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quinta-feira, 9 de maio de 2013

UM POUCO DE BOM SENSO, NÃO FAZ MAL A NINGUÉM...


"O bom senso é a coisa do mundo mais bem distribuída: todos pensamos tê-lo em tal medida que até os mais difíceis de contentar nas outras coisas não costumam desejar mais bom senso do que aquele que têm." (René Descartes)

"Não basta termos um bom espírito, o mais importante é aplicá-lo bem." (René Descartes)

Olá pessoal! Faz tempo que não escrevo, não é mesmo? Já estava com saudades de vocês, mesmo dos que leem o blog só para fazer a critica depois (hehehehe) afinal, aqui não temos medo de criticas, temos medo é da ausência de capacidade de uma critica consistente!
Quero começar este texto invocando as duas reflexões acima de autoria de René Descartes. A primeira (que fala diretamente sobre BOM SENSO), faz menção a quantidade de bom senso que cada um tem, e ao mesmo tempo o quanto cada um acredita ter. A frase levanta o fato, de que muitas vezes nos achamos portadores da verdade e do chamado bom senso, e nem sempre (justamente por nos visualizarmos desta forma) agimos como se realmente o tivéssemos  pois ao acharmos que estamos sempre certos, de que nossas ideias são as corretas e não aceitarmos coloca-las a prova, fugimos exatamente daquilo que dizemos ter: BOM SENSO.
A segunda frase nos alerta que não basta termos “bom espirito”, ou seja, termos capacidade de análise critica dos fatos, para separarmos a mentira e a enganação da verdade. É necessário usar esta capacidade, pois uma capacidade que existe mas não é usada, tem resultado nulo, a consequência do não uso é a mesma de sua não existência.
Por que estas duas frases? Por que invocar a capacidade de discernimento e o bom senso (além do fato de ser “Chiquê” começar um texto citando Descartes (risos))? Porque o que estamos vendo ocorrer na Região Oeste do Paraná ultimamente, é exatamente o contrário disso: DISCERNIMENTO e BOM SENSO. E infelizmente, mesmo pessoas com senso critico, estão caindo em um discurso falacioso e disseminador do ódio. É incrível, mas isso mostra que precisamos sempre estar alertas para nos atermos ao Bom Senso, e utilizarmos o nosso Senso Critico (que é nato ao ser humano, pois se não o fosse não haveria ciência  esta que é uma produção humana entre todas as especies da Terra, e tem como base o senso critico, que tem como base a razão, e que leva ao discernimento da verdade) antes de acreditarmos nas informações que nos são apresentadas, sejam por autoridades, sejam pela mídia  seja inclusive por este blog. Por este Blog??? Sim! Por que não? Afinal, o próprio nome do Blog apela a Razão, logo não quero que o leitor seja um crédulo, nem mesmo em mim. Pois a fé pertence à esfera da religião, e aqui não fazemos religião, apesar de, de vez em quando, falarmos sobre! Ou seja, devemos apelar sempre ao Bom Senso, mas para conseguirmos isso precisamos usar de nosso Senso Critico! E é justamente o caminho contrário a este, que vem sendo apontado a população da Região Oeste nos últimos tempos, inclusive por diversas de suas lideranças politicas.
A Universidade, como um espaço de desenvolvimento do pensamento científico  do discernimento, do senso critico, do conhecimento, do BOM SENSO baseado no método científico cartesiano, tem papel fundamental em tentar apontar outro caminho a população oestina.
E foi (e esta sendo) com esta intenção, que diversas entidades ligadas a UNIOESTE (juntamente com outras entidades externas) estão se organizando para trazer um pouco de BOM SENSO ao debate sobre a Questão Indígena no Oeste do Paraná. O primeiro ato destas entidades foi (após uma visita ao Município de Guaíra), construir um documento intitulado MANIFESTO DE APOIO AOS INDÍGENAS DE GUAÍRA E TERRA ROXA NO PARANÁ/BRASIL que buscou iniciar um contraponto no debate exposto, buscando apresentar os argumentos do Movimento Indígena colocados por eles mesmos. Pois vem se percebendo que existe uma desigualdade (que esta vinculada ao peso do poder econômico e politico na balança social), com relação a possibilidade de exposição dos argumentos e pautas de cada lado. Outra coisa que se percebeu, é que existe uma certa confusão que é explorada por algumas pessoas (que mantém interesse econômico e politico na região) com relação a questão da demarcação de uma ou algumas possível/possíveis reserva(s) indígena(s) no Oeste do PR. E esta confusão (que esta sendo muito bem explorada por alguns, no lugar de ser desfeita) é solo fértil para um discurso de ódio que traz à região um clima de tensão e medo, o que possibilita o uso da população (principalmente dos pequenos produtores) no apoio de pautas que são de interesses, principalmente, do grande latifúndio e não destes mesmos pequenos produtores.
Como foi colocado acima, diversas entidades da UNIOESTE estão se mobilizando na tentativa de trazer um pouco de BOM SENSO a este debate, e desmistificar muitas das mentiras e meias verdades que estão sendo divulgadas, o primeiro ato foi o lançamento da nota mencionada, o segundo ato foi uma entrevista em uma radio regional com uma liderança indígena, com o indigenista da FUNAI e um representante do Centro Acadêmico de Direito XVIII de Novembro.
O terceiro ato ocorreu ontem, com um evento na UNIOESTE Campus de Toledo que reuniu diversos acadêmicos de diversos cursos, e tinha na composição da mesa a Prof. Dra. Marise Rauber Engelbrecht do curso de Serviço Social, o Indigenista da FUNAI Diogo de Oliveira, e duas lideranças indígenas: Cacique Ilson Soares Karai Okasu e a Vice-líder Paulina Martins Kunha Takua, ambos da aldeia Tekoha y Hovy. O encontro serviu como um momento de apresentação dos anseios da população indígena do Oeste, e desmistificou para os acadêmicos muitas das mentiras que estão sendo propaladas na região. Inclusive por diversas lideranças politicas e alguns órgãos de imprensa que caem no (e reproduzem o) discurso, talvez sem verificarem a veracidade das informações.
Não vou aqui fazer uma descrição do debate, pois você, caro leitor, pode assistir  vídeo abaixo e ver pessoalmente (em vídeo, é claro) o que foi apresentado. Afinal, é sempre bom ter a informação direto da fonte, não é mesmo?
Clique aqui e veja o depoimento das duas lideranças indígenas presentes no evento, e entenda o que eles realmente querem
No dia 14/05/13 ocorrerá encontro com proposta semelhante, desta vez no Campus de Marechal Cândido Rondon com a presença do Indigenista Diogo de Oliveira. É a UNIOESTE, cumprindo com seu papel de UNIVERSIDADE, que esta muito além de ser apenas um local de Ensino, a UNIVERSIDADE deve ser um local de difusão da Razão, do Bom Senso, do Senso Critico, todos critérios fundamentais para o pensamento cientifico e que deveriam estar na base do pensamento da população em geral. Mas não estão, e não por culpa desta mesma população, e sim muitas vezes por culpa daqueles que são beneficiados politica e economicamente pela sua ausência. Desta forma, as entidades, e através das entidades a UNIOESTE, contribuem para a construção de uma solução razoável para a situação posta.
E a luta continua... sempre por um mundo melhor, onde não haja mais desigualdade de classe, ou seja, onde não haja mais classes sociais!
Vejam abaixo algumas fotografias do evento do dia 08/05:
Apresentação Cultural
Apresentação Cultural


Apresentação Cultural
Apresentação Cultural
Apresentação Cultural. Integração! ;)



Apresentação Cultural: Integração II ;)

Na mesa: Diogo de Oliveira, Ilson Soares Karai Okasu e Paulina  Martins  Kunha Takua

Na mesa: Prof. Dra. Marise Rauber Engelbrecht, Diogo de Oliveira, Ilson Soares Karai Okasu e Paulina  Martins  Kunha Takua

Paulina Martins Kunha Takua

Alguns integrantes da Organização do evento, juntamente com  Diogo de Oliveira e as lideranças indígenas.


terça-feira, 17 de maio de 2011

Trabalho por comida é coisa do tempo da escravidão!

"Na Política de Educação Superior a assistência estudantil tem como finalidade prover os recursos necessários para transposição dos obstáculos e superação dos impedimentos ao bom desempenho acadêmico. Assim sendo ela transita em todas as áreas dos direitos humanos, compreendendo ações que proporcionem desde as ideais condições de saúde, o acesso aos instrumentais pedagógicos necessários à formação profissional, nas mais diferentes áreas do conhecimento, o acompanhamento às necessidades educativas especiais, até o provimento dos recursos mínimos para a sobrevivência do estudante tais como moradia, alimentação, transporte e recursos financeiros. " (A ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL NO ÂMBITO DA POLÍTICA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR PÚBLICA - Assistente Social formada pela UEL, mestre em Política Social e Serviço Social pela PUC – SP e Doutora em História pela UNESP – Assis – SP. Docente do Departamento de Serviço Social e Diretora Do Serviço de  Bem Estar da Universidade Estadual de Londrina – PR)


Uma da bandeiras de luta do movimento estudantil é a assistência estudantil, como descrito acima por assistência entendemos não apenas a disponibilização de livros e materiais de pesquisa (que são extremamente necessários) mas também a construção de uma base material, que dê possibilidades reais do acadêmico se manter na universidade, e é neste ponto que entram questões como, Casa do Estudante e Restaurante Universitário.

E foi em busca da concretização de uma política efetiva de assistência estudantil que ocorreu hoje, uma manifestação dos acadêmicos da Unioeste do Campus de Marechal Cândido Rondon - PR.
A manifestação que foi chamada e organizada pelo Diretório Central dos Estudantes, em conjunto com os Centros Acadêmicos dos diversos Cursos, entre eles os CA's de Direito e História, teve por objetivo, chamar a atenção da comunidade local e da Direção de Campus, para esta antiga reivindicação do Movimento Estudantil da Unioeste.
Vivenciamos hoje em Marechal Cândido Rondon, uma situação onde diversos estudantes para poderem se alimentar, chegam a se submeter ao trabalho por comida, sim, eu sei que isso é uma grave denúncia, mas é apenas a descrição da realidade, e tal fato demonstra a necessidade urgente de um Restaurante Universitário em nossa cidade.
A lei diz que o Governo deve finânciar a educação de forma integral, e isso significa não só o espaço fisíco, materiais e professores, mas também dar a possibilidade do acadêmico se manter na Universidade. Levantamentos feitos pelo movimento estudantil, indicam que em média um acadêmico gasta em Marechal Cândido Rondon perto de R$150,00 por mês apenas com alimentação. 
Parece pouco, mas se somarem o aluguel (pois não há casa do estudante), os livros, as cópias de material de estudo, a locomoção e os diveros outros gastos, o custo de se manter na universidade aumenta a tal ponto, que diversos acadêmicos acabam desistindo dos cursos que estão fazendo por não terem como arcar com tais gastos.

E esse valor de R$ 150,00 é gasto por aquele acadêmico que tem possibilidade de disponibilizar o mesmo por mês em alimentação, quem não tem acaba muitas vezes se submetendo ao fato de ter de trabalhar em troca de uma refeição. Coisa que é impensável nos dias de hoje.
Uma situação como esta é análoga a escravidão!

Logo a pauta, além de ser legítima, é mais do que urgente! Queremos um RU.

A mobilização que aconteceu hoje, teve a adesão e participação de diversos cursos, e como resultado foi marcada uma reunião entre a Direção de Campus e as executivas do DCE e dos Centros Acadêmicos para o dia 23/05 (Segunda Feira) às 14:00hs, antes da mesma será feita uma reunião entre o DCE e os CA's na próxima Quinta Feira.
O Centro Acadêmico de Direito se reúne amanhã em reunião ordinária, tendo como um dos pontos de pauta a reunião com a Direção de Campus na próxima segunda.
Assim, começamos a perceber que o movimento estudantil na UNIOESTE continua vivo, lembrando que a própria UNIOESTE é símbolo da luta do movimento estudantil por ensino público, gratuito e de qualidade, uma vez que a mesma surgiu como resultado da luta do movimento estudantil universitário em nossa região, no final da década de 1980 e inicio da década de 1990.
Assim, se a UNIOESTE é o que é hoje, é devido em grande parte ao movimento estudantil, e se a UNIOESTE pode melhorar quem vai dar o tom desta melhora é também o movimento estudantil. Mas quero aproveitar e deixar um lembrete, tanto aos acadêmicos em geral, quanto as instituições do movimento: devemos lembrar que o movimento estudantil deve ser independente.
O mesmo deve lutar em prol dos acadêmicos, não se submetendo a joguetes de forças internas sejam oriundas de onde forem estas forças. O RU deve ser conquistado! O RU vai ser conquistado! Mas, o RU não pode ser utilizado como bandeira de marketing, ou políticagem! O movimento estudantil deve ser independente de grupos externos ao mesmo, colocando ele mesmo a sua própria pauta, deixando claro que independencia não significa isolamento, mas apenas, não submissão!

Assim, parabenizo aos acadêmicos que participaram e estão participando do movimento! Parabenizo a todos, sem exceção, e conclamo aqueles que ainda não abraçaram a causa a abraçarem.
Nos ajudem a levantar esta bandeira, pois todos serão beneficiados pela concretização deste sonho!
Tanto os acadêmicos em geral, como a própria comunidade externa a UNIOESTE!


Por isso repito: RESTAURANTE UNIVERSITÁRIO JÁ! TRABALHO POR COMIDA É DO TEMPO DA ESCRAVIDÃO!

NAS PRAÇAS, NAS RUAS, QUEM DISSE QUE SUMIU? HOJE SE VIU PRESENTE O MOVIMENTO ESTUDANTIL!

E lembrem-se: A luta apenas começou! Não iremos parar enquanto não conseguirmos nosso objetivo!

Abaixo alguns links que direcionam a reportagens sobre a manifestação:

http://www.atlantidafm.com/atlantida/ver_noticia.php?not=30180

http://www.aquiagora.net/verNoticia.php?nid=17353

http://casadenoticias.com.br/noticias/2430

Jornal O Presente

Cobertura Jornal O Presente: Fotografias

Algumas Fotografias da Manifestação:






Fonte das imagens:
http://www.opresente.com.br/municipio/noticias/12565/?noticia=academicos-cobram-em-protesto-restaurante-universitario

Caro leitor, quero colocar aqui um adendo ao texto:
Além do DCE e dos Centros Acadêmicos de Direito e História, participaram da mobilização os C.A's de Geografia, Ed. Física e Letras (Noite).
Abraços!