quinta-feira, 30 de maio de 2013

CORPUS CHRISTI – CORPO DE CRISTO: Uma inquietação e uma reflexão!

 Data de Corpus Christi, data da adoração do Corpo de Cristo! Hoje, ao observar uma passeata de Corpus Christi me senti indignado, com vontade ir ao meio da procissão e gritar alto isso que aqui estou escrevendo. Por que não o fiz? Para não estragar a procissão e por que acredito que o silêncio das palavras escritas, tem muito mais força do que uma voz que sopra no vento, pois a letra escrita apesar de silênciosa, se mantém inalterada para todo o sempre, o mesmo não acontecendo com a palavra dita.
Corpus Christi, a data em que os Cristãos fazem a adoração daquele que para eles é considerado o Deus Vivo, é uma pena que muitos dos que “adoram”, cantam glória, e oram pelas ruas nas procissões não o “Adoram” e nem o “Glorificam” com a sua vida diária.
“Este povo somente me honra com os lábios, seu coração porém, está longe de mim. Vão é culto que me prestam, por que ensinam preceitos que só vem dos homens” (Is 29,13)
Quantos destes que oram, que honram a seu Deus com os lábios, o fazem com o coração e com gestos diários de amor, caridade verdadeira, luta pela justiça e abandono daquilo que é uma das mais pecaminosas manifestações do mal em nosso tempo: A EXPLORAÇÃO DO HOMEM PELO PRÓPRIO HOMEM?
Quantos Sacerdotes e Leigos, não fazem festas regadas e pagas pelo dinheiro retirado do trabalho suado e muitas vezes sangrado da classe trabalhadora, aqui em nossa região e pelo mundo afora? Quantos Cristãos, Leigos e Sacerdotes, quando chamados a tomar uma posição na sociedade, tomam a posição do opressor? Mesmo quando se dizem neutros, pois a neutralidade é sempre a manifestação da concordância com a situação presente.
Pois o próprio Cristo disse, e relembro aqui a vocês: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque, ou odiará a um e amará o outro, ou dedicarse-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à Riqueza.” (Mat 6,24)

À quem vocês, estão servindo na sua vida? Fora das quatro paredes do templo, no dia a dia, no contato com as outras pessoas, no contato com os irmãos e irmãs. A DEUS OU A RIQUEZA?
À quem vós Sacerdotes da Igreja, servem? A DEUS OU A RIQUEZA?
À quem vós Pastores, servem? A DEUS OU A RIQUEZA?
O Evangelho é claro, não se pode servir aos dois, ou se serve a um, ou se serve a outro!
Sobre a situação das Igrejas na atualidade, que mais se preocupam com o dinheiro do que com a fé, que mais se procupam em servirem como aliadas dos exploradores do que em colaborar na luta pela libertação humana eu lembro outra passagem do Evangelho de Mateus, passagem citada por Cristo ao Expulsar os Vendilhões do templo (fato que posteriormente foi usado contra ele para justificar seu assassinato): “Minha casa é uma casa de oração (Is. 56,7), mas vós fizestes dela um covil de ladrões! (Jer 7,11).

Uma Igreja que ostenta luxo, ouro, dinheiro, que busca a pecúnia no lugar de ajudar e colaborar na luta com os humildes, não é digna deste mesmo Cristo que usam para conseguir tudo isso! E para termirnar esta breve reflexão, que é fruto da indignação com a Hipocrisia de poucos, mas que infelizmente tem o poder sobre a mente e o coração de muitos, deixo aqui outro trecho do evangelho de Mateus, espero que ele sirva para a reflexão e quem sabe uma mudança no comportamento de alguns, pelo menos de alguns:
“AQUELE QUE SE EXALTAR SERÁ HUMILHADO E AQUELE QUE SE HUMILHAR SERÁ EXALTADO. AI DE VÓS ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS! VÓS FECHAIS AOS HOMENS O REINO DOS CÉUS: VÓS MESMOS NÃO ENTRAIS E NEM DEIXAIS QUE ENTREM OS QUE QUEREM ENTRAR.
AI DE VÓS, ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS! DEVORAIS AS CASAS DAS VÍUVAS, FINGINDO FAZER LONGAS ORAÇÕES. POR ISSO SEREIS CASTIGADOS COM MUITO MAIS RIGOR.
AI DE VÓS, ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS! PERCORREIS MARES E TERRAS PARA FAZER UM NOVO CONVERTIDO E, QUANDO O CONSEGUIS, FAZEIS DELE UM FILHO DO INFERNO DUAS VEZES PIOR DO QUE VÓS MESMOS.
AI DE VÓS, GUIAS CEGOS! VÓS DIZEIS: SE ALGUÉM JURA PELO TEMPLO ISSO NÃO É NADA; MAS SE JURA PELO TESOURO DO TEMPLO, É OBRIGADO PELO JURAMENTO. INSENSATOS, CEGOS! QUAL É O MAIOR? O OURO, OU O TEMPLO QUE SANTIFICA OU OURO? (No que se diferenciam hoje muitos Cristãos, incluindo Padres e Pastores, em sua insensata busca pelo dinheiro?) E DIZEIS AINDA: SE ALGUÉM JURA PELO ALTAR, NÃO É NADA; MAS SE JURA PELA OFERTA QUE ESTA SOBRE ELE É OBRIGADO. CEGOS! QUAL É O MAIOR: A OFERTA OU O ALTAR QUE SANTIFICA A OFERTA? (…)
AI DE VÓS, ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS! PAGAIS O DIZIMO DA HORTELÃ, DO ENDRO E DO COMINHO E DESPREZAIS OS PRECEITOS MAIS IMPORTANTES DA LEI: A JUSTIÇA, A MISERICÓRDIA, A FIDELIDADE. EIS O QUE ERA PRECISO PRATICAR EM PRIMEIRO LUGAR, SEM CONTUDO DEIXAR O RESTANTE. GUIAS CEGOS! FILTRAIS UM MOSQUITO, E ENGOLIS UM CAMELO.
AI DE VÓS, ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS! LIMPAIS POR FORA O COPO E O PRATO E POR DENTRO ESTAIS CHEIOS DE ROUBO E DE INTEMPERANÇA. FARISEU CEGO! LIMPA PRIMEIRO O INTERIOR DO COPO E DO PRATO, PARA QUE TAMBÉM O QUE ESTA FORA FIQUE LIMPO.
AI DE VÓS, ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS! SOIS SEMELHANTES AOS SEPULCROS CAIADOS: POR FORA PARECEM FORMOSOS, MAS POR DENTRO ESTÃO CHEIOS DE OSSOS, DE CADÁVERES, E DE TÔDA ESPÉCIE DE PODRIDÃO. ASSIM TAMBÉM VÓS, POR FORA PARECEIS JUSTOS AOS OLHOS DOS HOMENS, MAS POR DENTRO ESTAIS CHEIOS DE HIPOCRISIA E DE INIQUIDADE.
AI DE VÓS, ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS! EDIFICAIS SEPULCROS AOS PROFETAS (e Santos), ADORNAIS OS MONUMENTOS DOS JUSTOS, E DIZEIS: SE TIVÉSSEMOS VIVIDO NO TEMPO DE NOSSOS PAIS, NÃO TERÍAMOS MANCHADO NOSSAS MÃOS COMO ELES NO SANGUE DOS PROFETAS...
TESTEMUNHAIS ASSIM CONTRA VÓS MESMOS QUE SOIS DE FATO OS FILHOS (hoje filhos espirituais  DOS ASSASSINOS DOS PROFETAS. ACABAI POIS DE ENCHER A MEDIDA DE VOSSOS PAIS!
SERPENTES! RAÇA DE VÍBORAS! COMO ESCAPAREIS AO CASTIGO DO INFERNO? VÊDE EU VOS ENVIO PROFETAS, SÁBIOS, DOUTÔRES. MATAREIS E CRUCIFICAREIS UNS E AÇOITAREIS OUTROS NAS VOSSAS SINAGOGAS. (Nos tempos modernos estes fatos já não acontecem nas Sinagogas ou Templos diversos, e nem há mais crucificações, afinal a maldade também é criativa e inventou outros meios)
PERSEGUI-LO-EIS DE CIDADE EM CIDADE, PARA QUE CAIA SOBRE VÓS TODO O SANGUE INOCENTE DERRAMADO SOBRE A TERRA, DESDE O SANGUE DE ABEL, O JUSTO, ATÉ O SANGUE DE ZACARIAS, FILHO DE BARAQUIAS, A QUEM MATASTES ENTRE O TEMPLO E O ALTAR. (E todo o sangue justo derramado após a própria morte do Cristo) EM VERDADE VOS DIGO, TODOS ÊSSES CRIMES PESAM SOBRE ESTA RAÇA. (Mt 23, 12-19;23-36)
Como se costuma dizer após a leitura do evangelho: SÃO PALAVRAS DE SALVAÇÃO!
Quem são os Fariseus e os Escribas modernos? Todos aqueles que se aliam aos exploradores do Homem pelo Homem, aqueles que se aliam aos mantenedores do Mal sobre a Terra, mantenedores e usufuidores de um Sistema de Morte, que tráz a Morte não só ao Ser-Humano através da Exploração do Homem pelo Homem, mas também (nos tempos Modernos) a própria Criação com todos os impactos ambientais que estamos vivenciando. O nome deste sistema de Morte? Em uma analogia usada nos anos 80 pelas Comunidades Eclesiais de Base, podemos chamá-lo de CAPETALISMO!

E então? Quem você é? A que Senhor você serve? Mesmo sem perceber!

Fica aqui esta, que era para ser uma breve reflexão, mas que se tornou longa demais... mas pelo menos não estraguei a procissão!

terça-feira, 14 de maio de 2013

NOTA PÚBLICA DA CPT: Ministra afronta a Constituição Brasileira



Comissão Pastoral da Terra – Secretaria Nacional
Assessoria de Comunicação

NOTA PÚBLICA
 
Ministra afronta a Constituição Brasileira
A Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra vem a público para manifestar sua indignação e repúdio ao que faz o atual governo federal, em defesa da sua visão monocrática de desenvolvimento e de submissão aos interesses do agronegócio.
A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, no dia 8 de maio, em reunião da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, deixou claro qual é a verdadeira e única visão do atual governo em relação aos sérios e graves conflitos que envolvem os povos indígenas.
As diversas manifestações indígenas que vêm ocorrendo nos últimos anos, que mostram sua total discordância com projetos que afetam sua vida e seus territórios, são atribuídos pela ministra a grupos que usam o nome dos índios, tentando, com isso, desqualificar suas ações como se eles apenas  fossem massa de manobra nas mãos de outros interesses. “Não podemos negar que há grupos que usam os nomes dos índios e são apegados a crenças irrealistas, que levam a contestar e tentar impedir obras essenciais ao desenvolvimento do país, como é o caso da hidrelétrica de Belo Monte”, disse ela textualmente. E acrescentou: “O governo não pode concordar com propostas irrealistas que ameaçam ferir a nossa soberania e comprometer o nosso desenvolvimento”.  A ministra deixa patente que o econômico é o único compromisso do atual governo. Nada pode impedir que os propalados “progresso e desenvolvimento” avancem sobre novas áreas, desconhecendo totalmente os direitos dos povos que há séculos ali vivem e convivem, se assim o governo definir como essenciais ao desenvolvimento.
Com essa fala, ela acaba por legitimar toda a violência empreendida contra os povos originários no país. E confirma que o atual modelo de “desenvolvimento” é o mesmo que se implantou no Brasil, desde a época do Brasil Colônia, e se repetiu nos diversos períodos de nossa história. Esquece-se ela, porém, que a Constituição, em seu artigo 231 garantiu: “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens” e que o Brasil é signatário de acordos internacionais que corroboram estes direitos. As declarações da ministra soam como uma afronta à Constituição brasileira. 
E não são só palavras. Para garantir que as obras que o governo se propõe realizar não sejam interrompidas, como nos tempos da ditadura militar, militariza-se a questão. Em 12 de março, a Presidente Dilma assinou o Decreto nº 7957/2013, que dá poderes ao próprio governo federal, através de seus ministros de Estado, para convocar a Força Nacional em qualquer situação que avaliarem necessário. E lá está a Força Nacional na região onde se pretende construir o complexo Hidrelétrico do Tapajós. E estava em Belo Monte para retirar os cerca de 200 indígenas de 8 etnias diferentes, que ocupavam o canteiro de obras da usina, depois que o governo conseguiu liminar da justiça para que os mesmos fossem retirados, até mesmo com o uso da força. Pacificamente como entraram, os indígenas deixaram o local.
E não fica só nisso. Nas regiões, onde os índios depois de decênios de espoliação, tentam reaver pequena parte do território que lhes pertencia, o Palácio do Planalto desqualifica os trabalhos da Funai propondo submeter os estudos de identificação e delimitação de terras indígenas à análise da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), contrariando, mais uma vez a legislação brasileira.
Aliado a isso tudo, a campanha anti-indígena que se desenvolve no Congresso Nacional com a PEC 215, que quer transferir as atribuições constitucionais da Presidência da República em reconhecer territórios indígenas e de outras comunidades tradicionais para o Senado, e a portaria 303 da Advocacia Geral da União que pretendia estender a todo o Brasil, as condicionantes definidas para a TI Raposa Serra do Sol, nos dão um quadro de como, depois de cinco séculos, os indígenas são vistos e tratados neste país.
A Coordenação da CPT espera que nossa Constituição seja respeitada em primeiro lugar pelo próprio governo, garantindo “aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam”, e também sobre os territórios dos quais foram espoliados. A preocupação da CPT se dá, também, com relação aos quilombolas e outras comunidades tradicionais sobre as quais cresce a pressão do capital, apoiado pelos poderes públicos.  É hora de respeitar e de garantir a diversidade presente em nosso país, e o espaço físico para reprodução física e cultural dos povos e comunidades existentes. 
Goiânia, 13 de maio de 2013.
Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT)