessa vez o caso não é de GPS, mas sim de telefonia! (risos)
MOREIRA MENDES (PPS-RO): um auto de infração.
NELSON MACHEZELLI (PTB-SP): um auto de infração.
PAULO CÉSAR QUARTIERO (DEM-RR): cinco autos de infração. Cinco áreas embargadas em Roraima: destruição de área de preservação permanente (APP), extração de minério de floresta em domínio público e impedimento da reposição de florestas.
O que ele alega: simplesmente que não usa mais as fazendas embargadas.
RAUL LIMA (PP-RR): um auto de infração.
REINALDO AZAMBUJA (PSDB-MS): um auto de infração. Uma área embargada em Mato Grosso do Sul, por obras poluentes sem licença ambiental.
Alegação: que protocolou a defesa em 2009 e ainda não houve julgamento pelo Ibama.
ROBERTO DORNER (PP-MT): uma área embargada em Mato Grosso por destruição de APP em áreas da Amazônia legal. Alegação: que tem toda a documentação que autoriza o desmatamento. (???) Documentação que autoriza o desmatamento em área de reserva da Amazônia legal? Existe isso?!
SANDRO MABEL (PR-GO): um auto de infração e uma notificação.
Então, caros leitores? Estes são os nomes! Alguns mais conhecidos, outros menos, mas todos parlamentares que lá foram colocados pelo voto do povo, sendo este um voto consciente ou não, eles estão lá!
E agora, irão ajudar a decidir não só o nosso destino, como o de nossos filhos, das gerações posteriores a eles, e do próprio ecossistema brasileiro.
Uma votação como esta é de extrema importância, é uma decisão que se tomada pode acarretar consequências sem volta, já estamos vivenciando uma situação de desequilíbrio planetário e o Brasil ao alterar desta forma o seu código florestal só vai contribuir com o problema.
Como eu já havia colocado em um texto anterior, será o “inicio do fim da razão”!
Ainda tenho esperanças de que as alterações não serão aprovadas apesar de todos os conchavos, sei que a luta é difícil mas, também sei que aquilo que se busca é possível. Sei também que o amadurecimento da sociedade é possível, assim como o amadurecimento de uma pessoa, apesar de ser mais lento. Desta forma, eu espero que hoje na sessão de votação este amadurecimento se mostre, e que interesses mesquinhos de indivíduos não se sobreponham aos interesses de toda uma espécie (espécie humana) e mais ainda, aos interesses do coletivo de espécies que formam não só o ecossistema brasileiro mas todo ecossistema mundial!
Para a natureza, não existem países, o que existe é a própria Terra, que é um sistema único, fechado; onde o que acontece em um local afeta todo o conjunto, e no momento o destino deste sistema assim como o de diversas espécies que dele fazem parte, incluindo a nossa própria, esta nas mãos da espécie humana, e acredito que como dizia o Astrônomo e Astrofísico Carl Sagan, “se os humanos criam problemas, os humanos podem encontrar soluções” e é nessa capacidade humana de encontrar soluções que ainda acredito apesar de tudo.
Mas para tanto, alguns grupos que controlam hoje a economia e a política nacional e mundial deverão ser desafiados.
Tendemos a pensar no imediato, no ontem, no agora! Mas, para a natureza o imediato não existe, ela pode demorar em cobrar suas dividas, mas sempre cobra, assim, espero que a sociedade passe a se interessar mais por esta questão, e que o tratamento que vem se dando não só em relação as mudanças no código florestal, mas em relação a todo o debate ambiental, passe a ser mais pontuado de racionalidade e menos de interesses grupais e individuais.
Que o debate e a decisão sobre o código seja pontuado de racionalidade, mesmo que a conta-gotas, e não da maneira como esta hoje: à conta-gotas mas, sem razão!
Para que então, não precisemos vivenciar na pele o ensinamento que o seguinte ditado que nos foi legado através da sabedoria dos antigos quer passar: “Deus, perdoa sempre, o homem as vezes, a natureza... Nunca!”
Desta forma termino este texto esperando que o dia de hoje não fique marcado como a data do “Inicio do Fim da Razão!”

quinta-feira, 24 de março de 2011

Por decisão do STF, a lei da Ficha Limpa não vale para 2010

Pessoal, o texto abaixo não é meu. É um discurso da Senadora do PSOL que corre o risco de deixar o cargo devido a decisão do STF.
E isso para que Jader Barbalho assuma no lugar dela! Um dos políticos mais envolvidos em escandâlos no nosso país! Tudo isso, por que devido a decisão do STF, a lei da ficha limpa não esta valendo para o pleito de 2010.
Ironia, a coorte mais alta da Justiça do país, premia com esta decisão os corruptos e penaliza aqueles que buscam fazer da política uma ferramenta de construção de uma sociedade melhor!


Antes do discurso da Senadora, eis as acusações que pesam contra Jader Barbalho, já julgadas em segunda instância:


Enriquecimento ilícito - Seus bens e fortuna estão calculados em R$ 30 milhões, segundo reportagem da revista Veja, os quais o Senador não deu explicações de como adquiriu.
Banpará - Segundo relatório da fiscalização do Banco Central, o senador pode estar envolvido no desvio de R$ 10 bilhões do Banco do Estado do Pará. Foram rastreados dois depósitos na conta de Jader.
Sudam - Jader foi o responsável pelas indicações para os altos escalões da extinta autarquia de onde foram desviados mais de R$ 100 milhões, dentre os acusados de desvio está o seu sócio Osmar Borges, a funcionária Maria Auxiliadora Barra Martins.
TDAs - Jader é acusado de ter praticado uma operação fraudulenta usando títulos da dívida agrária na desapropriação de uma fazenda inexistente., que lhe rendeu US$ 1,3 milhão


Agora segue o discurso da Senadora do PSOL pelo Pará:


Marinor Brito faz discurso em Plenário sobre julgamento da Ficha Limpa

Emocionada, a senadora Marinor Brito falou agora a pouco, em Plenário no Senado Federal, sobre sua indignação com os rumos do julgamento da lei da Ficha Limpa e recebeu o apoio de companheiros de partido e de vários parlamentares de diversas siglas partidárias.

“O povo brasileiro precisa participar das decisões políticas do nosso país, tomar decisões para enfrentar o que o Congresso Nacional e o Judiciário não conseguiram enfrentar nas últimas décadas: o combate à corrupção, ao uso do poder econômico que tem definido os rumos da política brasileira.

O povo brasileiro juntou energia para mobilizar o país, de ponta a ponta, para trazer ao Congresso a Lei da Ficha Limpa, com o intuito de barrar os corruptos, que historicamente têm deixado o povo no abandono e representado a fome, a miséria, a prostituição infanto-juvenil, respondido pelo trabalho escravo, pela visão de desenvolvimento macroeconômico e deixado o povo do meu estado e do país na mais miserável condição. O estado do Pará tem sido saqueado historicamente por essa elite podre que se utiliza da máquina pública para sua perpetuação.
Queremos um judiciário transparente e veremos, se não agora, varrido da política brasileira, políticos como Jader barbalho e os ‘Roriz e Malufs’ da vida. Vamos construir passo a passo esse sonho, ocupando espaço nas assembléias legislativas, nas associações de moradores e espaços de combate à homofobia e qualquer tipo de discriminação.

Espaços onde o povo consegue ter vez e voz, com muita dificuldade e sacrifício. Quem aqui chegou ao Senado Federal com R$ 53 mil? Se raposas do poder como Jader barbalho não fizessem propaganda dioturnamente, não tivessem essas benesses, será que estariam com algum percentual de voto?

Custe o que custar, querendo ou não a justiça, nossas vozes não se calarão. O povo brasileiro vai continuar tentando varrer os corruptos da política. O voto tão esperado do Brasil de um advogado de carreira, juiz que não foi questionado pela carreira jurídica quando foi indicado para ser ministro do supremo, não conseguiu acompanhar a vontade do povo brasileiro, em nome das famílias como ele mesmo disse”.