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sábado, 26 de julho de 2014

A Era da Boataria Virtual “A Refinada Arte de Detectar Mentiras” Parte II

É melhor acender uma vela,
 do que praguejar contra a escuridão!
 (Adágio popular)


Conforme o prometido, vamos a segunda parte do texto. Sei que demorei um pouco para publicar a mesma, mas acredito que ela vem em bom momento devido ao processo eleitoral que hora vivenciamos. Afinal, se, infelizmente, é comum ouvir-mos “meias verdades” e falácias no nosso dia a dia, inclusive reproduzidas por meios que supostamente deveriam informar e não ludibriar e manipular, como os meios de comunicação por exemplo, durante o processo eleitoral o encontro do cidadão com esta prática se exponencia.
Nesta segunda parte do texto, pretendo apresentar a continuidade do método de detectar mentiras elaborado por Carl Sagan, se na primeira parte o metodo se concentra no argumento em si, ou seja, em perceber se o argumentado é fato ou falácia/factóide, nesta segunda parte o método se concentra no argumentador. Que técnicas utilizar para perceber se o argumentador esta apenas nos enrolando, tentando nos ludibriar ou se ele realmente tem a intenção de passar algo verdadeiro? Como perceber em um debate, quem tem propriedade para falar sobre o assunto e quem apenas infla o peito e desanda a repetir frases feitas, ou reproduzir ideias pré-concebidas?
Da mesma maneira, esta segunda parte trabalha o método que deve ser utilizado por qualquer um que não queira reproduzir falácias, se a primeira parte do método se centra NO QUE FAZER para detectar falácias, esta segunda parte se centra NO QUE NÃO FAZER para não correr o risco de reproduzi-las sem perceber.
Então, a segunda parte é ao mesmo tempo um método de analise do outro (como o outro esta apresentando a sua argumentação? Ela se entrelaça com os fatos? A natureza dos fatos corrobora com a lógica do argumento?) e um método de auto-analise (como eu devo proceder para não ser enganado [primeira parte do método] e ao mesmo tempo não ser reprodutor inconsciente de falácias [segunda parte do método]?
Quanto ao reprodutor consciente de falácias, ele pode ser desmascarado pelo ouvinte através deste método, tanto quanto a sua falácia!
Enfim, é necessário lembrar que junto com a analise do argumento devemos também analisar o argumentador, e tenho certeza de que se você utilizar este método no seu dia a dia, será menos manipulado e ludibriado, tanto nos negócios, como na politíca (como falei antes vivemos o processo eleitoral) e também no cotidiano diário.
Vamos as dicas do método:

1. quando atacamos o argumentador e não o argumento (por exemplo: A reverenda dra. Smith é uma conhecida fundamentalista bíblica, por isso não precisamos levar a sério suas objeções à evolução);
2. argumento de autoridade (por exemplo: O presidente Richard Nixon deve ser reeleito porque ele tem um plano secreto para pôr fim à guerra no Sudeste da Ásia — mas, como era secreto, o eleitorado não tinha meios de avaliar os méritos do plano; o argumento se reduzia a confiar em Nixon porque ele era o presidente: um erro, como se veio a saber);
3. argumento das consequências adversas (por exemplo: Deve existir um Deus que confere castigo e recompensa, porque, se não existisse, a sociedade seria muito mais desordenada e perigosa talvez até ingovernável. Ou: O réu de um caso de homicídio amplamente divulgado pelos meios de comunicação deve ser julgado culpado; do contrário, será um estímulo para os outros homens matarem as suas mulheres);
4. apelo à ignorância — a afirmação de que qualquer coisa que não provou ser falsa deve ser verdade, e vice-versa (por exemplo: Não há evidência convincente de que os UFOs não estejam visitando a Terra; portanto, os UFOs existem — e há vida inteligente em outros lugares no Universo. Ou: Talvez haja setenta quasilhões de outros mundos, mas não se conhece nenhum que tenha o progresso moral da Terra, por isso ainda somos o centro do Universo). Essa impaciência com a ambiguidade pode ser criticada pela expressão: a ausência de evidência não é evidência da ausência;
5. alegação especial, frequentemente para salvar uma proposição em profunda dificuldade teórica (por exemplo: Como um Deus misericordioso pode condenar as gerações futuras a um tormento interminável, só porque, contra as suas ordens, uma mulher induziu um homem a comer uma maçã? Alegação especial: Você não compreende a doutrina sutil do livre-arbítrio. Ou: Como pode haver um Pai, um Filho e um Espírito Santo igualmente divinos na mesma Pessoa? Alegação especial: Você não compreende o mistério da Santíssima Trindade. Ou: Como Deus permitiu que os seguidores do judaísmo, cristianismo e islamismo — cada um comprometido a seu modo com medidas heróicas de bondade e compaixão — tenham perpetrado tanta crueldade durante tanto tempo? Alegação especial: Mais uma vez você não compreende o livre-arbítrio. E, de qualquer modo, os movimentos de Deus são misteriosos);
6. petição de princípio, também chamada de supor a resposta (por exemplo: Devemos instituir a pena de morte para desencorajar o crime violento. Mas a taxa de crimes violentos realmente cai quando é imposta a pena de morte? Ou: A bolsa de valores caiu ontem por causa de um ajuste técnico e da realização de lucros por parte dos investidores. Mas há alguma evidência independente do papel causal do “ajuste” e da realização de lucros? Aprendemos realmente alguma coisa com essa pretensa explicação?);
7. seleção das observações, também chamada de enumeração das circunstâncias favoráveis, ou, segundo a descrição do filósofo Francis Bacon, contar os acertos e esquecer os fracassos (por exemplo: Um Estado se vangloria do presidente que gerou, mas se cala sobre os seus assassinos que matam em série);
8. estatística dos números pequenos — falácia aparentada com a seleção das observações (por exemplo: ” Dizem que uma dentre cada cinco pessoas é chinesa. Como é possível? Conheço centenas de pessoas, e nenhuma delas é chinesa. Atenciosamente “. Ou: Tirei três setes seguidos. Hoje à noite não tenho como perder);
9. compreensão errônea da natureza da estatística (por exemplo: O presidente Dwight Eisenhower expressando espanto e apreensão ao descobrir que metade de todos os norte-americanos tem inteligência abaixo da média);
10. incoerência (por exemplo: Prepare-se prudentemente para enfrentar o pior na luta com um potencial adversário militar, mas ignore parcimoniosamente projeções científicas sobre perigos ambientais, porque elas não são “comprovadas”. Ou: Atribua a diminuição da expectativa de vida na antiga União Soviética aos fracassos do comunismo há muitos anos, mas nunca atribua a alta taxa de mortalidade infantil nos Estados Unidos (no momento, a taxa mais alta das principais nações industriais) aos fracassos do capitalismo. Ou: Considere razoável que o Universo continue a existir para sempre no futuro, mas julgue absurda a possibilidade de que ele tenha duração infinita no passado);
11. non sequitur — expressão latina que significa “não se segue” (por exemplo: A nossa nação prevalecerá, porque Deus é grande. Mas quase todas as nações querem que isso seja verdade; a formulação alemã era “Gott mit uns”). Com frequência, os que caem na falácia non sequitur deixaram simplesmente de reconhecer as possibilidades alternativas;
12. post hoc, ergo propter hoc — expressão latina que significa “aconteceu após um fato, logo foi por ele causado” (por exemplo, Jaime Cardinal Sin, arcebispo de Manila: ” Conheço [...] uma moça de 26 anos que aparenta sessenta porque ela toma a pílula [anticoncepcional] “. Ou: Antes de as mulheres terem o direito de votar, não havia armas nucleares);
13. pergunta sem sentido (por exemplo: O que acontece quando uma força irresistível encontra um objeto imóvel? Mas se existe uma força irresistível, não pode haver objetos imóveis, e vice-versa);
14. exclusão do meio-termo, ou dicotomia falsa — considerando apenas os dois extremos num continuum de possibilidades intermediárias (por exemplo: Claro, tome o partido dele; meu marido é perfeito; eu estou sempre errada. Ou: Ame o seu país ou odeie-o. Ou: Se você não é parte da solução, é parte do problema);
15. curto prazo versus longo prazo — um subconjunto da exclusão do meio-termo, mas tão importante que o separei para lhe dar atenção especial (por exemplo: Não temos dinheiro para financiar programas que alimentem crianças mal nutridas e eduquem garotos em idade pré-escolar. Precisamos urgentemente tratar do crime nas ruas. Ou: Por que explorar o espaço ou fazer pesquisa de ciência básica, quando temos tantas pessoas sem teto?);
16. declive escorregadio, relacionado à exclusão do meio-termo (por exemplo: Se permitirmos o aborto nas primeiras semanas da gravidez, será impossível evitar o assassinato de um bebê no final da gravidez. Ou, inversamente: Se o Estado proíbe o aborto até no nono mês, logo estará nos dizendo o que fazer com os nossos corpos no momento da concepção);
17. confusão de correlação e causa (por exemplo: Um levantamento mostra que é maior o número de homossexuais entre os que têm curso superior do que entre os que não o possuem; portanto, a educação torna as pessoas homossexuais. (por íncrível que pareça este é um argumento usado por setores fundamentalistas dos EUA para tentar impedir que as pessoas entrem em contato com o pensamento científico na universiade e ao mesmo tempo reproduz o preconceito contra os homossexuais) Ou: Os terremotos andinos estão correlacionados com as maiores aproximações do planeta Urano; portanto — apesar da ausência de uma correlação desse tipo com respeito ao planeta Júpiter, mais próximo e mais volumoso — o planeta Urano é a causa dos terremotos);
18. espantalho — caricaturar uma posição para tornar mais fácil o ataque (por exemplo: Os cientistas supõem que os seres vivos simplesmente se reuniram por acaso — uma formulação que ignora propositadamente a ideia darwiniana central, de que a natureza se constrói guardando o que funciona e jogando fora o que não funciona. Ou isso é também uma falácia de curto prazo/longo prazo — os ambientalistas se importam mais com anhingas e corujas pintadas do que com gente);
19. evidência suprimida, ou meia verdade (por exemplo: Uma “profecia” espantosamente exata e muito citada do atentado contra o presidente Reagan é apresentada na televisão; mas — detalhe importante — foi gravada antes ou depois do evento? Ou: Esses abusos do governo pedem uma revolução, mesmo que não se possa fazer uma omelete sem quebrar alguns ovos. Sim, mas será uma revolução que causará muito mais mortes do que o regime anterior? O que sugere a experiência de outras revoluções? Todas as revoluções contra regimes opressivos são desejáveis e vantajosas para o povo?);
20. palavras equívocas (por exemplo, a separação dos poderes na Constituição norte-americana especifica que os Estados Unidos não podem travar guerra sem uma declaração do Congresso. Por outro lado, os presidentes detêm o controle da política externa e o comando das guerras, que são potencialmente ferramentas poderosas para que sejam reeleitos. Portanto, os presidentes de qualquer partido político podem ficar tentados a arrumar disputas, enquanto desfraldam a bandeira e dão outros nomes às guerras — “ações policiais”, “incursões armadas”, “ataques de reação protetores”, “pacificação”, “salvaguarda dos interesses norte-americanos” e uma enorme variedade de “operações”, como a “Operação da Causa Justa”. Os eufemismos para a guerra são um dos itens de uma ampla categoria de reinvenções da linguagem para fins políticos. Talleyrand disse: “Uma arte importante dos políticos é encontrar novos nomes para instituições que com seus nomes antigos se tornaram odiosas para o público”).

Encerro assim, este texto publicado em duas partes com as palavras do Sagan: “Conhecer a existência dessas falácias lógicas e retóricas completa o nosso conjunto de ferramentas. Como todos os instrumentos, o kit de detecção de mentiras pode ser mal empregado, aplicado fora do contexto, ou até usado como uma alternativa mecânica para o pensamento. Mas, aplicado judiciosamente, pode fazer toda a diferença do mundo — ao menos para avaliar os nossos próprios argumentos antes de os apresentarmos aos outros.” E espero que ao ler as duas partes do texto, você encontre uma ferramenta que possa lhe possibilitar “a refinada arte de detectar mentiras”!


E lembre-se, muitas vezes “a credulidade mata” e isso não é uma frase de efeito!


Este texto se baseia no capítulo 12, do livro O Mundo Assombrado pelos Demônios: a Ciência vista como uma vela no escuro.
O livro pode ser encontrado, em PDF, neste link:
https://www.academia.edu/15585004/Carl_sagan_o_mundo_assombrado_pelos_demonios

sábado, 28 de junho de 2014

A Era da Boataria Virtual e "A Refinada Arte de Detectar Mentiras" I.

A compreensão humana não é um exame desinteressado, mas recebe infusões da vontade e dos afetos; disso se originam ciências que podem ser chamadas “ciências conforme a nossa vontade”. Pois um homem acredita mais facilmente no que gostaria que fosse verdade. Assim, ele rejeita coisas difíceis pela impaciência de pesquisar; coisas sensatas, porque diminuem a esperança; as coisas mais profundas da natureza, por superstição; a luz da experiência, por arrogância e orgulho; coisas que não são comumente aceitas, por deferência à opinião do vulgo. Em suma, inúmeras são as maneiras, e às vezes imperceptíveis, pelas quais os afetos colorem e contaminam o entendimento. (Francis Bacon – Novum organon, 1620)

Algo vem me preocupando nos últimos tempos: a geração e divulgação de boatos, mentiras, falácias, inverdades e meias verdades nas redes sociais. Um fenômeno que pode parecer de pouca importância, mas, sem que percebamos, ele tem influenciado o nosso cotidiano. Muitas vezes de maneira trágica! Lembro aqui o caso recente da mulher que foi morta por linchamento, devido ao fato de ter sido confundida com uma suposta sequestradora, através de um post publicado no facebook. Evento trágico, que foi resultado de mais um boato nesta “Era da Boataria Virtual”! Além de eventos como estes, onde vidas se perdem devido a boatos na internet, temos o uso indiscriminado da divulgação de boatos agora que se aproxima o processo eleitoral. Pautados no fato das pessoas não buscarem as fontes do que veem, partidos e candidatos usando de má fé se utilizam desta ferramenta para difamar os adversários.

Vivemos na sociedade da mentira, o boato, a falácia, fazem parte do mundo político, social e do mercado. É só repararmos nas propagandas que prometem milagres induzindo as pessoas a comprarem a felicidade e a juventude, é só lembrarmos dos discursos de políticos que utilizam da retórica para mover as massas de acordo com seus interesses, evento recente foi o processo de mudanças no código florestal, onde pequenos agricultores foram induzidos a partir da retórica de deputados ruralistas a apoiarem os projetos deste setor político, mesmo que estes projetos não beneficiassem estes pequenos agricultores utilizados no processo, mas sim os latifundiários.
Entendo que na "Era da Boataria Virtual" as vezes é difícil distinguir o que é fato e o que é boato, mas existe uma ferramenta que pode servir de base para isso. São alguns procedimentos simples que se bem utilizados podem nos servir como uma espécie de "Detector de Mentiras". Nos anos 80 Carl Sagan publicou um artigo chamado "A Refinada Arte de Detectar Mentiras", neste artigo ele nos apresenta uma síntese deste método que apresento logo abaixo

Segundo Sagan ao analisarmos uma ideia ou proposição (uma proposição neste sentido pode ser uma afirmação política, cientifica ou religiosa, uma suposta noticia, ou até uma propaganda de algum produto):

"A questão não é se gostamos da conclusão que emerge de uma cadeia de raciocínio, mas se a conclusão deriva da premissa ou do ponto de partida e se essa premissa é verdadeira.


Eis algumas das ferramentas:

1- Sempre que possível, deve haver confirmação independente dos “fatos”.
2- Devemos estimular um debate substantivo sobre as evidências, do qual participarão notórios partidários de todos os pontos de vista.
3- Os argumentos de autoridade têm pouca importância — as “autoridades” cometeram erros no passado. Voltarão a cometê-los no futuro. Uma forma melhor de expressar essa ideia é talvez dizer que na ciência não existem autoridades; quando muito, há especialistas.
4- Devemos considerar mais de uma hipótese. Se alguma coisa deve ser explicada, é preciso pensar em todas as maneiras diferentes pelas quais poderia ser explicada. 
5- Depois devemos pensar nos testes que poderiam servir para invalidar sistematicamente cada uma das alternativas. O que sobreviver, a hipótese que resistir a todas as refutações nessa seleção darwiniana entre as “múltiplas hipóteses eficazes”, tem uma chance muito melhor de ser a resposta correta do que se tivéssemos simplesmente adotado a primeira ideia que prendeu nossa imaginação.
6- Devemos tentar não ficar demasiado ligados a uma hipótese, só por ser a nossa. É apenas uma estação intermediária na busca do conhecimento.
7- Devemos nos perguntar por que a ideia nos agrada.

8- Devemos compará-la imparcialmente com as alternativas.
9-Devemos verificar se é possível encontrar razões para rejeitá-la. Se não, outros o farão.

10- Devemos quantificar. Se o que estiver sendo explicado é passível de medição, de ser relacionado a alguma quantidade numérica, seremos muito mais capazes de discriminar entre as hipóteses concorrentes. O que é vago e qualitativo é suscetível de muitas explicações. Há certamente verdades a serem buscadas nas muitas questões qualitativas que somos obrigados a enfrentar, mas encontrá-las é mais desafiador.
11- Se há uma cadeia de argumentos, todos os elos na cadeia devem funcionar (inclusive a premissa) — e não apenas a maioria deles.
12- A Navalha de Occam. Essa maneira prática e conveniente de proceder nos incita a escolher a mais simples dentre duas hipóteses que explicam os dados com igual eficiência.
13- Devemos sempre perguntar se a hipótese pode ser, pelo menos em princípio, falseada. As proposições que não podem ser testadas ou falseadas não valem grande coisa. Considere-se a ideia grandiosa de que o nosso Universo e tudo o que nele existe é apenas uma partícula elementar — um elétron, por exemplo — num Cosmos muito maior. Mas, se nunca obtemos informações de fora de nosso Universo, essa ideia não se torna impossível de ser refutada? Devemos poder verificar as afirmativas. Os céticos inveterados devem ter a oportunidade de seguir o nosso raciocínio, copiar os nossos experimentos e ver se chegam ao mesmo resultado."


Estas dicas acima fazem parte do chamado Método Científico, e podem ser utilizadas (cada uma delas dentro de suas especificidades) também no cotidiano, ao lidarmos com boatos nas redes sociais, ao lidarmos com a política e com políticos, e até nas relações de consumo.”
Agora que você sabe o que fazer para filtrar o boato da verdade, a falácia do fato siga esta dica NÃO DIVULGUE BOATOS! USE ESTA PEQUENA RECEITA NO SEU DIA A DIA E SEJA MENOS MANIPULADO E ENGANADO! 

No próximo texto irei trabalhar, a partir do mesmo artigo “A Refinada Arte de detectar Mentiras” como detectar as “falácias mais comuns” e “perigosas da lógica e da retórica” que muitas vezes costumamos ver sendo utilizadas por ai, inclusive por políticos (quando não principalmente por estes).

Este texto se baseia no capítulo 12, do livro O Mundo Assombrado pelos Demônios: a Ciência vista como uma vela no escuro.
O livro pode ser encontrado, em PDF, neste link:
https://www.academia.edu/15585004/Carl_sagan_o_mundo_assombrado_pelos_demonios

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Entre "desfiles" e "casacos"...

Faltando ainda praticamente um ano para a eleição de 2012, nomes já começam a pipocar em nossa cidade, divulgando que serão, que cogitam, ou que pretendem ser candidatos a prefeito em Marechal Cândido Rondon. Toda véspera de eleição é a mesma coisa, surgem nomes de todos os lados, para todos os gostos. A fauna é variada! As trocas de partido são constantes! Mas quando chega o processo eleitoral, poucos mantém o afirmado anteriormente (afinal muitos afirmam apenas na intenção de valorizar seus nomes para futuras barganhas) e saem realmente candidatos. Valem mais os acordos firmados entre os grupos, do que a palavra veiculada e divulgada para o povo.
Fonte: http://curiofisica.com.br/direito/infidelidade-partidaria
Enfim, ao que parece temos em nossa cidade cinco nomes (se minha conta não estiver desatualizada) divulgados como prováveis candidatos a prefeito, cinco candidaturas que já desde o seu inicio se pautam no individuo e não no coletivo, e apenas uma candidatura partidária que praticamente não foi divulgada (esta seria a sexta candidatura se o atual quadro se mantiver), talvez pelo fato de a mesma não divulgar indivíduos, mas sim um projeto de cidade. É assim que funciona a política brasileira, e assim vai funcionar enquanto o povo não participar diretamente do processo, pautada no personalismo e jamais no coletivo.
Apresentam-se nomes de candidatos como se fossem nomes de redentores, de salvadores da comunidade, não se debatem projetos, mas sim pessoas, este é melhor por que tem cabelo curto, aquele é pior por que tem cabelo comprido, em sua maioria os argumentos utilizados no debate político estão neste nível. Não é a toa que a classe trabalhadora (que tem mais o que fazer do que cuidar do cabelo alheio) se distância cada vez mais do mundo político.
Fonte: http://ninhodavespa.blogspot.com/ (apesar de a charge nominar FHC ela serve para mais de 90% dos políticos)
O problema é que vácuo não existe, assim como a natureza pelas leis da física não suporta a existência de vácuo o mesmo ocorre no meio social, se aqueles que pretendem algo de bom para a classe trabalhadora se afastam, outros ocupam seu lugar, e muitas vezes estes outros são oportunistas que desfilam com o casaco da mudança, mas ao chegarem nos gabinetes e tirarem o casaco fica claro quem realmente são, e quem representam.
Fonte: http://curiofisica.com.br/direito/infidelidade-partidaria
Assim, venho observando um verdadeiro “desfile de moda”, onde a mudança é apresentada nos seus mais variados tons e cores, em diversos “casacos”. Resta à classe trabalhadora, perceber quem defende a mudança por também necessitar dela, por ter vivido, e estar vivenciando esta necessidade, como você caro trabalhador. E não aquele, ou aqueles, que apresentam a mudança, por que agora, no “desfile de moda” que começa um ano antes do processo eleitoral, se apresentam de roupagem nova. Pois, creio que todos conhecem aquela estória que diz que, muitas vezes nos guarda roupas se escondem monstros.
Desta forma caro cidadão, você que trabalha todos os dias, paga seus impostos em dia e a única coisa que quer em troca, é que este dinheiro reverta em benefícios para toda a comunidade, como saúde, educação, uma boa infra-estrutura na cidade, enfim: qualidade de vida! Pense muito bem! Analise e observe o “desfile”! Veja, quem desfila com a roupagem da mudança e aquele que não desfila com a roupagem da mudança, por que ele ou eles dizem que a mudança não parte de uma pessoa ou de um grupo, mas sim da participação ativa da comunidade na vida política e administrativa de seu município.
Ou seja! A mudança não é um casaco, uma roupagem! Mas é você mesmo caro trabalhador! A mudança esta em suas mãos, se você quer você pode fazer! Não deixe que outros digam que farão por você, por que como a experiência nos ensina, aqueles que isto alegam, sempre estarão apresentando mais do mesmo!
Não existe “casaco da mudança”! Ou seja, não adianta a quem já tem um histórico agora querer se apresentar com roupagens diferentes! O que existem são pessoas dispostas a mudar as coisas, e lutar para que elas mudem, e estas muitas vezes nem tem condições de comprar um casaco!
Estamos em outubro de 2011, por isso caro cidadão você tem pouco menos de um ano para analisar as coisas com relação ao processo eleitoral, mas para começar a atuar em prol de uma mudança talvez você já esteja atrasado! Que tal começar a atuar agora?
Abraços a todos, e sem casacos!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A diferença entre falar em Democracia e praticar Democracia!

 “... cuidado com aqueles que se dizem democratas!”

Ao avaliar o que está acontecendo após o processo eleitoral da APP-Sindicato no dia 22/09/11, entendemos a citação acima, de um professor do Curso de Direito da Unioeste! É muito fácil falar de democracia, na verdade é até moda falar de democracia. Mas, não é fácil aplicar a democracia, pois democracia implica a ação, atitude conforme o discurso, ou seja, que aquele que esta no comando deixe o comando sem questionar, quando assim é decidido pela maioria.
O poder vicia! E a sociedade capitalista faz com que o ser humano se torne altamente propenso a vícios. Logo, o vicio do poder também é algo que prejudica e ataca à democracia, principalmente, no caso da APP, quando aqueles que deveriam deixar o poder justamente por obediência ao princípio da democracia, não o fazem e ainda conclamam que não o estão fazendo em respeito à própria democracia.
Piada! É como o estuprador que diz estuprar por amor! É exatamente como o torturador, que tortura com a desculpa que o faz pelo bem do próprio torturado!
Como alguém que não respeita a vontade da maioria, pode levantar argumentos para embasar essa sua falta de respeito, a partir de uma suposta defesa da democracia? Existe democracia de poucos? No nosso entender tal democracia seria mais bem denominada se chamada de oligarquia, ditadura e/ou até aristocracia!
A APP-Sindicato do núcleo de Toledo vive hoje esta situação! Houve o processo eleitoral, e sagrou-se vencedora neste processo, para a direção regional, a chapa 02 com 458 votos, contra 451 da chapa 01. Ainda para a direção estadual foram 473 votos da chapa 01 contra 423 da chapa 02. Em nenhum momento a chapa 02 questionou o resultado da eleição para a direção estadual, (ao contrário do que certos materiais por aí andam veiculando). Diferente da chapa 01, esta sim questionou o resultado para a direção regional.
O problema não é questionar o resultado. Desde que respeitado os trâmites legais, em momento hábil, com registro em ata no momento da escrutinação dos votos. Na regional de Toledo no momento da apuração, ambas as chapas aceitaram o resultado, e, passados três dias da apuração, após ter acatado a decisão das urnas, para surpresa de todos, inclusive da base, a chapa 01 entrou com recurso.  Nossa sociedade é pautada em regras, regras estas que tem como intenção a boa convivência entre os indivíduos, pois se tais regras não existissem o caos estaria colocado, pois cada um faria o que lhe viesse “a telha”.
Esse processo eleitoral é pautado na ditas regras, sendo estas expressas no regimento eleitoral que coordenou o pleito regional. O regimento eleitoral das eleições 2011 da APP-Sindicato, foi um documento aprovado em Assembleia, como foi amplamente divulgado e aplaudido pela chapa 01 durante todo o processo eleitoral. A chapa 02, mesmo não concordando com alguns pontos do regimento sempre o cumpriu durante todo o processo, e agora reivindicamos que ele seja também cumprido pela comissão eleitoral estadual e a chapa 01. E o que diz este regimento? Este regimento, aprovado em assembléia  diz que caso uma das chapas tenha algum questionamento ou recurso a fazer sobre as eleições ela deve fazer no momento da apuração dos votos, para a mesa apuradora. A mesa apuradora então, sob o referendo da assembléia de apuração ira deferir ou não o recurso apresentado.
Caso o recurso seja indeferido ele deve constar na ata de apuração, e só então a comissão eleitoral estadual poderá analisar o mesmo, ou seja, pequena liçãozinha básica de Direito: a comissão eleitoral estadual tem poder residual! Ela só pode analisar os recursos, que constem na ata da apuração e tenham sido indeferidos pela mesa apuradora e assembléia de apuração.
Qual então é o problema que esta ocorrendo na eleição regional da APP? O problema, é que no momento da apuração ninguém questionou nada, nenhuma das chapas. Ambas acataram o resultado, a chapa vencedora (é lógico) e a chapa perdedora a chapa 01 não entrou com nenhum recurso no momento devido, e este momento deveria ser preservado inclusive para evitar risco de fraude nas eleições.
Na ata de apuração não consta nenhum recurso, o recurso foi apresentado três dias depois do prazo e para a comissão eleitoral estadual, que não pode pelo regimento (aprovado em assembléia) receber recursos diretamente de uma das chapas regionais, pois nestes casos ela tem poder residual, só pode como já foi dito, avaliar os recursos que foram indeferidos no momento da apuração e que constem nas respectivas atas de apuração.
É muito estranho então, que após três dias, depois de terem acatado o resultado, entrem com recurso, indo contra o regimento. Mas, ainda mais estranho, é a comissão eleitoral estadual acatar um recurso, que esta totalmente prescrito por não ter cumprido os prazos e ainda querer fazer uma recontagem que também não esta prevista, nem no regimento e nem no estatuto do sindicato, exatamente como descreve a liminar que a chapa 02 conseguiu na justiça.
Que interesse tem a comissão em acatar um recurso que descumpre o regimento e estatuto? Que interesse tem a chapa, perdedora que lhe fez mudar de ideia desta maneira? Logo uma comissão que se diz democrática, e uma chapa que apela para o respeito à democracia? Agem de forma antidemocrática, apelando para o discurso de democracia de forma a tentar legitimar os seus atos que desrespeitam esta mesma democracia!

A chapa 1 no seu segundo recurso alega que há vários votos em separado que não foram contados no dia da apuração. E que estas pessoas estariam em dia com a contribuição da APP. Pois bem, no dia da eleição não estavam em dia, tanto que os votos foram tomados em separado. E na hora da apuração, foi consultado o sistema da APP (novamente ao contrário do que esta sendo divulgado) se verificou a pendência destas pessoas, mostrando que elas não estavam em dia com a contribuição sindical. O regimento das eleições afirma no artigo 15: “Será considerado apto a votar nas eleições o integrante da categoria que se filiar até o dia 24 (vinte e quatro) de junho de 2011 e que estiver em dia com as mensalidades sindicais no dia das eleições. (Art. 136 do estatuto)”. Portanto, se no dia da eleição não estavam em dia, esses votos não devem ser contados. Mais uma vez a chapa 1 quer descumprir o regimento eleitoral, aprovado em assembleia. Por que não querem seguir o regimento? O regimento só deve ser seguido quando convém a eles?
São perguntas que devem ser respondidas respeitando os direitos democráticos de todos os sindicalizados! A chapa 02 sempre respeitou a legitimidade do processo, mesmo questionando alguns aspectos, respeitamos o que foi determinado no Regimento e no Estatuto, aprovado em Assembleia. Nós, chapa 02, queremos mostrar com atitude o que é democracia, indo além do discurso.

Abraços a todos! Tanto aos que votaram na Chapa 02 como os que votaram na Chapa 01, mas estão surpresos com a falta de respeito a democracia interna de nosso sindicato!
Ass.
Chapa 02 – Eleita direção do núcleo de Toledo, mas que ainda não tomou posse, por que alguns que falam em favor da democracia agem contra ela!
Você também pode visualizar este e outros textos em: http://appdeluta.blogspot.com/

quinta-feira, 24 de março de 2011

Eleições na Unioeste! Centro Acadêmico de Direito.

Pessoal, aconteceu hoje a Eleição para a nova Direção do Centro Acadêmico de Direito da UNIOESTE - Campus de Marechal Cândido Rondon, "Centro Acadêmico XVIII de Novembro".
A chapa (única) à concorrer, nominada Força e Ação compõe-se da seguinte maneira:

Presidente: Luyki Rafael Drehmer
Vice-Presidente: Henrique Daubermann

1º Secretario: Luciano Egidio Palagano
2ª Secretaria: Gabriela Cortelini

Tesoureiro: Leonardo Casagrande Armange
Vice-Tesoureiro: Moacir De Grande Neto

Secretaria de Formação Política: Jordana Uliano e Luciano Vorpagel

Secretaria de Imprensa: Ana Paula Campanelli e Nataly Zorzo Rotta

Secretaria de Relações Públicas: Luana Mattos e Mariane Bolson

Secretaria de Eventos: Gabriel Alano e Kauê Perez


Dos mais de 200 acadêmicos, 89 participaram das eleições, lembrando que o voto não é obrigatório.
Destes, 77 votaram sim e 12 votaram não, oficializando assim a vitória da Chapa Força e Ação.
Esperemos agora que a chapa consiga cumprir com aquilo que propôs. E claro, como este que vos escreve é membro da mesma, não posso fugir a minha responsabilidade.
Então, qualquer cobrança ou sugestão, também podem se dirigir a mim, como a qualquer membro da chapa!
Agradeço aos acadêmicos que participaram! Tanto os 77 votos a favor como os 12 contrários. E espero que passado o período da gestão os 12 votos contrários se transformem em votos favoráveis, ao verem o trabalho sendo realizado. Assim como aqueles que não participaram, passem a participar ao verem que o C.A. começa a trabalhar!
Seguem algumas fotografias do dia, tanto da eleição como da contagem dos votos:






Mais uma vez agradeço a todos, e convido para a cerimônia de posse, amanhã às 9h20min, na sala do C.A. de Direito.